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“Afrouxamento”, “flexibilização”, “relaxamento”… O termo pode até mudar, mas o significado é o mesmo: governos estão estudando uma quarentena menos rigorosa no enfrentamento ao coronavírus.

Estados e países já começaram a traçar estratégias para tentar normalizar um pouco a vida de seus moradores. Sedutor na teoria, mas como será a prática disso?

Há algumas possibilidades. Algumas boas, outras nem tanto. 

A economia pós-quarentena

O principal motivo para encerrar, ou pelo menos enfraquecer, a quarentena está no bolso.

Com parte da população em casa, a economia desacelerou, o desemprego começou a se alastrar, e mesmo quem segue empregado está com medo dessa condição mudar nos próximos dias. 

Não é atoa que medidas tão importantes como o movimento #NãoDemita, no qual empresas empresas como a Microsoft e a Cobli se comprometeram a não demitir até o fim de maio, se mostraram tão necessárias.

Mas dá para resolver o problema da economia fácil, certo? É só voltarmos ao trabalho? Olha, mais ou menos…

Há, com certeza uma expectativa de que a economia seja impulsionada assim que a quarentena seja abrandada.

“No curto prazo supostamente pode melhorar um pouquinho, porque o isolamento implica em uma parada muito grande das forças econômicas; E é melhor uma força econômica fraca do que nenhuma. Essa suspensão da quarentena pode trazer resultados”, conta Mauro Rochlin, professor da FGV, à Cobli.

O problema é que isso é uma hipótese. Uma entre várias. E ninguém sabe quais são os efeitos negativos que uma volta antes de maior segurança à população pode trazer.

Segundo Rochlin, na história não há paralelos com o que está acontecendo. Por essa falta de referências passadas para nos apoiarmos, é impossível prever qualquer coisa.

“Precisamos entender como esse vírus vai se comportar com a volta, pode representar uma piora no quadro sanitário. Eu sou a favor de uma parada agora até conseguirmos lidar melhor com essa curva. Acho mais interessante do que ficar tendo paradas intermitentes, mas é um achismo meu. Não há base para cravar isso, ou o contrário disso”, afirma o especialista. 

Achismo ou não, a OMS concorda.

No começo de abril, a Organização declarou que os países que afrouxarem a quarentena agora terão efeitos “ainda mais severos e prolongados” na economia.

Dá para entender a linha de raciocínio.

Uma quarentena mais permissiva acarreta quase que imediatamente em sobre gastos na área médica, e até mesmo na força de trabalho do país, que será afetada com as mortes na casa das centenas de milhares.

Já citamos aqui, por exemplo, um estudo da Universidade de Northwestern que mostrou que além de trazer uma dor incalculável para as pessoas próximas, a morte de cidadãos pode sim ser posta na calculadora do estado.

Só nos EUA o prejuízo causado pelas mortes dos cidadãos atingirá U$7 trilhões.

O valor é feito, entre outras coisas, com base na quantidade de imposto que os falecidos deixarão de pagar. 

Podemos ficar mal vistos? 

Outra dúvida é sobre nossa imagem internacional.

Movimentar nossa economia agora pode trazer desconfiança dos estrangeiros e afastar investimentos de fora? 

Aparentemente não.

“Eu não diria que o Brasil já tem uma má imagem na economia internacional por não ser tão rigoroso quanto os outros”, afirma Rochlin.

A verdade é que outros países também estão sem saber como lidar com isso.

“A Suíça, por exemplo, até agora não fez isolamento. O da Austrália também não é tão rigoroso como o nosso. Nossa posição [econômica] não é exatamente demonizada no resto do mundo.”, completa.  

Afrouxamento da quarentena

Como a saúde pode ser afetada por uma flexibilização na quarentena? 

Na comunidade médica há praticamente um consenso de que a reabertura da economia nesse momento vai gerar, quase que imediatamente, um aumento no número de infectados e mortes. 

A OMS também já falou que flexibilizar as quarentena fará com que mesmo países em que os números de casos está caindo (o que não é a situação do Brasil, vale ressaltar) uma abertura prematura pode fazer com que uma nova explosão no número de pacientes ocorra.

Isso não é nem teoria, é fato.

Na China, por exemplo, assim que reabriu seu comércio, voltou a registrar um aumento nas mortes.

Estabelecimentos como cinemas, que tinham sido considerados seguros e recebido o aval para voltarem à ativa, foram novamente paralisados.

Outro epicentro do problema, a Itália, também anunciou e desistiu de alguns planos de reabertura. Sempre porque os pacientes voltam a crescer. 

No caso do Brasil, a situação pode ser ainda mais complicada porque, na verdade, ainda nem entramos de fato em quarentena.

Enquanto o isolamento recomendado era de 70% população, faz tempo que não chegamos nem perto desse número.

O gráfico abaixo, feito pela empresa de segurança In Loco, mostra como a nossa quarentena foi fraca nas últimas semanas:
(Para ver as informações completas, você pode arrastar o gráfico para o lado usando a barra de rolagem)

Uma interrupção numa quarentena pode fazer que a tal da curva não seja achatada, sobrecarregando os hospitais.

Em SP, por exemplo, isso já é uma realidade. 12 cidades da Grande São Paulo já não possuem mais leitos em UTI. Tanto na rede pública quanto na privada.

Em outras partes do Brasil o cenário é ainda pior,  a Folha de S.Paulo reportou que há mais de 90% de ocupação dos leitos no Rio de Janeiro, Amazonas, Pará e Pernambuco.

No Rio Grande do Sul, Maranhão, Ceará e Goiás os valores ultrapassam dos 60%. SP, no âmbito estadual, registrava 59,8% no levantamento do jornal.

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