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Em ano que já foi de olimpíada era natural que esperássemos recordes, mas de atletas —  não do dólar. A moeda americana se tornou uma recordista absoluta no Brasil em 2020: em 21 de janeiro, o dólar comercial atingiu R$ 4,16 (valor nunca alcançado desde a criação do real).

Desde então, vem se superando quase que diariamente. Dez dias depois, estava em R$ 4,28. Em 28 de fevereiro já valia R$ 4,48. E em 16 de março ultrapassou o valor da nossa lilás, ao fechar em R$ 5,04. Hoje, esse valor já seria bom para quem quer comprar: em 24 de abril a moeda americana custava R$ 5,66.

Diferentemente dos medalhistas, no entanto, quem procurar uma justificativa para os recordes não vai precisar fazer antidoping — mas a resposta passa pela medicina. Assim como qualquer coisa nos dias de hoje, o motivo dessa mudança está no coronavírus.  

Olhando o todo, só em 2020, o dólar já acumula mais de 40% de valorização frente o real. E há um link direto entre a moeda e a covid-19. 

Mas para entender essa relação é preciso lembrar de um fato: o Brasil, assim como 40% de seus moradores, é endividado. É a famosa “dívida pública”, que aparece nos noticiários quase que diariamente.

Na prática, as milhares de manchetes sobre o tema costumam girar em torno do fato de que o Brasil deve muito: 87,9% de seu Produto Interno Bruto. O número é o maior da América Latina. A Argentina está com 85,7% no vermelho, a Colômbia 50,3%,  o Chile 31,2%.

O valor, no entanto, não é um dos maiores do planeta, o Japão deve mais do dobro que tem: 226,3%, os EUA 101,8% — mas há uma diferença grande entre nós e eles: confiabilidade.

Entre os países emergentes só temos uma dívida menor que a do Líbano (155%). E, diferentemente das economias já consolidadas, há uma desconfiança sobre como e quando esses valores serão pagos por nós.

“Essa alta dívida faz com que o mercado fique com medo do governo  de não conseguir pagar, tenha começar a emitir dinheiro [o que contribui para a inflação], ou contratar outras dívidas.”, conta à Cobli Mauro Rochlin, professor da FGV. 

É aí que aparece o corona. “Com a pandemia, o governo começou a ter uma série de novas despesas: auxílio para 40 milhões, seguro desemprego e etc. Ao mesmo tempo vai recolher uma receita muito menor, porque vai teremos menos impostos.”, explica Rochlin.

Quem emprestou dinheiro para o Brasil, tem que lidar com uma dúvida inevitável: o país vai me pagar, ou eu corro o risco de perder minha grana? 

A saída, então, é remanejar esforços para um terreno mais estável — que tem menos chance de te dar calote. E esse cenário tende a ser um: “Sob essas circunstâncias, os recolhedores da dívida, começam a se voltar para o porto seguro, o dólar”. 

Variação de preço do dólar

Como funciona a variação de preço do dólar?

Com todo mundo procurando a moeda, entra a lei da oferta: quem dá mais leva.

“O que define o valor, que está subindo, é a compra. Alguém, por exemplo, está vendendo um bi de dólares a 5,63. Se comprarem, essa é a cotação. Se no min seguinte outro lote for vendido à 5,64, valorizou. Se venderem a 5,62 cai.”, explica Rochlin.

A partir disso, o crescimento do dólar tem sido inevitável. Brasil parado? Melhor investir no dólar. Mais despesas públicas? Money. Instabilidade na política? $. 

A variação do dólar tem alguma vantagem?

Este momento não é de todo ruim. Apesar de assustador para quem fez uma viagem internacional recente, não é difícil entender que a baixa do dólar é boa para quem exporta em altas quantidades.

O preço barato estimula países a comprarem grandes volumes. Mesmo valendo menos, pode acabar entrando mais dinheiro. A soja é um bom exemplo.

Em março deste ano, exportamos 11,64 milhões de toneladas, mais de 35% a mais do que o mesmo mês de 2019, de acordo com o Ministério da Economia.

Ainda no mundo da comida, aumento no número de exportações de proteínas fez que o faturamento crescesse  26%, também em relação à março do ano passado. 

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Isso não quer dizer, claro,  que está todo mundo confortável. Importar ficou caríssimo. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirmou que as importações devem cair 20% em 2020. Prejudicando mercados como o automobilístico, que precisa trazer peças de outros países, para construir seus veículos. 

O dólar vai descer ou daqui pra frente só crescerá?

Então, afinal, quem ficará feliz com essa cabo de guerra cambial?

“Quem te der esse tipo de resposta ou está mentindo ou está mal informado”, crava Rochlin. “Não dá para saber. Até porque, se todo mundo achasse que amanhã será mais caro, investiram tudo em dólar hoje, para não ter que pagar mais caro depois. Mas o valor pode cair, então não existe esse movimento”, completa. 

Até porque a própria variação do dólar gera uma ondulação natural nos valores “A Petrobrás, por exemplo, ficou mais barata. Isso pode atrair alguns bilhões de dólares para o Brasil, com um volume alto entrando no país, a moeda pode perder o valor.”, afirma.

Mas o valor pode subir e novos recordes apareçam? Sim. Tudo é possível.  A única certeza é que, em 2021, está prevista para finalmente acontecer a olimpíada. Lá sim, é bastante provável que novas marcas sejam batidas.

*Escrito por Felipe Germano

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