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Contagioso, o novo coronavírus (covid-19) está impondo desafios a indústrias no mundo todo. Afinal, como fazer tudo funcionar sem que as pessoas se aproximem?

Desde janeiro, quando o número de casos do vírus explodiu na China, empresas sentem impacto em suas cadeias de suprimentos, estoques e ritmos de produção.

Agora que a doença se tornou uma pandemia, esse cenário será ainda mais complexo – por sua imprevisibilidade, o evento tem sido chamado de “cisne negro” por inúmeros analistas

Para se preparar para o impacto do coronavírus na cadeia de suprimentos, confira as boas práticas abaixo:

Avaliar a exposição da empresa

Entender todas as etapas das cadeias dos suprimentos utilizados para sua produção é crucial.

É preciso conversar com fornecedores, e, em muitos casos, com os fornecedores dos fornecedores dos suprimentos que você utiliza. 

A ideia é entender como toda a sua cadeia funciona para chegar até você, entendendo fraquezas. “Se você não tem visibilidade agora, precisa se apressar para saber se pode ter uma disrupção em alguma parte da cadeia”, disse o diretor de operações da Materials Handling Institute, John Paxton, ao site SupplyChainDive

Com esse desenho na mão, é possível inclusive buscar um fornecedor num país que esteja sendo menos afetado pelo covid-19 ou cuja situação já esteja melhor. 

Pode ser caro e complicado no curto prazo – ao Estadão, o professor do Insper Roberto Dumas exemplificou que treinar um fornecedor de componentes eletrônicos pode levar pelo menos 120 dias. Como isso funcionaria na sua indústria? 

Mas é justamente por ter alternativas que você pode conseguir escapar da crise e até aproveitar oportunidades.

Nos últimos meses, por exemplo, empresas que usam insumos vindos de vários países do Sudeste Asiático tiveram menos problemas que aquelas que dependem mais da China. 

Agora, a situação pode se inverter – com a China já tendo o covid-19 controlado, ela pode ser a saída para sua cadeia de suprimentos

Considerar os impactos futuros na cadeia de produção

Métodos modernos de logística, como o Just in Time, pregam o uso de quantidades menores de estoque, de acordo com a demanda.

É uma teoria eficiente, mas num cenário de disrupção do fornecimento, isso pode afetar a produção de forma drástica.

Produtos que não tiveram problemas de entrega ainda estão sendo feitos com insumos em estoque.

Quando esses suprimentos acabarem, pode haver um efeito dominó cujas consequências poderão ser sentidas muito além do tempo da recuperação do surto. 

É algo que já se vê, por exemplo, na indústria de eletrônicos, uma vez que muitos componentes globais vêm da China.

Com isso, analistas não descartam que o preço de celulares suba e, por conseguinte, as vendas caiam. 

Se para sua empresa é difícil prever cenários, tente elaborar hipóteses simples: o que acontece se faltar um determinado suprimento X ou insumo Y?

A partir disso, é mais fácil visualizar as situações de crise – e até estabelecer qual cenário é menos problemático.  

Reavalie processos de higienização

Reavaliar processos de informação, checagem e higienização

O contágio do coronavírus também pode acontecer por meio de objetos. Se no dia a dia, já é recomendado que as pessoas não compartilhem itens pessoais, no cenário corporativo é importante que novos processos de checagem e higienização sejam adotados ou intensificados.

É preciso prestar atenção não só nas máquinas e nos suprimentos, mas também nos funcionários.

Antes de tudo, é preciso saber se eles estão doentes ou com sintomas do covid-19, garantindo isolamento e quarentena o mais rápido possível. 

Os trabalhadores também podem servir como rede de informações – segundo artigo da Harvard Business Review, conseguir coletar informações localmente, por meio das pessoas, pode ser uma maneira de ter uma visão mais clara sobre o que está acontecendo do que apenas confiar em números oficiais. Portanto, converse com seus funcionários e fornecedores.

Garantir uma linha de produção com menor contato possível é outra boa ideia – e, apesar da urgência, por que não pensar em formas de automatização da cadeia de suprimentos, utilizando tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas e etiquetas RFID?  

Fazer um bom planejamento

Prever cenários é vital em tempos de crise. Buscar a diversificação de fornecedores, como já vimos, pode ser uma saída importante para evitar a redução do estoque de insumos – mesmo com custos e níveis de qualidade diferentes do desejável.

É preciso ainda fazer um bom controle de caixa e estimar previsões de médio e longo prazo, considerando variáveis. Nesta semana, por exemplo, São Paulo e outros estados entrarão em estado de quarentena, o que não permite a abertura de lojas de serviços “não essenciais”. 

Isso significa que setores importantes da economia, como lojas de roupas, material de construção ou eletrônicos, concessionárias e oficinas mecânicas, bares e restaurantes, terão de ficar fechados.

A princípio, será só até abril, mas não se sabe o que pode acontecer nos próximos meses. 

É uma redução drástica nas atividades econômicas – e já se especula que o País poderá ter 5 milhões de novos desempregados. No mundo, podemos chegar a 25 milhões de demissões.

Por outro lado, o comércio eletrônico poderá funcionar – e vai demandar muito da logística para funcionar bem. 

Nesse cenário, como a sua empresa se sai se tudo ficar fechado até abril? Maio? Junho? Vamos pensar nos possíveis cenários para os quais é preciso estar preparado:

  • A demanda pode cair ou as vendas online podem aumentar
  • O dia a dia dos clientes também será afetado: como os negócios deles estarão funcionando?
  • Pode ficar mais difícil pagar funcionários e fornecedores no prazo adequado

Dois aspectos importantes nesse cenário de crise são como renegociar prazos e também como reduzir custos fixos.

É possível pensar na implementação de novas tecnologias ou métodos, como um galpão logístico? Ou não há espaço para isso no seu caixa e será preciso cortar vagas? 

Planejamento empresarial em tempo de coronavírus

Planejar o redimensionamento do time

No Brasil, fábricas e lojas estão interrompendo atividades para evitar a disseminação do novo coronavírus por seus funcionários.

Nessas horas, é preciso planejar o que fazer usando a lei numa mão e a calculadora na outra, buscando conciliar a legislação trabalhista e as planilhas de gastos.

Por enquanto, férias coletivas e licenças não-remuneradas estão sendo a principal saída nas fábricas aqui no Brasil, como é o exemplo de algumas montadoras de automóveis como a GM, que fica em Gravataí (RS), e a Mercedes-Benz, que produz em São Bernardo do Campo e em Iracemápolis (ambas em SP). 

Em entrevista ao portal R7, a juíza Wanessa Mendes de Araújo, membro da Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho), afirmou que fixação da data das férias é uma conveniência do patrão.

Normalmente o empregado aponta o período pretendido, mas essa possibilidade de escolher não deverá ser a regra na crise.

Segundo a juíza, caso o empregado já tenha combinado com o patrão outro período para férias e tiver realizado gastos que não puderem ser reembolsados, terá de ser ressarcido pela empresa.

“Em caso de remarcação das férias que já tenham sido autorizadas, o empregador poderá ser responsabilizado pelos prejuízos com passagens aéreas e hotéis, entre outros, desde que comprovados”, afirma a magistrada.

Com isso, já é possível perceber que essa pode ser uma solução limitada a longo prazo. Em um cenário de crise econômica, como o que já é projetado por economistas, soluções arrojadas serão necessárias para evitar demissões em massa. 

Infelizmente, porém, isso é algo que já começou a acontecer no varejo e também no setor de bares e restaurantes.

Esperamos que este texto ajude sua empresa a passar por esse momento de crise com menos turbulência.

E se o seu negócio precisa de frotas para funcionar, temos um post com dicas para preparar melhor sua frota. Leia aqui e antecipe-se aos problemas!

Este conteúdo te ajudou? Fique de olho no blog da Cobli com mais atualizações sobre o coronavírus e seus impactos na logística.

Monitoramento de frota - Coronavírus: Como gerenciar o impacto na cadeia de suprimentos