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As ruas estão mais vazias. Com a expansão do coronavírus pelo mundo, modelos de quarentena, isolamentos (voluntários ou não) e o conceito de home office têm se multiplicado pelo planeta.

Ainda assim, há quem esteja na rua: serviços básicos como Segurança, Saúde e Alimentação seguem em funcionamento. E todos dependem de um coadjuvante em comum: o combustível. Seja ele para movimentar viaturas ou ambulâncias.

Daí você se pergunta: “A covid-19 afeta até a gasolina?”. E como afeta! Mas, diferentemente do caos com a doença, o preço dos combustíveis só deve diminuir.

Vamos entender como e porquê? Siga a leitura abaixo:

O preço do combustível cai na crise

Como o preço do combustível se comporta?

“Sempre que se tem uma crise, o preço do petróleo começa a cair”, conta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. É natural. Há pouco mais de um século substituímos o carvão (até então o mineral que impulsionava o planeta) pelo petróleo.

Aviões, navios e, claro, carros: praticamente tudo que se move exige algum subproduto extraído do óleo preto. Ótimo para quem vende esses derivados, certo? Claro — contanto que esteja tudo bem com o mundo.

Como combustível é consumido amplamente, a indústria sente qualquer tipo de perturbação na economia. Um país enfrentando recessão econômica intensa significa uma nação inteira demandando menos petróleo, por exemplo.

Mas o caso da crise de corona afeta especificamente esse mercado de forma mais direta do que a média. Não só por ser global, mas por restringir nossos movimentos.

Se você encontrar uma gasolina baratíssima nos próximos dias, saiba que dá para justificar o valor com uma só palavra: isolamento.

“O que tem assustado muito os governos, principalmente o brasileiro, é que tem acontecido um fenômeno diferente: está sobrando petróleo.”, explica Pires.

Em geral, em momentos de crise, a situação não é das mais difíceis de prever. O preço do petróleo (e consequentemente do combustível) cai, o motorista repara isso assim que passa em frente a um posto — e aproveita para encher o tanque.

Quanto mais barata a gasolina, mais gente abastece. Simples assim.

O grande problema é que, em tempos de quarentena, muito menos gente está passando nas ruas. Nem todo mundo vai passar no posto e ver a promoção. Vai sobrar gasolina. A saída? Diminuir ainda mais o preço, na esperança de alguém comprar.

Queda do valor do combustível é bom para o transporte

Como as empresas são afetadas?

“Para quem trabalha com transporte é ótimo”, conta Pires. Durante a pandemia, motoristas e empresas devem encontrar combustíveis significantemente mais baratos. As quedas, inclusive, já estão acontecendo há algumas semanas – e devem continuar.

No dia 18 de março, por exemplo, a Petrobras anunciou que diminuiria em 12% o valor da gasolina e em 7,5% o diesel. Na semana anterior, o óleo bruto  já havia registrado a maior queda em sua cotação desde 1991: 30%, com o petróleo Brent (referência internacional) atingindo $34,36.

De lá para cá as quedas só continuaram, ainda que em porcentagens menos bruscas. Em 18 de março atingiu $24,88, e no dia 30 do mesmo mês chegou aos $22,58 — o menor valor em 18 anos.

Para efeitos de comparação, o mesmo barril, em outubro de 2018 era vendido por $80. Quanto mais barato o petróleo, menos custam os combustíveis derivados dele.

A felicidade do comprador, no entanto, é diretamente oposta à dos vendedores. Empresários responsáveis pela distribuição de combustíveis podem enfrentar uma crise própria pela frente.

“A Gol, por exemplo, tinha cerca de 800 voos diários. Agora tem 50. Isso faz com que os estoques nas refinarias cresça muito, desvaloriza o produto”, afirma Pires. Mesmo quem não vende para grandes compradores, como empresas de aviação, talvez encare dificuldades.

“A receita do posto é sempre preço vs quantidade. Uma coisa equilibra a outra. Hoje, como dois estão caindo, podemos ter muitos estabelecimentos falindo”, completa.

Como evitar uma crise dentro da crise?

Tentativas de solucionar o problema, inclusive, já estão em andamento. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre outras medidas, permitiu que produtores de etanol anidro estoquem menos do que volume mínimo exigido por lei.

Além disso reduziu, em duas horas diárias, o tempo de funcionamento obrigatório dos postos. Agora os estabelecimentos devem permanecer abertos das 7h às 19h, de segunda-feira à sábado. Uma tentativa de diminuir gastos e perigos aos funcionários.

A situação toda, claro, não deve durar para sempre – mas o cenário permanecerá por um tempo. Mesmo após o fim dos isolamentos no Brasil e no mundo, ainda teremos um atraso para a normalização dos preços.

“O volume de produção barris está diminuindo. Quando voltarmos, talvez tenhamos uma demanda maior do que a oferta”, explica Pires. “Mesmo assim, os preços só devem voltar ao patamar que estávamos no final do ano”, completa.

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Monitoramento de frota - Coronavírus: Como o preço da gasolina deve se comportar em meio à crise?