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Você já sabe: parte do Brasil se isolou em quarentena, com a pandemia aterrizando em solo nacional.

Também sabe que nem todo mundo pôde ficar em casa. Enfermeiros, lojistas e entregadores tiveram que botar o pé na rua, se expondo ao vírus, para realizarem os serviços considerados essenciais.

O que você talvez não saiba é o peso que essa parte da população terá na economia — principalmente o último grupo citado.

Uma pesquisa recente revelou que o transporte terrestre deve ser responsável por quase um terço de todo o PIB brasileiro em 2020.

A greve e o PIB: Um passado complicado

O Brasil conheceu o impacto do transporte rodoviário mesmo antes desse período pandêmico: em 2018, com a greve dos caminhoneiros.

Com a pausa, todo mundo entendeu como ter alguém nas estradas é importante.

Mesmo tendo durado apenas 11 dias, a greve fez um estrago.

O preço do pãozinho francês subiu 20%, frutas como a laranja ficaram 25% mais caras, e alimentos como a batata dobraram o preço da etiqueta — com 100% de aumento.

A parada chegou a abater até o nosso produto interno bruto (PIB).

Antes da greve, imaginava-se que o crescimento daquele ano de eleições seria de 2,5%. Um mês após a greve o valor já era esperado em 1,6% — e não chegou a isso, fechamos com 1,1%. 

Faz sentido. O transporte sobre rodas é o que movimenta, literalmente, a economia.

É difícil encontrar algum setor que não dependa, ao menos em partes, do transporte terrestre.

Mercados precisam que os alimentos cheguem ao estoque de alguma forma e mesmo áreas aparentemente completamente digitais, como provedores de internet, só funcionam com técnicos e peças se movimentando à todo momento.

Não é atoa que o preço da gasolina chegou a registrar uma alta de 26% simplesmente porque não havia ninguém para levar o combustível da refinaria para o posto.

“A última milha [de qualquer coisa] é sempre feita de caminhão”, afirmou em entrevista ao Valor, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa.

Foi justamente esse contexto de dois anos atrás que deu um ar de vilania aos trabalhadores das estradas.

Durante a greve, o Datafolha revelou que 57% da população era contra a paralisação (mesmo com mais de 92% considerando as reclamações justas).

A situação piorou com o tempo: 15 dias após o fim da greve, 70% dos brasileiros acreditam que o ato tinha gerado prejuízo ao país.

Boa notícia? Essa imagem pode ter ficado no passado.

Agora, tendo a pandemia como fundo, o cenário deve se inverter: a indústria do transporte terrestre passará de vilã para heroína da economia.

Quer saber mais sobre como o coronavírus afeta a economia e o seu negócio? Conheça a nossa página especial sobre o assunto.

O transporte terrestre é uma das atividades que conseguiu aguentar o baque do coronavírus

A pandemia e o PIB: um futuro crucial

Para avaliar a economia em meio à pandemia, a Fundação Getúlio Vargas fez um estudo com proposta clara: analisar as principais indústrias do país e seus respectivos resultados.

Foram avaliadas 37 das 68 atividades que compõem o PIB e, olhe só, fui justamente o transporte terrestre que se destacou.

De acordo a pesquisa, o transporte será responsável por, pelo menos, 29% do PIB em 2020.

Na prática, quase um terço de todo o dinheiro gerado no país durante o ano, será provido do movimento nas rodovias

 “O pouco que a economia tem desempenhado, e deve continuar desempenhando neste trimestre, passa pelas estradas do país.”, afirmou em comunicado Juliana Trece, pesquisadora responsável pelo estudo. 

O número mostra que a indústria nunca foi tão importante no Brasil como é neste momento.

Para fins de comparação, o mesmo estudo mostrou que entre 2010 e 2017 o transporte terrestre teve um impacto 20 vezes menor, com uma média de 1,4% de contribuição ao PIB.

“Por mais que a atividade econômica esteja retraída, nesse período de crise é preciso transportar alimentos, remédios e equipamentos médicos”, afirmou Costa, ao Valor. “Do aeroporto até o hospital, é o caminhão que vai levar o respirador”, completou. 

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O resultado também faz sentido ao pensarmos fora das locomoções de nível industrial.

Você também contribui para isso quando resolve, por exemplo, pedir comida: a Rappi, já anunciou que o número de pedidos de delivery em seu aplicativo cresceu 30% desde o começo da pandemia. 

Isso, infelizmente, não significa que o mercado está em plena expansão.

Na verdade, mostra apenas que as transportadoras conseguiram resistir melhor ao baque do coronavírus.

Ainda assim, elas estão diminuindo. “Há ainda muita incerteza sobre o tamanho do impacto negativo do PIB para este ano. Como é esperada uma forte retração, muito provavelmente a atividade de transporte terrestre (carga + passageiros) também deve arrefecer, dada a alta correlação entre este setor com o PIB.”, afirma Trece. 

Um levantamento feito pela Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) mostra que entre 27 de abril e 3 de maio o volume de cargas transportadas caiu 41,4%, quando comparado com o período pré-pandêmico.

Isso, no entanto, pode ser uma boa notícia. Duas semanas antes, o valor era de uma queda superior à 45%. Pouco a pouco, a indústria parece estar se recuperando. 

Enquanto isso não acontece, o que dá para cravar é: este ano será complicado para economia — mas  ele seria ainda pior, caso as transportadoras não estivessem por aí. 29% pior, para ser mais exato. 

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Monitoramento de frota - Coronavírus: Como o PIB 2020 dependerá do transporte terrestre

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