Saber que o veículo saiu da base não é o mesmo que saber o que aconteceu com ele depois. Para uma cooperativa que atende 22.000 produtores rurais em mais de 350 municípios, com agrônomos em campo o dia inteiro e caminhões abastecendo 51 unidades de negócio, essa diferença tem nome: garantia perdida, multa paga por engano, motorista fora de rota sem que ninguém saiba.
A Cooxupé tinha todos esses problemas. Com 320 veículos e nenhum dado estruturado sobre o que acontecia entre a saída e a chegada, a gestão de frota era feita sobre o que havia sobrado nas planilhas do mês anterior. Hoje, a cooperativa monitora cada quilômetro rodado, identifica cada motorista ao volante e agendou as revisões que salvaram cerca de R$ 74 mil em garantia de motor. Este conteúdo mostra como essa mudança aconteceu.
Quando a frota cresce mais rápido do que o controle consegue acompanhar
A Cooxupé é a maior exportadora de café do Brasil. Com sede em Guaxupé (MG), a cooperativa reúne 22.000 famílias cooperadas, atua em mais de 350 municípios e já embarcou 6,5 milhões de sacas de café em um único ano para mais de 50 países. No pico de safra, em 2020, recebeu 8,2 milhões de sacas.
Para dar assistência técnica a todos esses cooperados, a cooperativa mantém agrônomos e técnicos de campo que visitam propriedades rurais todos os dias. São esses profissionais que usam os Saveiros da frota. Além da operação de campo, três centros de distribuição, em Guaxupé, São José do Rio Pardo e Patrocínio, abastecem 51 unidades de negócio diariamente com produtos de marca própria e de fornecedores parceiros.
Toda essa estrutura depende de uma área de transportes que responde pela gestão de 320 veículos. Até 2024, esse controle era feito com planilhas físicas que os motoristas preenchiam à mão e entregavam no departamento ao fim do mês.
O problema não era que as informações não chegavam: era que chegavam tarde demais para servir de alguma coisa.
O que um sistema de planilhas não consegue fazer com 320 veículos
Quando a Cooxupé começou a estruturar a gestão da frota, em 2024, operava cerca de 95 veículos.. Cada um carregava uma planilha física, em que o motorista registrava quilometragem, data e outras informações durante o uso. No fechamento do mês, as planilhas eram recolhidas, digitadas em Excel e enviadas ao departamento de transportes para consolidação.
Com 94 veículos, o modelo já era frágil: planilhas chegavam incompletas ou com atraso. Revisões programadas por quilometragem eram perdidas porque ninguém tinha como acompanhar o odômetro de cada veículo em tempo hábil. Garantias expiravam porque o histórico de manutenção ficava disperso em dezenas de papéis.
Em 2024, a compra de 150 Saveiros acelerou o crescimento. A frota chegou a 165 Saveiros e depois alcançou os 320 veículos atuais, incluindo 30 caminhões. Nesse ponto, a cooperativa precisava de uma solução que funcionasse na escala real da operação, não na escala do Excel.
A área de transportes conduziu um estudo de mercado e escolheu a Cobli. Dois anos depois, todos os 320 veículos são monitorados pela plataforma.
A perspectiva de Deividson Ricciardi Ferreira, Superintendente de Logística e Operações da Cooxupé, resume o que motivou a busca: “Tínhamos 320 veículos e o controle todo feito em Excel. Com essa quantidade de veículos, já não dava mais.”
O que muda quando a frota passa a ser monitorada por telemetria
Telemetria de frota vai além de saber onde o veículo está. O dado de localização é o mais básico. O que diferencia um sistema de gestão de frota completo é o que ele permite fazer com as informações geradas por cada viagem.
Na operação da Cooxupé, a Cobli cobre quatro frentes simultaneamente:
O rastreamento por quilometragem alimenta o controle de manutenção preventiva. Cada veículo tem seu plano de revisão cadastrado na plataforma. Quando o odômetro se aproxima do intervalo programado, o sistema sinaliza e a equipe agenda o serviço com a concessionária. Sem esse acompanhamento contínuo, revisões são perdidas junto com as garantias que dependem delas.
O monitoramento de comportamento de condução registra eventos de velocidade, frenagem brusca e aceleração agressiva por motorista e por viagem. Esse dado alimenta relatórios periódicos que os gestores de área usam nas conversas com seus colaboradores, e orienta a seleção de quem participa dos cursos de direção defensiva.
A identificação automática de motoristas por chaveiro associa cada viagem a um condutor específico. Com isso, nenhuma viagem fica sem identificação, o que torna rastreável a responsabilidade por multas, sinistros e usos fora do expediente.
Os alertas automáticos são configurados para situações específicas da operação: vencimento de CNH, movimentação fora do horário de trabalho e qualquer outro evento que precise de atenção imediata sem que alguém precise monitorar um painel manualmente.
Carlos Eduardo Ruzzi, Gerente de Tecnologia da Informação da Cooxupé, que participou do estudo de mercado antes da implementação, explicou o critério técnico que pesou na decisão: “A plataforma estava preparada para integrar com outros sistemas, e o nível tecnológico deles nos ajudou na questão de rastreabilidade, logs e informações que a gente precisa para ter controle de segurança da informação.”

Cerca de R$ 74 mil economizados, multa cancelada e redução de 18% em eventos de velocidade
Os 165 Saveiros da Cooxupé rodam intensamente em estradas de terra para atender as propriedades dos cooperados. Esse uso desgasta os motores mais rapidamente do que o previsto para condições normais de rodagem. Com as revisões agendadas na plataforma a cada 10.000 km, a cooperativa manteve todos os veículos com a manutenção em dia nas concessionárias.
Quando 4 Saveiros apresentaram falha de motor por causa do uso severo, a Cooxupé conseguiu acionar a garantia em todos os casos. Luciene Fátima da Silva, Analista de Transportes, descreveu o resultado: “Nós não tivemos custo porque estávamos com a garantia em dia, com as revisões em dia. Cada motor custa em torno de R$ 18.500. Foram quatro no total. Dá um montante de R$ 72.000 somente nessas Saveiros.” Sem o histórico de quilometragem registrado pela telemetria, provar que as revisões tinham sido feitas na concessionária seria impossível.
Em outro caso, a cooperativa recebeu uma autuação de trânsito registrada no Estado de São Paulo. O veículo estava, naquele momento, em Guaxupé, Minas Gerais. Com os relatórios de localização da Cobli, a equipe comprovou ao órgão competente que aquele veículo não poderia ter estado no local da infração. A hipótese de placa clonada foi levantada, o órgão acatou a contestação e a multa foi cancelada. Antes da Cobli, a identificação do motorista responsável dependia da planilha que estava no veículo, muitas vezes não preenchida.
Na frente de segurança, os resultados são igualmente concretos. Quando a Cooxupé começou a usar a Cobli, em abril de 2024, a taxa de eventos de velocidade era de 53% por quilômetro rodado. Para cada quilômetro percorrido pela frota, mais da metade gerava algum registro de excesso. A área de transportes criou um ciclo de acompanhamento trimestral: dados apresentados aos gestores de área, que levavam os resultados para conversas com seus colaboradores. A cooperativa também implementou cursos de direção defensiva para os técnicos e agrônomos em campo.
Ao final de 2025, a taxa havia caído para a faixa de 34% a 36% por quilômetro rodado, resultado que não veio da instalação do sistema, mas das conversas que os dados geraram e da mudança de comportamento que essas conversas provocaram.
Como 900 motoristas são controlados sem que ninguém precise acompanhar um por um
A Cooxupé tem mais de 900 colaboradores cadastrados na plataforma da Cobli, cada um identificado por chaveiro RFID. Esse volume torna impraticável qualquer controle manual. A solução está nos alertas automáticos que chegam à equipe de transportes sem que alguém precise monitorar ativamente.
O primeiro cobre CNH com vencimento próximo. A plataforma monitora as datas de habilitação de todos os condutores e envia notificações antes do vencimento. “Às vezes até o próprio colaborador nem viu que a CNH dele está para vencer, e a gente avisa para ele poder regularizar”, explicou a Luciene Fátima da Silva, Analista de Transportes. Com 900 colaboradores, esse controle não seria viável por nenhum processo manual.
O segundo cobre uso de veículos fora do horário de expediente. A cada manhã, a equipe recebe um relatório automático com qualquer movimentação registrada fora do horário de trabalho. Quando há ocorrência, a informação vai direto para o gestor de área, que verifica se o uso foi autorizado antes de qualquer ação. Esse fluxo foi configurado pela Cobli como personalização específica para a cooperativa. Com 320 veículos rodando pelo Brasil, controlar isso sem automação significaria depender de relatos dos próprios colaboradores.
O que mudou nas entregas do Centro de Distribuição
Na operação dos centros de distribuição, o problema não era localização: era entender onde os atrasos aconteciam. Um caminhão parte de um CD, percorre várias unidades de negócio e chega ao destino final. Anteriormente, o monitoramento era manual e não havia como distinguir se o atraso veio do percurso, da unidade de negócio A ou do carregamento na unidade B.

Com a telemetria, a equipe passou a ter um horário previsto para cada etapa da rota. Qualquer desvio fica registrado para análise. “A gente consegue identificar se foi uma falha na unidade de negócio A, um atraso do conferente, ou se foi na unidade B, um gargalo no carregamento”, explicou Fernando dos Reis Batista, Supervisor de Distribuição. As unidades com melhor desempenho passaram a servir de referência para nivelar as demais. A operação saiu do “parece que está atrasando” para o dado de onde, quando e por quanto tempo.
Por que a frota cresceu sem que a equipe de transportes precisasse crescer junto
Há um resultado da gestão de frota baseada em dados que raramente aparece nos relatórios de retorno sobre investimento: o custo que nunca precisou ser gerado.
Quando a Cooxupé saiu de 94 para 320 veículos, a área de transportes não triplicou de tamanho: a tecnologia absorveu a complexidade adicional. O que antes exigia consolidar planilhas de centenas de motoristas todo mês passou a ser tratado por alertas automáticos, painéis e relatórios que a equipe consome, não produz. As pessoas que estão no time passaram a trabalhar com análise e tomada de decisão.
Deividson Ricciardi Ferreira, Superintendente de Logística e Operações, resumiu o que a parceria representa para a cooperativa: “A Cooxupé está trazendo uma redução de custo e uma melhor utilização dos veículos. O software está ajudando bastante a gerenciar os 320 veículos que temos hoje.” Ele também destacou o modelo de relacionamento com a Cobli: “Tem um pós-venda excelente. Não é aquela empresa que vende o software e os equipamentos e depois deixa a gente tocar por conta própria. Eles estão aqui sempre nos auxiliando.”
Perguntas frequentes sobre gestão de frota em cooperativas
Quais funcionalidades de telemetria são mais relevantes para cooperativas agropecuárias?
Para cooperativas com frotas distribuídas por territórios rurais, as funcionalidades mais críticas são o controle de manutenção preventiva por quilometragem (para evitar perda de garantia em uso severo), a identificação de motorista via RFID (para rastrear responsabilidade em multas e sinistros), o monitoramento de comportamento de condução (para programas de treinamento) e os alertas automáticos de vencimento de CNH. O controle de uso fora do expediente também é relevante em frotas grandes com muitos condutores cadastrados.
Como uma cooperativa com frota grande pode reduzir eventos de velocidade com a telemetria?
O caminho documentado pela Cooxupé combina três etapas: medir a taxa de eventos de risco por quilômetro rodado, criar um ciclo de feedback trimestral com os gestores de área e direcionar programas de treinamento com base nos dados de cada motorista. A queda de 53% para 35% levou cerca de um ano e foi resultado desse processo estruturado. A telemetria fornece os dados, mas a redução acontece nas conversas entre gestores e colaboradores a partir desses dados.
O que acontece com as multas de trânsito quando a frota tem telemetria?
A telemetria resolve dois problemas na gestão de multas. O primeiro é a identificação do condutor: com a localização registrada e o motorista identificado por RFID, o responsável pela infração pode ser apontado com precisão e o auto encaminhado ao órgão competente de forma ágil. O segundo é a contestação de autuações indevidas: quando há suspeita de placa clonada ou erro de registro, os relatórios de localização mostram onde o veículo realmente estava no momento da suposta infração.
Como controlar o uso de veículos fora do horário de expediente em uma frota grande?
A Cobli permite configurar alertas automáticos por e-mail para movimentações fora do horário definido. A Cooxupé recebe, no início de cada dia útil, um relatório com qualquer uso registrado fora do expediente na frota de 320 veículos. A partir desse relatório, a equipe de transportes encaminha a ocorrência ao gestor de área responsável, que verifica se o uso foi autorizado. O processo não depende de relatos verbais e garante que nenhuma movimentação irregular passe despercebida.
Como a manutenção preventiva por telemetria evita perda de garantia?
A plataforma permite cadastrar os planos de revisão de cada veículo com base na quilometragem. Quando o veículo se aproxima do intervalo programado, o sistema sinaliza e a equipe agenda a revisão com a concessionária. O histórico de manutenção registrado na plataforma comprova ao fabricante que todas as revisões foram feitas dentro do prazo. Foi esse registro que permitiu à Cooxupé substituir quatro motores de Saveiro em garantia, sem custo, após uso intenso em estradas de terra.
Gestão de frota em cooperativas ainda é, em grande parte, feita sobre o que sobrou no mês anterior. A Cooxupé saiu desse modelo. O que mudou não foi só a tecnologia, foi o que é possível fazer com a informação que a frota já gerava e que antes ninguém conseguia usar.
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