Sistema de frotas no campo: os critérios que a Cooxupé e a FS usaram para escolher

Sistema de frotas no campo: os critérios que a Cooxupé e a FS usaram para escolher

Um sistema de gestão de frota no campo funciona quando resolve dois problemas que a operação urbana raramente enfrenta: frota dispersa em propriedades rurais extensas, rodando boa parte do trajeto em estrada de terra, e uma mistura de veículo próprio com terceirizado cobrindo várias regiões ao mesmo tempo. É essa combinação, não uma lista genérica de funcionalidades, que separa um sistema pronto para o agronegócio de um sistema pensado só para operação rodoviária asfaltada. Neste conteúdo, você confere os critérios que fizeram essa diferença em dois casos reais de frota agro.

O problema raramente aparece como um alerta abstrato de tecnologia. Ele chega como um evento concreto: um motor gasto antes da hora pelo uso severo em estrada de terra, uma multa que quase não foi contestada por falta de prova de localização do veículo, ou uma expansão de operação para novos estados que a frota não estava preparada para cobrir sem hardware fixo em cada veículo. O risco financeiro por trás disso não é hipotético, mesmo quando o dado disponível não é exclusivo de operação rural: segundo o DNIT e o IPEA (2020), o custo médio de um acidente de trânsito em rodovia federal chega a R$ 51.508,00, quase 06 vezes o custo de um acidente urbano. Rodar boa parte da operação em estrada não pavimentada, com menor supervisão presencial da gestão, expõe a frota agro à mesma lógica de risco elevado, ainda que em outra malha viária.

A seguir, você vai entender os critérios de avaliação que realmente importam e ver como a Cooxupé e a FS resolveram esse problema na prática com a Cobli.

Por que a operação no campo expõe o limite de um sistema de frota genérico

Um sistema pensado para operação urbana/rodoviária expõe seu limite no campo porque ele assume conectividade estável, hardware fixo em cada veículo e supervisão presencial da gestão, três condições que a operação rural raramente oferece. Foi exatamente esse limite que a Cooxupé encontrou. Até 2024, a gestão da frota da cooperativa cafeeira, com sede em Guaxupé, Minas Gerais, dependia de uma planilha física que cada motorista preenchia à mão e entregava ao departamento de transportes só no fim do mês. Com a frota crescendo de cerca de 95 para 320 veículos em pouco tempo, entre picapes e caminhões, esse controle manual não sustentava a operação: revisões programadas por quilometragem se perdiam porque ninguém acompanhava o odômetro em tempo hábil, e o histórico de manutenção ficava disperso em dezenas de papéis.

“Tínhamos 320 veículos e o controle todo feito em Excel. Com essa quantidade de veículos, já não dava mais”, resume Deividson Ricciardi Ferreira, Superintendente de Logística e Operações da Cooxupé.

Esse tipo de lacuna não é peculiaridade de uma cooperativa cafeeira. Ela aparece em qualquer frota que roda fora do eixo urbano-rodoviário asfaltado, com menor densidade de pontos de apoio e menor supervisão presencial da gestão. Um trator ou uma colheitadeira entram na mesma conta: são ativos de frota que rodam em condições que a maioria dos sistemas de gestão de frota nunca foi desenhada para monitorar.

O ponto cego não é a falta de um sistema qualquer, é a falta de um sistema desenhado para essa combinação específica: gestão de frota que funcione onde a conectividade não é constante, onde parte da frota nunca vê um posto de manutenção da cidade, e onde o gestor raramente está no local para confirmar o que de fato aconteceu naquele dia.

Painel mostrando veículos de frota dispersos em propriedades rurais
O painel mostra, num único lugar, onde cada veículo está entre propriedades espalhadas, o que a planilha física nunca conseguiu.

Os critérios que separam um sistema pronto para o campo de um sistema urbano

Antes de comparar fornecedor, vale nomear os critérios que realmente importam para quem faz controle de frota no campo. Um sistema genérico costuma ser avaliado só pelo conjunto de funcionalidades; a pergunta certa é como cada funcionalidade se comporta fora do eixo asfaltado. Os critérios abaixo resumem o que diferencia as duas categorias:

  • Cobertura de sinal instável. O sistema depende de conectividade constante para funcionar, ou consegue captar e armazenar dado enquanto o sinal está indisponível, sincronizando depois?
  • Exigência de hardware fixo. A solução exige instalação física em todo veículo, mesmo para frota terceirizada de curto prazo, ou existe alternativa sem hardware para cobrir veículo que não é da frota própria?
  • Inclusão de terceirizado na mesma visão. É possível enxergar frota própria e frota parceira em um único painel, ou cada uma exige um controle separado?
  • Identificação de motorista com alta rotatividade. Em operação com muitos colaboradores de campo circulando, o sistema identifica quem estava ao volante sem depender de cadastro manual repetido?
  • Dimensionamento de frota orientado a dado. O sistema entrega dado suficiente para decidir se a frota está superdimensionada ou subdimensionada, ou só mostra localização?

Esse último critério tem um benchmark de mercado que vale usar como régua: segundo a McKinsey (“Driving value from fleet telematics”, 2022 a 2023), ajustar o tamanho da frota a partir de dado de telemática pode reduzir a frota entre 15% e 30%, sem perda de capacidade operacional. O número não é uma promessa de resultado igual para toda operação; é uma referência de quanto dado de uso real, quando existe, muda a decisão de quantos veículos a frota de fato precisa.

A tabela abaixo resume como cada critério se comporta num sistema pensado para operação urbana/rodoviária e num sistema pronto para o campo:

Sistema pensado para operação urbana x sistema pronto para o campo
CritérioSistema pensado para operação urbanaSistema pronto para o campo
Cobertura de sinalDepende de conectividade constante para atualizar dadosCapta e armazena dados mesmo com sinal intermitente
Hardware fixoExige instalação física em todo veículo monitoradoOferece alternativa mobile para frota terceirizada
Frota terceirizadaControle separado por transportadorVisão única para frota própria e parceira
IdentificaçãoCadastro manual sujeito a erroIdentificação automatizada via RFID
DimensionamentoMostra apenas a localização do veículoEntrega dados reais de tempo ocioso e rodagem

Cooxupé: de planilha física a 320 veículos monitorados em estrada de terra

A Cooxupé é a maior exportadora de café do Brasil. Reúne 22.000 famílias cooperadas em mais de 350 municípios, e mantém agrônomos e técnicos de campo que visitam propriedades rurais todos os dias, em boa parte sobre estrada de terra. A área de transportes responde por 320 veículos, um volume que a planilha física preenchida à mão simplesmente parou de sustentar quando a frota passou de cerca de 95 para o patamar atual.

Depois de um estudo de mercado, a cooperativa adotou o sistema de gestão de frota da Cobli: hoje, todos os 320 veículos são monitorados pela plataforma, com identificação automática de mais de 900 colaboradores por RFID e alertas automáticos para vencimento de CNH, movimentação fora do horário de expediente e revisão programada por quilometragem. Carlos Eduardo Ruzzi, Gerente de Tecnologia da Informação da Cooxupé, que participou da avaliação técnica antes da implementação, resume o critério que pesou na decisão:

“A plataforma estava preparada para integrar com outros sistemas, e o nível tecnológico deles nos ajudou na questão de rastreabilidade, logs e informações que a gente precisa para ter controle de segurança da informação.”

O resultado apareceu em três frentes. Parte da frota roda intensamente em estrada de terra para atender propriedades rurais, o que desgasta o motor mais rápido do que em condições normais de rodagem; com as revisões agendadas na plataforma a cada 10.000 km, a cooperativa manteve o histórico de manutenção em dia e conseguiu acionar a garantia quando quatro motores apresentaram falha por uso severo. Luciene Fátima da Silva, Analista de Transportes, descreve o resultado:

“Nós não tivemos custo porque estávamos com a garantia em dia, com as revisões em dia. Cada motor custa em torno de R$ 18.500. Foram quatro no total. Dá um montante de R$ 72.000 somente nessas Saveiros.”

Em outro episódio, a cooperativa recebeu uma autuação de trânsito registrada em um estado diferente do local onde o veículo realmente estava; os relatórios de localização da Cobli comprovaram a posição real do veículo diante de uma suspeita de placa clonada, e o órgão competente cancelou a multa.

Na frente de segurança, a taxa de eventos de velocidade por quilômetro rodado caiu de 53%, em abril de 2024, para uma faixa entre 34% e 36% ao fim de 2025. Esse resultado não veio só da instalação do sistema: veio de um ciclo trimestral de acompanhamento, em que os dados chegavam aos gestores de área, alimentavam conversas com os colaboradores e orientavam cursos de direção defensiva para técnicos e agrônomos em campo.

“A Cooxupé está trazendo uma redução de custo e uma melhor utilização dos veículos. O software está ajudando bastante a gerenciar os 320 veículos que temos hoje”, resume Deividson Ricciardi Ferreira.

FS Nutrição Animal: como cobrir frota própria e terceirizada em 15 estados

A FS Nutrição Animal produz e distribui nutrição animal para criadores de bovinos, frangos, suínos e peixes, atendendo mais de 1.000 clientes e produzindo 2 milhões de toneladas por ano. Antes da mudança, provar ao cliente que o caminhão chegou no horário combinado, e que um atraso aconteceu na portaria dele e não na operação da FS, dependia de um dado que a empresa não tinha.

Marcelo Jorge Fernandez, Diretor de Supply Chain da FS, descreve o efeito prático dessa ausência de dado:

“A tecnologia ajuda a gente imediatamente na hora de mostrar: o caminhão está parado já há 2 horas, ou 8 horas, ou 12 horas esperando para se carregar na tua portaria. Isso para o customer service foi uma ferramenta brutal de negociação.”

Junto à Cobli, a FS construiu uma torre de controle customizada para a operação de nutrição animal, hoje com 120 caminhões monitorados e expansão prevista para 150. Para a fração mais dispersa da frota, que opera com contrato mais flexível em mais de 15 estados, a Cobli desenvolveu uma solução via dispositivo mobile instalado no celular do motorista, sem exigir hardware acoplado ao veículo. É essa combinação, hardware fixo onde faz sentido e app mobile onde a frota é mais fluida, que permite à FS monitorar hoje mais de 250 caminhões no total, incluindo veículos de transportadoras parceiras que não são da frota própria.

O ganho apareceu como custo evitado, não como redução direta de gasto. Marcelo Jorge Fernandez resume o cálculo:

“Se ao invés de 20 viagens por mês esse caminhão fizer 22 viagens por mês, nós melhoramos em 10% o nosso custo dessa operação.”

Para uma frota de 120 caminhões, duas viagens adicionais por caminhão representam 240 viagens mensais extras sem precisar ampliar frota nem contratar mais motoristas, um ganho que vem da eliminação de paradas não programadas e da redução do tempo de espera em portaria. O mesmo dado que sustenta esse ganho operacional também mudou a conversa com o cliente:

“No passado, a gente conseguia medir somente a data de carregamento na planta. Hoje, com o monitoramento, eu consigo afirmar a data que cheguei de fato no cliente”, explica Daiana Meriz, Gerente Executiva de Customer Service da FS.

Como a Cobli responde a cada critério: hardware, identificação e conectividade

Os dois casos anteriores mostram como cada critério se resolve na prática, mas vale explicitar o que sustenta cada resposta do lado do produto. Para identificação de motorista em operação com alta rotatividade de colaboradores de campo, como a Cooxupé demonstra com seus mais de 900 colaboradores cadastrados, o RFID funciona como um chaveiro que identifica automaticamente quem está ao volante, sem depender de senha ou cadastro repetido a cada viagem.

Para rota longa em propriedade rural, com menor supervisão presencial da gestão, o produto âncora recomendado para o segmento é a Cobli Cam Fadiga: o sistema detecta sinais de fadiga do motorista, como bocejo e olhos fechados, e aciona o alerta sonoro em cabine para mudança de comportamento imediata, sem depender de alguém observando o trajeto em tempo hábil.

Já a pergunta sobre conectividade instável tem uma resposta técnica, não uma promessa numérica. A telemetria avançada da Cobli se conecta à Rede CAN, o barramento eletrônico que já existe dentro do veículo e troca dados entre os componentes do motor, e capta velocidade e odômetro diretamente da ECU (a central eletrônica que controla o motor), em vez de depender só do GPS para essas métricas. Isso significa que, para indicadores como velocidade e quilometragem rodada, o dado continua preciso mesmo quando o sinal de satélite está instável. Qualquer avaliação de fornecedor que use esse critério deve perguntar especificamente qual dado depende de GPS e qual não depende, em vez de aceitar a promessa genérica de “funciona em qualquer lugar”.

Perguntas frequentes sobre sistema de gestão de frota no campo

Um sistema de gestão de frota funciona sem sinal de internet ou GPS constante?

Depende do dado. Velocidade e odômetro, quando captados pela telemetria avançada conectada à Rede CAN, vêm da ECU do veículo e não dependem do sinal de GPS. Localização geográfica, por outro lado, depende do GPS por natureza. A recomendação é perguntar ao fornecedor, de forma específica, qual indicador depende de conectividade e qual não depende, em vez de aceitar a promessa genérica.

É possível monitorar frota terceirizada ou de transportadora parceira, que não é da própria empresa?

Sim. A FS Nutrição Animal monitora hoje mais de 250 caminhões, incluindo veículos de transportadoras parceiras que operam exclusivamente para a empresa, usando uma solução via dispositivo mobile instalada no celular do motorista, sem exigir hardware acoplado ao veículo. Essa é a resposta indicada quando a frota terceirizada muda com frequência ou cobre uma área grande demais para justificar hardware fixo em cada veículo.

O sistema aguenta o desgaste de rodar em estrada de terra todos os dias?

O sistema em si não reduz o desgaste mecânico, mas garante o histórico de manutenção que evita perder a garantia por causa dele. Na Cooxupé, o registro de quilometragem e o agendamento automático de revisão a cada 10.000 km permitiram acionar a garantia de quatro motores que falharam por uso severo em estrada de terra, uma economia de R$ 72.000 que só foi possível porque o histórico de revisão estava documentado na plataforma, não em papel disperso.

Quanto tempo leva para ver resultado depois de implementar um sistema de gestão de frota no campo?

Não é imediato quando o resultado depende de mudança de comportamento, não só de instalação. Na Cooxupé, a queda na taxa de eventos de velocidade, de 53% para a faixa de 34% a 36%, levou cerca de um ano e dependeu de um ciclo trimestral de acompanhamento entre gestores e colaboradores a partir do dado gerado pela plataforma. Já resultado de rastreabilidade, como comprovar localização para cancelar uma multa indevida, aparece assim que o sistema está ativo.

Vale a pena para uma frota pequena, ou o sistema é só para operações grandes como a Cooxupé e a FS?

Não há um porte mínimo fixo, mas a relação entre custo e benefício cresce com a complexidade e o volume da operação: frota dedicada, múltiplos clientes ou propriedades e alto volume de deslocamento mensal são o perfil que mais se beneficia, porque tem mais variável para controlar e mais impacto quando o controle falha.

Qual o próximo passo para avaliar o sistema certo pra sua operação

Os critérios que separam um sistema pronto para o campo de um sistema urbano não são abstratos: cobertura de sinal, hardware, inclusão de terceirizado, identificação de motorista e dimensionamento por dado. A Cooxupé e a FS mostram como cada critério se resolve na prática, com resultado auditável em vez de promessa técnica genérica. Essa é a régua real para avaliar gestão de frota no agronegócio: menos lista de funcionalidade, mais pergunta sobre o que aconteceu quando alguém parecido com você já escolheu. Antes de comparar fornecedor, vale medir onde a sua própria operação está hoje.

Faça o diagnóstico gratuito da sua frota e veja se ela está pronta pra operação real no campo.

Fernanda Friedrich

Escrito por

Fernanda Friedrich

Fernanda Friedrich lidera a estratégia de conteúdo da Cobli há 5 anos. É bacharel em Produção Publicitária pela Unigran, com passagem pela graduação em Letras Português na UFSC e pela pós-graduação em Gestão da Experiência do Consumidor na ESPM. Ao longo desses 5 anos, analisou dados de busca para identificar as principais dores de gestores e motoristas de frota, o que orienta a forma como traduz desafios reais de operação em conteúdo educativo e aplicável.

Fale com nossos especialistas!

Estamos disponíveis para tirar dúvidas e demonstrar o sistema de rastreamento e monitoramento de frotas da Cobli em ação.

Teste grátis