Torre de controle no agro: como a FS ganhou previsibilidade de entrega

Torre de controle no agro: como a FS ganhou previsibilidade de entrega

Provar para o cliente que o caminhão chegou na hora certa, e que o atraso foi na portaria dele e não na sua operação, exige um dado que a maioria das empresas do agronegócio simplesmente não tem. A FS Nutrição Animal tinha esse problema, mas, hoje, não tem mais. Com uma torre de controle construída junto à Cobli, a empresa rastreia mais de 250 caminhões, mede o tempo de entrega por trecho e leva comprovação de pontualidade para a mesa de negociação com mais de 1.000 clientes.

O que mudou não foi só a tecnologia, mas sim o que é possível fazer com a informação, e quem controla a narrativa quando algo dá errado.

Neste conteúdo, você vai entender como a FS estruturou essa operação, quais resultados ela gerou e o que gestores de frota no agronegócio podem aprender com essa experiência.

Quando você não tem a informação, a culpa sempre é sua

Produzir e entregar nutrição animal para criadores de bovinos, frangos, suínos e peixes não é uma tarefa fácil. Quando o caminhão não chega no horário combinado, o produtor para o que está fazendo e liga para o setor responsável, mas quem atende precisa de uma resposta imediata.

Por muito tempo, a FS não tinha essa resposta com precisão.

O que acontece quando o cliente liga e você não sabe onde está o caminhão

A cena é conhecida por qualquer gestor de logística que trabalha com frota terceirizada: o cliente descreve um problema, você liga para o transportador, ele fala com o motorista, e a informação chega incompleta ou não chega.

Sem visibilidade, a empresa fica refém da versão de quem tem acesso à informação. E quando ela finalmente aparece, já passou o momento de agir.

A FS atendia mais de 1.000 clientes e produzia 2 milhões de toneladas de nutrição animal por ano. A logística era complexa, com caminhões de tamanhos diferentes para criadores com estruturas diferentes, em estados diferentes, com janelas de entrega diferentes. Coordenar tudo isso sem enxergar o que acontecia entre a saída e a chegada na portaria do cliente era um risco operacional e comercial.

A concentração de pedidos em períodos específicos do ano pressiona a infraestrutura de transporte rodoviário no agronegócio, gerando filas e atrasos que afetam diretamente o planejamento do produtor. Para quem fornece insumo crítico à cadeia, como a FS, essa pressão se traduz na exigência de pontualidade que a empresa não conseguia comprovar com os dados que tinha.

Dois produtores no campo analisando dados em um notebook na plantação. Representa a gestão tecnológica e a previsibilidade de entrega no agronegócio.
Conectando a torre de controle logística agronegócio ao monitoramento de frota nutrição animal, alcançamos um alto índice de OTD logística agroindustrial e máxima previsibilidade de entrega no agronegócio.

Por que a disputa de versão com o transportador é o sintoma, não o problema

O problema de fato está na falta de informação estruturada, não na má-fé do transportador. Quando o caminhão passa horas parado na portaria esperando para descarregar, e esse tempo não aparece registrado em lugar nenhum, ele entra na conta como “atraso da FS”, mesmo que a empresa não tenha tido nenhuma participação no gargalo.

Marcelo Jorge Fernandez, Diretor de Supply Chain da FS, descreve o impacto direto dessa ausência no relacionamento comercial:

“A tecnologia ajuda a gente imediatamente na hora de mostrar: o caminhão está parado já há 2 horas, ou 8 horas, ou 12 horas esperando para se carregar na tua portaria. Isso para o customer service foi uma ferramenta brutal de negociação.”

Sem esse dado, o time de customer service apagava incêndio. Com ele, passou a atender com evidência.

O que é uma torre de controle de frota e o que ela mostra

Uma torre de controle de frota é um centro de monitoramento logístico que consolida dados de rastreamento, comportamento de motoristas e indicadores operacionais em painéis visuais que permitem tomada de decisão rápida. Vai além da localização: é uma camada analítica sobre a operação inteira.

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O que os painéis mostram por caminhão

A localização é o dado mais básico, mas o que diferencia uma torre de controle de um rastreador convencional é a granularidade do que ela monitora por caminhão e por viagem. Os painéis entregam informações como estas:

  • Tempo de parada por local, com identificação de paradas não previstas em rota;
  • Lead time real por trecho, da saída da planta até a chegada na portaria do cliente;
  • Consumo de combustível comparado entre motoristas e entre transportadoras;
  • Comportamento de condução, incluindo aceleração, frenagem, trocas de marcha e motor ocioso.

Cada um desses dados é um indicador de custo. E como Marcelo resume: “Aquilo que não é medido não é gerido. Se eu não faço a gestão, eu não consigo ter performance.”

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O que muda quando a telemetria se integra aos sistemas internos da operação

A torre de controle da FS não funciona só com dados de rastreamento, ela conecta a telemetria dos caminhões com os sistemas internos da empresa, vinculando as informações do transporte às informações do pedido, do carregamento e do cliente.

Marcelo chama isso de abrir a “caixa preta” da logística:

“A gente abre a caixa preta, a logística, sempre um negócio muito fechado. Os painéis que a gente construiu junto com a Cobli: para ter a melhor gestão de custo, ter a melhor gestão de nível de serviço e ter o controle maior para o comercial nas negociações.”

Sem essa integração, a torre entrega localização. Com ela, entrega o contexto de cada entrega: a qual pedido o caminhão está vinculado, qual cliente aguarda e se o prazo ainda será cumprido.

Como a FS estruturou sua torre de controle de frota no Mato Grosso

A Torre de Nutrição foi a primeira torre implementada pela FS. O projeto nasceu de uma necessidade específica de ter visibilidade própria sobre os caminhões dedicados à operação de nutrição animal, sem depender da informação do transportador.

120 caminhões rastreados, 02 frotas dedicadas por produto

A operação de nutrição da FS conta com 02 frentes de produto distintas, cada uma com demandas logísticas diferentes. A torre monitora essas frotas separadamente por produto.

Hoje, 120 caminhões passam pela torre de controle da nutrição, com expansão prevista para 150. O número inclui caminhões de transportadoras parceiras que operam exclusivamente para a FS, o que significa que a empresa tem visibilidade sobre frotas que não são suas mas impactam diretamente o nível de serviço entregue ao cliente.

Confira o case completo e veja como a Cobli ajudou a FS a alcançar ótimos resultados para a operação:

Painéis construídos com a Cobli para a necessidade específica da FS

A Cobli forneceu o hardware e desenvolveu os painéis de forma customizada para a operação da FS. A curva de aprendizado foi acelerada justamente por esse desenvolvimento conjunto, em que, em vez de adaptar uma ferramenta genérica, a FS passou a usar painéis construídos para os seus indicadores, seus processos e seus clientes.

Essa customização é o que permite à FS levar dados precisos para reuniões de nível de serviço com clientes. Não estimativas baseadas em trânsito calculado, mas datas e horários reais de chegada comprovados pelo sistema.

Como Daiana Meriz, Gerente Executiva de Customer Service, descreve:

“No passado, a gente conseguia medir somente a data de carregamento na planta. Hoje, com o monitoramento, eu consigo afirmar a data que cheguei de fato no cliente.”

Da nutrição para toda a operação: mais de 250 caminhões monitorados hoje

A operação não parou na nutrição. Hoje, a FS monitora mais de 250 caminhões no total, incluindo frotas que trabalham com produtos de alta proteína em mais de 15 estados. Para essa frota mais dispersa, que opera em rotas mais longas e com caminhões de contrato mais flexível, a Cobli desenvolveu uma solução via dispositivo mobile, instalada no celular do motorista. Isso amplia a cobertura sem exigir hardware acoplado no veículo.

O que a torre entregou para o negócio, em números e em cultura

O impacto de uma torre de controle não aparece só na redução direta de custo. Parte do retorno está no que Marcelo chama de cost avoidance: o custo que nunca precisou ser gerado.

Marcelo descreve o raciocínio com precisão:

“Se ao invés de 20 viagens por mês esse caminhão fizer 22 viagens por mês, nós melhoramos em 10% o nosso custo dessa operação.”

Para uma frota de 120 caminhões, 02 viagens adicionais por caminhão representam 240 viagens mensais extras, sem precisar ampliar a frota ou contratar mais motoristas. O ganho vem da eliminação de paradas não programadas, da redução do tempo de espera em portaria e do monitoramento do comportamento de condução, que afeta diretamente o tempo de cada viagem.

Leia também: Produtividade operacional: o que é e como melhorá-la

Ou seja, a FS expandiu o volume de negócios sem precisar aumentar o time operacional de logística. A tecnologia absorveu a complexidade adicional, e as pessoas que estão no time passaram a trabalhar com análise e tomada de decisão, não com controle manual da operação.

Esse é o custo evitado que raramente aparece no relatório de retorno sob investimento porque nunca chegou a acontecer. Mas existe e é o analista que não precisou ser contratado, o supervisor que não precisou ser multiplicado.

Caminhão vermelho trafegando por estrada em meio a uma grande plantação verde. Ilustra o rastreamento de caminhões no agronegócio.
Com um rastreamento de caminhões no agronegócio eficiente, a gestão de frota agronegócio garante total previsibilidade de entrega no agronegócio.

O que o customer service ganhou e o que o cliente final percebeu

O impacto da torre não ficou restrito à logística. O customer service foi uma das áreas que mais sentiu a mudança, e os clientes perceberam.

A FS atende produtores que dependem da entrega pontual para manter a rotina de alimentação dos animais. Um atraso não é só inconveniente: pode significar animais sem trato, perda de peso e impacto direto na produção. O nível de serviço é o critério pelo qual o cliente mede a FS, e o cliente cobra com data e hora.

Daiana Meriz resume o que mudou:

“Com a implantação da torre de monitoramento na FS, a gente ganhou muito mais previsibilidade e controle das nossas entregas, o que nos possibilita dar respostas muito mais rápidas para os nossos clientes. A previsibilidade que a torre nos traz também nos ajuda a tratar os problemas antecipadamente.”

Antes, o customer service calculava o prazo com base na data de saída da planta e no tempo de percurso estimado. Se algo acontecia no meio do caminho, uma parada não prevista ou um atraso na portaria do cliente, a informação se perdia. A área sabia que havia um problema, mas não sabia onde estava nem qual era a dimensão dele.

Hoje, quando a FS vai a uma reunião de nível de serviço, leva dados reais, rastreados e comprovados. O tempo de entrega passou de estimativa para indicador verificável. E como Daiana reforça: “O nível de serviço dentro da nutrição animal é um pilar super estratégico para a gente expandir os nossos negócios.”

Sustentabilidade como consequência: eficiência de frota reduz emissões

Há um efeito da eficiência logística que costuma ser tratado como pauta separada, mas na prática é consequência direta do que a torre já entrega, a redução de emissões.

Quando uma frota aumenta o número de viagens por caminhão sem aumentar o número de veículos, menos caminhões precisam rodar para atender o mesmo volume. Menos veículos rodando significa menos combustível consumido e menos CO₂ emitido, não como objetivo isolado, mas como resultado natural de uma operação mais eficiente.

Para empresas do agronegócio que precisam demonstrar progresso em agenda ESG, seja para clientes industriais, para financiadores ou para mercados externos, essa conexão entre eficiência operacional e sustentabilidade é mensurável e relevante.

Perguntas frequentes sobre torre de controle de frota no agronegócio

O que é uma torre de controle de frota e como ela funciona na prática?

Uma torre de controle de frota é um centro de monitoramento logístico que consolida dados de rastreamento, comportamento de motoristas e KPIs operacionais em painéis configurados para a operação de cada empresa. Na prática, ela permite que o gestor veja, num único painel, onde cada caminhão está, há quanto tempo parou, quanto tempo levou em cada trecho, como o motorista está conduzindo e se o caminhão chegou ao cliente no prazo acordado.
O diferencial em relação a um sistema de rastreamento básico é a camada analítica. Quando a torre está integrada aos sistemas internos da empresa, como ERP ou sistemas de pedido, ela conecta os dados do transporte às informações do cliente e do produto, gerando uma visão completa da cadeia.

Qualquer operação do agronegócio pode montar uma torre de controle, ou existe um porte mínimo de frota?

Não há um porte mínimo fixo, mas a relação custo-benefício cresce com a complexidade e o volume da operação. Empresas com frotas dedicadas, múltiplos clientes e alto volume de entregas mensais, como distribuidoras de insumos, cooperativas e agroindústrias, são as que mais se beneficiam, porque têm mais variáveis para controlar e mais impacto quando o controle falha.
Para operações menores, o rastreamento com telemetria avançada já entrega boa parte dos dados necessários sem a estrutura de uma torre completa. A recomendação é começar pelos indicadores que mais afetam o nível de serviço da operação e expandir a partir daí.

Como a telemetria da frota se integra com os sistemas internos de uma empresa agroindustrial?

A integração conecta os dados de rastreamento e comportamento do caminhão, gerados pelo hardware embarcado, com os dados internos da empresa, como pedidos, datas de carregamento e registros de clientes. Na prática, isso permite que o painel da torre mostre não apenas onde o caminhão está, mas a qual pedido aquela viagem corresponde, qual cliente aguarda e se o prazo ainda será cumprido.
O nível de integração depende da arquitetura de sistemas de cada empresa. No caso da FS, os painéis foram desenvolvidos de forma customizada junto à Cobli para atender os indicadores específicos da operação, o que acelerou a adoção e gerou resultados mais rápidos.

Como a visibilidade de frota transforma o OTD em dado comprovável para apresentar ao cliente?

O OTD (On-Time Delivery) mede o percentual de entregas realizadas no prazo acordado. Sem visibilidade de frota, esse dado depende de registros manuais ou de informações do transportador, sujeitos a erro, omissão ou distorção.
Com a torre, o horário de chegada ao cliente é registrado automaticamente pelo sistema, com data e hora precisas. Numa reunião de nível de serviço, a empresa pode apresentar o OTD comprovado, não calculado, e identificar com exatidão em que parte da cadeia cada desvio ocorreu: na saída da planta, no percurso, na portaria do cliente ou na descarga.

O que é cost avoidance em logística e por que ele é mais difícil de enxergar do que a redução direta de custo?

Cost avoidance é o custo que a empresa não precisou incorrer porque a tecnologia ou o processo evitou que ele fosse gerado. É diferente de redução de custo, onde você tem um valor anterior e um valor posterior para comparar, porque o custo evitado nunca apareceu no orçamento.
No caso da FS, um exemplo concreto é o crescimento da operação sem necessidade de ampliar o time operacional de logística. A empresa expandiu volume e complexidade sem contratar mais analistas para controlar manualmente o que a torre passou a controlar de forma estruturada. Esse custo de headcount nunca apareceu no P&L, mas teria aparecido sem a tecnologia.
A FS construiu sua torre de controle porque precisava de um dado que o transportador não conseguia dar: a prova do que aconteceu, trecho a trecho, do carregamento até a portaria do cliente. O que começou como necessidade operacional virou vantagem competitiva, no nível de serviço entregue, na negociação com clientes e na capacidade de crescer sem crescer proporcionalmente em custo fixo.
Gestão de frota no agronegócio ainda é, em grande parte, baseada em confiança e estimativa. Quem mede com precisão sai na frente.

Veja como a Cobli pode construir com você a visibilidade que a FS tem hoje. Fale com um especialista e descubra o que sua operação está deixando de medir.

Amanda Romualdo

Escrito por

Amanda Romualdo

Analista de Conteúdo na Cobli, Amanda Romualdo utiliza sua formação em Psicologia para estruturar a jornada de conhecimento de milhares de profissionais de logística. Com foco em pesquisa de mercado e tendências, ela é a voz por trás dos principais guias, materiais ricos e newsletters da marca. Sua expertise garante o alinhamento entre as inovações tecnológicas e as necessidades humanas no gerenciamento de frotas, fortalecendo a presença digital e a geração de valor da Cobli.

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