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Não é novidade que a tecnologia está transformando a logística e os transportes: quando foi a última vez que você conferiu um endereço num guia de papel? Ou pediu um táxi levantando a mão na rua? Há muito mais vindo aí: é o caso do blockchain, uma tendência que pode tornar o transporte de cargas mais seguro, transparente e até mais barato.

O que é o blockchain e como ele funciona?

É difícil falar do blockchain sem falar para que ele foi inventado: o sistema nasceu para validar as transações feitas com moedas digitais, como o bitcoin. Calma: a gente explica.

Pense no dinheiro que você usa todos os dias: aquele pedaço de papel azul só vale R$ 2 porque uma autoridade central – como o Banco Central do Brasil – disse isso.

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No caso do bitcoin, quem dá validade ao dinheiro não é uma instituição, mas sim uma rede descentralizada: cada transação (como uma transferência de bitcoins) é validada por uma série de milhares de computadores na internet. Em troca do processamento, cada computador recebe uma pequena fração de um bitcoin – é a “mineração de bitcoins”.

Ao ser realizada, cada transação recebe uma marca e entra numa cadeia que guarda todo o histórico de movimentações – daí o nome blockchain (“cadeia de blocos”, em inglês). É o poder de confiança numa rede – se um computador sai, o sistema continua funcionando igualmente.

Por que isso é útil?

A principal vantagem é a segurança: para que o sistema aprove uma transação ilegal, é preciso que milhares desses computadores sejam hackeados ao mesmo tempo, o que é praticamente impossível. Além disso, para alterar uma transação antiga, é preciso modificar todas as que vieram depois dela – uma vez que todas estão presentes na cadeia.

É por conta dessa natureza “antifraude” que o blockchain tem sido cada vez mais usado. Além de informações de dinheiro, o sistema pode armazenar qualquer tipo de documento.

Como o blockchain pode ser aplicado na logística?

Hoje, toda vez que uma carga é transportada, uma grande quantidade de documentos tem de ser preenchida. Com o blockchain, é possível que cada etapa da viagem seja registrada – até mesmo uma parada para reabastecer combustível. Como a rede do blockchain é pública, qualquer pessoa pode conferir as informações – que não podem ser alteradas depois que foram registradas. Ou seja, nada de fraude ou “jeitinho”!

É algo importante para o transporte de produtos delicados, como alimentos perecíveis ou medicação – já pensou poder saber quando aquele tomate que você compra no mercado foi colhido do pé e quantos dias ele demorou para chegar até a prateleira?

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Lá fora, empresas como Walmart, IBM e até cervejarias artesanais já usam o blockchain dessa forma. Além da segurança, também pode servir para melhorar a imagem da empresa – afinal, se adota blockchain, é porque não tem medo de ser transparente com os usuários.

Mas não é só para o consumidor final que o blockchain serve: toda a cadeia logística pode conferir esses dados e, conseguir, por exemplo, definir prioridades no transporte, tornando-se assim mais eficiente.

Outra possibilidade é que, com o blockchain, o transporte de uma carga, via caminhão, poderia ser compartilhado por várias empresas de forma justa – uma vez que todas teriam o mesmo nível de informação sobre quilometragem, frete, manutenção e até eventuais incidentes.

Até mesmo os dados dos caminhões – como manutenção e acidentes – podem ser armazenados em blockchain, o que seria útil para chegar a um preço mais justo ao vender um veículo usado, por exemplo. Mas vale lembrar: não adianta nada ter uma tecnologia que seja transparente sem estar disposto a praticar isso no dia a dia.

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