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Foi anunciado, na última segunda-feira (11), o fechamento da Ford no Brasil. A montadora, que produziu veículos no país por mais de 100 anos, irá encerrar suas atividades definitivamente. A empresa já havia fechado a planta de São Bernardo do Campo em 2019.

A decisão atual encerra as atividades das fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP) imediatamente. A de Horizonte (CE), destinada a produção de jipes da Troller, será fechada no último trimestre de 2021.

Ao todo, a Ford possui 6.171 funcionários no Brasil, cerca de 280 concessionários e fechou 2020 como a quinta montadora que mais vendeu carros, com 7,14% do mercado nacional.

“Estamos mudando para um modelo de negócios ágil e enxuto ao encerrar a produção no Brasil. Vamos também acelerar a disponibilidade dos benefícios trazidos pela conectividade, eletrificação e tecnologias autônomas suprindo, de forma eficaz, a necessidade de veículos ambientalmente mais eficientes e seguros no futuro.” disse Jim Farley, presidente e CEO da Ford, em trecho de nota divulgada pela IstoÉ Dinheiro .

Siga na leitura e entenda melhor o que levou a montadora a deixar o Brasil.

A Ford está saindo do país definitivamente?

A fábrica sai, os veículos ficam. Isso significa que mesmo com o fechamento da Ford no Brasil os carros da montadora continuarão sendo vendidos por aqui.

A operação de vendas e assistência técnica no país seguirá normalmente. A Ford afirmou que focará em produtos importados (com modelos vindos principalmente da Argentina e do Uguruai) e que todos os clientes seguirão com assistência de manutenção e garantia.

Também serão mantidos o campo de provas e da sede administrativa para a América do Sul, ambos no estado de São Paulo, e o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia.

O que acontece com quem tem carro da Ford?

Ao menos por enquanto, tudo segue normal.

Em um comunicado obtido pela TV Globo enviado às concessionárias, a montadora afirmou que, apesar do fechamento da Ford no Brasil, ela manterá vendas, serviços, peças de reposição e garantia para seus clientes no Brasil.

Como isso afeta a compra de carros 0 km?

Segundo o portal G1, a montadora enviou uma carta aos revendedores, com orientações sobre as compras de carros 0 kms que aconteceram há pouco tempo. Segundo o documento, o cliente que deu sinal em um veículo assim pode solicitar o cancelamento do negócio, caso desista por conta do fechamento das fábricas.

Nesses casos, a Ford disse que a concessionária deve seguir a regulamentação prevista no Código de Defesa do Consumidor.

Quais carros da Ford saem de linha?

Com o fechamento da Ford no Brasil, saem de linha o EcoSport, o Ka e o Troller T4. As unidades disponíveis serão vendidas até que o estoque das lojas se esgote.

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Quais carros serão vendidos no Brasil?

Os modelos vendidos no Brasil passarão a vir, principalmente, das fábricas da Argentina e do Uruguai. Com isso, segundo comunicado da Ford, serão vendidos no Brasil os novos Transit, Ranger, Bronco e Mustang Mach1.

Vale lembrar que a empresa está focando cada vez mais na produção e venda de SUVs, picapes e utilitários. Siga na leitura e entenda essa mudança de estratégia.

Cinco motivos para o fechamento da Ford no Brasil

O UOL teve acesso aos documentos enviados à imprensa e listou uma série de motivos relatados pela montadora para a saída do país. Confira o compilado:

1. Reestruturação global

O fechamento da Ford no Brasil não é um caso isolado.

Como já contamos aqui no blog da Cobli quando a empresa decidiu fechar as portas da planta de São Bernardo do Campo, esse movimento faz parte de um processo de reestruturação global da empresa para reduzir custos e aumentar lucratividade.

Enquanto outras empresas automotivas ao redor do mundo têm buscado as mesmas mudanças por meio de fusões — como é o caso da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) e PSA (Peugeot Société Anonyme), que acaba de anunciar uma união para fundar a Stellantis — a Ford decidiu ir por outro caminho e fechar fábricas em diferentes países, incluindo Brasil e Estados Unidos.

Além disso, a montadora também passou a focar em SUVs, picapes e utilitários. Nos EUA, aliás, ela já deixou de oferecer carros de passeio (exceto o Mustang).

2. Alta do dólar

Com a flutuação do dólar no país, o câmbio tem se tornado cada vez mais desfavorável em relação ao real. Isso afeta profundamente a produção nacional.

No Brasil, mesmos insumos como o aço (essencial para a fabricação de carros) são cotados em dólar. Além disso, cerca de 40% dos componentes dos automóveis produzidos localmente são importados.

Por isso, o custo de produção sobe absurdamente. E o lucro, claro, cai.

3. Carros elétricos

A Ford enfatizou para a imprensa que sua produção está se virando para a conectividade e os carros elétricos. Caminho que deverá ser seguido por outras grandes montadoras futuramente.

O investimento desse tipo de tecnologia nas fábricas brasileiras custaria muito caro, assim como o da fabricação de SUVs e picapes. Ainda segundo o UOL, a montadora esclareceu que passará a oferecer produtos com “maior valor agregado”, em vez dos compactos.

O cenário dos carros elétricos, atualmente, é liderado por marcas como a novata Tesla, de Elon Musk, e a General Motors.

A Ford está tentando acompanhar a revolução do setor. A revista Exame afirma em reportagem que o discurso da montadora vem trazendo propostas de eletrificação do portfólio.

Com isso, destacam-se o Mustang 100% elétrico e os planos para lançar a versão zero emissões da F-150, picape mais vendida do mundo.

4. Pandemia

Nem a Ford conseguiu enfrentar a pandemia de coronavírus tranquilamente. Segundo o jornal El País, no ano passado, as vendas de carros no Brasil recuaram 26% e isso afetou a montadora americana.

No comunicado divulgado à imprensa, a empresa reforça que os impactos econômicos causados pela Covid-19 também foram decisivos para o fechamento da Ford no Brasil:

“Além de reduzir custos em todos os aspectos do negócio (…), introduzimos serviços inovadores para nossos clientes. Esses esforços melhoraram os resultados nos últimos quatro trimestres, entretanto a continuidade do ambiente econômico desfavorável e a pressão adicional causada pela pandemia deixaram claro que era necessário muito mais para criar um futuro sustentável e lucrativo”, disse Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul.

De acordo com o jornal O Globo, em 2020, a Ford vendeu 119.454 automóveis no Brasil. O resultado representou uma queda de 39,2% na comparação com o ano anterior.

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5. Custo Brasil

Em nota enviada ao UOL Carros, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) afirma que as taxas tributárias altas e complexas e os também elevados custos logísticos no Brasil foram pontos chaves para a decisão da Ford.

A fábrica decidiu apostar na produção de veículos em países como a China, onde já produz o SUV Territory.

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Monitoramento de frota - Fechamento da Ford no Brasil: entenda o que aconteceu
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