Como reduzir custos logísticos? Saiba por onde começar

Como reduzir custos logísticos? Saiba por onde começar

A redução de custos logísticos é um conjunto de estratégias e práticas que visam otimizar os processos da cadeia de suprimentos, diminuindo os gastos e aumentando a eficiência das operações. Para os Diretores de Operações e gestores, o grande desafio é manter a produtividade da frota e a qualidade das entregas sem comprometer a saúde financeira do negócio.

“Otimizar o custo logístico” costuma virar uma lista única de ações aplicada a todas as categorias com a mesma régua: cortar X%, renegociar Y, revisar Z. O problema é que nem toda categoria de custo logístico responde no mesmo prazo: combustível, manutenção, sinistro e depreciação têm dado por veículo disponível hoje, e mudam de patamar em semanas, enquanto armazenagem, estoque e tributos dependem de negociação ou de decisão estrutural, e mudam em meses. Tratar as duas coisas com a mesma expectativa de prazo é o motivo mais comum de uma iniciativa de otimização perder força antes de mostrar resultado.

O que é e como criar uma estratégia para reduzir os custos?

Custo logístico é a soma de tudo que move e guarda mercadoria: transporte, combustível, manutenção, sinistro e seguro, depreciação, ociosidade da frota, armazenagem, estoque, embalagem e tributos. Cada uma dessas categorias reage a um mecanismo diferente de ajuste.

Algumas têm dado por veículo disponível todos os dias: quanto cada veículo consome, quanto cada manutenção custou, quantos eventos de risco ocorreram. Esse dado permite ajuste rápido, sem depender de aprovação externa. Outras dependem de negociação com fornecedor, revisão de contrato, mudança de layout ou decisão fiscal, processos que não aceleram só porque a operação precisa de resultado mais rápido.

Separar as categorias por esse critério, e não por tema, é o que permite montar uma sequência de ataque que gera resultado visível cedo, em vez de distribuir esforço igual entre frentes que respondem em ritmos completamente diferentes.

Quais são os custos logísticos que os gestores devem levar em consideração?

Os custos logísticos englobam todos os gastos incorridos na movimentação e armazenamento de produtos, desde a aquisição da matéria-prima até a entrega final ao cliente.

São considerados investimentos essenciais para o bom funcionamento da cadeia de suprimentos, mas também podem representar um impacto nos custos totais da empresa.

No geral, os principais custos logísticos são:

Transporte e frota

  • Frete: pagamento pelo transporte dos produtos, seja por meio rodoviário, ferroviário, marítimo ou aéreo;
  • Combustível: despesas com a compra de combustíveis para os veículos da frota;
  • Manutenção: custos com reparos, revisões e peças de reposição dos veículos;
  • Pedágios: tarifas cobradas para utilização de rodovias;
  • Seguro de carga: proteção contra perdas e danos aos produtos durante o transporte;
  • Mão de obra: salários e encargos dos motoristas, ajudantes e equipe de logística.

Armazenagem

  • Aluguel do armazém: pagamento do aluguel do espaço físico para armazenar os produtos;
  • Condomínio: taxas de condomínio do armazém;
  • Impostos: IPTU, ICMS e outros impostos incidentes sobre o armazém;
  • Energia: consumo de energia elétrica para refrigeração, iluminação e outros fins;
  • Segurança: custos com vigilância, alarmes e sistemas de segurança;
  • Manutenção do armazém: reparos e conservação do espaço físico;
  • Tecnologia: Investimento em sistemas de gestão de estoque (WMS) e outras ferramentas para otimizar a armazenagem.

Estoque

  • Capital de giro: custo do investimento em estoque, considerando o valor dos produtos armazenados ;
  • Manuseio: custos com a movimentação dos produtos no armazém;
  • Seguro do estoque: proteção contra perdas e danos aos produtos armazenados;
  • Obsolescência: perdas com produtos que se tornam desatualizados ou perdem valor de mercado;
  • Avarias: perdas com produtos danificados durante o armazenamento ou manuseio.

Embalagem

  • Materiais de embalagem: despesa com caixas, paletes, filme stretch, etiquetas e outros itens utilizados para embalar os produtos;
  • Mão de obra: custos com o trabalho manual na embalagem dos produtos;
  • Logística reversa: despesas com a coleta, reutilização ou descarte correto das embalagens.

Outras despesas

Consultoria e assessoria: despesas com serviços especializados em logística para otimizar os processos.

Impostos e taxas: despesas com ICMS, IPI, PIS, COFINS, CSLL, IRPJ e outras taxas relacionadas à atividade logística;

Juros: custos com financiamentos e empréstimos tomados para custear as operações logísticas;

Homem gestor de frota utilizando tecnologia para reduzir custos de logística na sua empresa.
Com a análise de indicadores a redução de custos logísticos é feita corretamente.

As categorias de custo logístico, e o mecanismo que cada uma responde

A tabela abaixo organiza as 10 categorias clássicas de custo logístico pelo mecanismo de ajuste disponível hoje, não pelo tamanho do orçamento que cada uma consome.

Categorias de custo: mecanismo de ajuste e velocidade de alavancagem
Categoria de custoMecanismo de ajuste disponívelVelocidade de alavancagem
CombustívelDado por veículo (consumo, rota)Rápida
ManutençãoDado por veículo (preventiva vs. corretiva)Rápida
Sinistros e seguroDado por veículo (eventos de risco, apólice)Rápida
DepreciaçãoDado por veículo (histórico de manutenção documentado)Rápida
OciosidadeDado por veículo (tempo parado, custo fixo sem receita)Rápida
Transporte e frete com terceiroNegociação de contratoLenta
ArmazenagemNegociação de contrato ou mudança de layoutLenta
EstoqueRevisão de política de estoqueLenta
EmbalagemNegociação com fornecedorLenta
TributosDecisão fiscalLenta

Por onde começar a reduzir custos

As 05 primeiras categorias da tabela têm um traço em comum: existe dado por veículo, atualizado com frequência, e a ação não depende de aprovação de outra área. É por elas que faz sentido começar.

Combustível

O ponto de partida é o custo por km rodado por veículo, não a média da frota inteira. A média esconde qual veículo específico está puxando o gasto para cima, e sem esse recorte a correção acaba sendo uma aposta.

Manutenção

A alavanca é a razão entre manutenção preventiva e corretiva. Quanto mais manutenção preventiva, mais a operação decide o custo em vez de reagir a ele, e o histórico documentado por veículo é o que permite enxergar essa razão.

Sinistros e seguro

Cada evento de risco evitado tem efeito direto na apólice na próxima renovação, não só na segurança. Reduzir a frequência de eventos de risco por veículo é a alavanca que move essa categoria mais rápido do que qualquer negociação isolada de prêmio.

Depreciação

O histórico de manutenção documentado pesa mais nessa conta do que a idade do veículo, e também protege o valor de revenda na hora de vender ou trocar.

Ociosidade

Cada veículo parado ou rodando vazio segue consumindo depreciação, seguro e impostos sem gerar receita. Medir o tempo parado por veículo transforma essa percepção num número acompanhável.

Segundo a Verizon Connect (Fleet Trends Report 2025), a economia média de combustível obtida com telemetria dobrou de 08% para 16% entre 2021 e 2025. No mesmo período, a economia em custos de acidentes subiu de 11% para 22%, e em mão de obra, de 10% para 16%. Esse ganho cresce ano após ano, porque o dado por veículo permite ajuste contínuo em vez de uma correção pontual.

Na Riberfoods, distribuidora de alimentos com operação em mais de 600 cidades e frota de 80 ou mais veículos, os motoristas rodavam mais de 40% acima do km previsto todo mês, sem dado que justificasse a diferença nem forma de comprovar responsabilidade em caso de sinistro. Com videotelemetria (câmeras embarcadas conectadas ao painel de gestão, que registram e ajudam a analisar o comportamento de condução) e roteirização da Cobli, a empresa passou a enxergar essa diferença por veículo e por rota.

“Se nós reduzirmos apenas 50 km de cada motorista que sai pro veículo, no final de um mês multiplicando em todos os motoristas, nós teremos uma economia de R$ 134.000 por mês. Isso multiplicando no ano é mais de R$ 1 milhão de economia diretamente na operação”, contou o gerente de transportes da Riberfoods. A mesma mudança também rendeu R$ 80 mil de economia na renovação do seguro, porque a frota passou a ter como comprovar direção defensiva diante da seguradora.

Se ainda não está claro qual das cinco categorias priorizar primeiro, este guia mostra por onde começar a reduzir os custos da frota e separa o que já dá para fazer com o que a operação tem em mãos do que exige tecnologia adicional. Para priorizar com base no número real da própria operação, o diagnóstico de custos operacionais da frota usa o custo por km rodado para apontar isso.

Profissionais de logística realizando entregas mais rápidas com a redução de custos logísticos.
A redução de custos logísticos proporciona aumento na eficiência operacional.

O que muda nas categorias de ciclo longo

Transporte e frete contratado com terceiro, armazenagem, estoque, embalagem e tributos continuam parte da mesma conta de custo logístico. Só que o mecanismo de ajuste é outro: não existe dado por veículo que resolva uma renegociação de contrato, uma mudança de política de estoque ou uma revisão de enquadramento tributário. Cada uma dessas categorias tem um dono diferente e responde a um ritmo de revisão próprio.

Transporte e frete com terceiro

O ajuste aqui acontece por revisão contratual, não por acompanhamento diário. Além do valor por rota, vale revisar a frequência de reajuste do contrato, a exposição a variação de combustível repassada pelo transportador e se existe cláusula de performance (prazo de entrega, taxa de avaria) atrelada ao preço. Renegociar sem esse tipo de cláusula é discutir preço isolado do resultado que ele deveria garantir.

Armazenagem

Depende de decisão sobre layout, localização e, quando terceirizada, prazo contratual com o operador logístico. O ganho mais comum vem de comparar o espaço contratado com a ocupação real medida, uma conta que poucas operações fazem antes de simplesmente renegociar a tarifa por metro quadrado.

Estoque

A alavanca é a política de estoque, o giro e o ponto de pedido; o preço pago por unidade armazenada importa menos nessa conta. Estoque parado imobiliza capital e ainda gera custo de armazenagem sobre algo que não está girando. A decisão de revisar isso costuma ser do time de planejamento de demanda ou de compras, com ciclo de revisão mensal ou trimestral.

Embalagem

Muda por negociação com fornecedor (volume, material, padronização entre linhas de produto) e, quando existe, por decisão de engenharia de embalagem. Isolada, é uma categoria pequena, mas se perde entre erros de arredondamento quando a operação não consolida o custo por embalagem separadamente do custo de transporte.

Tributos

Depende de regime tributário, enquadramento fiscal e incentivos regionais, decisão que normalmente cabe ao time fiscal com apoio jurídico, não à operação isoladamente. O time de logística pode trazer essa categoria para a mesma mesa de prioridades, mesmo sem decidir sozinho sobre ela, porque compõe a mesma conta de custo logístico que as demais.

Essas 05 frentes têm donos diferentes e calendários de revisão próprios. Manter todas na mesma lista de prioridades, mesmo avançando em ritmos diferentes das categorias de ciclo curto, é o que evita que uma delas fique esquecida só porque não responde rápido.

Perguntas frequentes sobre custos logísticos

Quais são as principais categorias de custo logístico de uma empresa?

As principais são transporte e frete, combustível, manutenção, sinistros e seguro, depreciação de veículos, ociosidade da frota, armazenagem, estoque, embalagem e tributos. As cinco ligadas a veículo e motorista costumam ter dado disponível por veículo; as demais dependem de negociação, contrato ou decisão fiscal.

Por que algumas categorias de custo logístico respondem mais rápido que outras?

Porque o mecanismo de ajuste é diferente. Categorias com dado por veículo, como combustível, manutenção, sinistro, depreciação e ociosidade, permitem medir e corrigir em ciclos curtos, sem depender de aprovação externa. Categorias que dependem de contrato, layout ou decisão fiscal exigem negociação, e negociação não acelera só porque a operação precisa de resultado rápido.

Por onde começar a otimizar o custo logístico da operação?

Comece medindo o custo por km rodado por veículo, não pela média da frota, para descobrir onde a diferença está concentrada. A partir daí, priorize a categoria de ciclo curto com maior gap entre o esperado e o real, seja combustível, manutenção ou sinistro, e só depois avance para as categorias que dependem de negociação.

Por que não faz sentido atacar todas as categorias de custo logístico ao mesmo tempo?

Porque a régua de tempo é diferente para cada uma. Tratar uma renegociação de contrato de armazém com a mesma expectativa de prazo de um ajuste de rota gera frustração antes mesmo de o resultado aparecer, e desgasta o apoio da diretoria para continuar o esforço de otimização.

Qual a diferença entre custo logístico e custo operacional da frota?

Custo logístico é o termo mais amplo, cobre toda a cadeia de movimentação e armazenagem de mercadorias. Custo operacional da frota é a fatia recorrente ligada especificamente aos veículos: combustível, manutenção, pessoal e depreciação, entre outros. Todo custo operacional de frota é custo logístico, mas o contrário não é verdade.

O que é TCO e como ele se relaciona com o custo logístico da frota?

TCO é o custo total de propriedade de um veículo, soma de aquisição, combustível, manutenção, depreciação e outros gastos ao longo da vida útil dele. É a métrica que agrega, ao longo do tempo, boa parte das categorias de ciclo curto deste post.

Por onde começar

Comece pelas categorias de ciclo curto: são as que produzem número novo mais rápido e sustentam, com resultado concreto, o apoio da diretoria para negociar as frentes que levam mais tempo. Para organizar esse processo dentro da gestão financeira da frota, veja como estruturar as frentes que compõem o orçamento da operação.

Para aprofundar o critério de priorização, o Cobli Ensina tem cursos gratuitos sobre gestão de custos de frota. Se quiser começar pelo diagnóstico, o Frota Check mostra em poucos minutos onde a frota está gastando mais.

Fernanda Friedrich

Escrito por

Fernanda Friedrich

Fernanda Friedrich lidera a estratégia de conteúdo da Cobli há 5 anos. É bacharel em Produção Publicitária pela Unigran, com passagem pela graduação em Letras Português na UFSC e pela pós-graduação em Gestão da Experiência do Consumidor na ESPM. Ao longo desses 5 anos, analisou dados de busca para identificar as principais dores de gestores e motoristas de frota, o que orienta a forma como traduz desafios reais de operação em conteúdo educativo e aplicável.

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