Há pelo menos cinquenta anos, diversas indústrias se acostumaram a utilizar códigos de barras para identificar os seus produtos. Assim, com a ajuda de um simples leitor e um conjunto de linhas verticais, grossas ou finas, era possível decodificar diversas informações. Mas, para algumas empresas, essa é uma tecnologia ultrapassada: e se, além de identificar uma mercadoria, fosse possível saber sua temperatura, localização com boa precisão de tempo e até mesmo dados sobre sua procedência? Isso é algo possível graças às etiquetas RFID, que podem revolucionar diversos setores no futuro. Quer saber mais? Então acompanhe este texto. 

O que é RFID? O que quer dizer esta sigla? 

RFID é uma expressão em inglês, um abreviatura para Radio Frequency Identification (Identificação por Rádio Frequência, em tradução literal). Ela é utilizada em dispositivos como etiquetas simples, que permite identificar individualmente cada produto, bem como algumas de suas características. Para funcionar, a tecnologia depende não só das etiquetas, mas também de leitores, antenas de rádio e um bom sistema de gestão. 

Quais são os tipos de etiquetas RFID? 

Há dois tipos diferentes de etiquetas RFID: as passivas e as ativas. A principal diferença entre as duas é que uma etiqueta ativa contém, em seu próprio sistema, uma antena capaz de emitir sinais sobre aquela mercadoria em específico. Já uma etiqueta passiva utiliza a energia vinda dos leitores para poder enviar informações à distância. Obviamente, isso gera diferenças nos custos não só na emissão de cada etiqueta, mas também nos diferentes sistemas que precisam acompanhar essa escolha. 

Há ainda tipos diferentes de etiquetas no que diz respeito à faixa de frequência nas quais operam – isto é, qual “espaço” de ondas elas utilizam para evitar interferências com outros tipos de comunicação, como redes de celular, de satélite, rádio ou TV. No caso das etiquetas ativas, as frequências mais comuns são as de 433 MHz e 915 MHz. 

Já nas passivas, há três faixas: as de baixa frequência (entre 125 KHz e 134 KHz) são usadas para faixa de leitura curta, em raio de 1 a 10 centímetros. São muito usadas no rastreamento de animais. 

As de alta frequência operam na faixa de 13,56 MHz, tendo uma faixa de leitura que vai de 1 centímetro a 1 metro. É o tipo utilizado pela tecnologia de campo próximo, mais conhecida pela sigla em inglês NFC, presente, por exemplo, em cartões de crédito, celulares no Bilhete Único. Muito usada também para aplicações que não requerem leitura de longa distância e demandam espaço de armazenamento no chip local. 

Há ainda as etiquetas de ultra-alta frequência (de 865 MHz a 960 MHz), que podem atingir até 30 metros de leitura, dependendo dos leitores. São usadas em rastreamento de ativos, inventário e controle de acesso a eventos, por exemplo.

Como funciona uma etiqueta RFID? 

Um sistema RFID é composto por duas partes: um leitor e uma etiqueta, que normalmente têm uma antena ligada a ela. Normalmente, o leitor envia ondas eletromagnéticas com um sinal que a etiqueta foi concebida para responder – a diferença entre ativas e passivas, como vimos, está no fato de que a etiqueta passiva utiliza o poder do campo eletromagnético criado pelo leitor para alimentar seus circuitos e enviar um sinal de volta para o leitor. Este sinal, que nada mais é do que uma onda, é convertido novamente em dados digitais. 

No caso de sistemas de localização, como os utilizados pela logística, os dados não são emitidos em tempo real, mas sim transmitidos em intervalos definidos – um software também deve ser utilizado para calcular a posição exata da etiqueta. Se for bem configurado, um sistema desses permitirá à sua empresa entender quando as mercadorias foram despachadas e até onde estão a cada momento, sem que funcionários precisem ser destacados para a fiscalização dessas informações. 

Qual a utilidade das etiquetas RFID?

As etiquetas RFID têm múltiplas funcionalidades – algumas até já fazem parte do seu cotidiano e você nem sabe. Entre elas, por exemplo, estão soluções de pagamento, como a possibilidade de apenas aproximar o cartão de crédito de uma máquina habilitada para efetuar uma compra. O mesmo vale para os sistemas de pagamento via celular, como Apple Pay, Samsung Pay e Google Pay, que se beneficiam do NFC. 

Algumas modalidades esportivas também usam essa tecnologia, seja para identificar se uma bola ultrapassou a linha do gol ou monitorar os movimentos de atletas – em maratonas, por exemplo, as etiquetas RFID incluídas em fichas de inscrição ou tênis permitem determinar com precisão o tempo de corrida de um competidor, ao passar por um determinado ponto do percurso. O mesmo princípio é válido, por exemplo, para o rastreamento de cargas, de animais ou o controle de mercadorias dentro de um estoque. Além disso, por conseguirem carregar mais informações que um simples código de barras, como já vimos, as etiquetas RFID também servem para substituí-los. A grande vantagem é que, enquanto o código de barras opera por visualização, a etiqueta RFID opera por presença – o que facilita a identificação de informações em grandes espaços ou muito tumultuados. 

Quanto custa uma etiqueta de RFID?

O custo da tecnologia ainda é um de seus maiores entraves: por conter componentes avançados e não uma simples impressão, a etiqueta RFID tem preço bastante caro, o que pode inviabilizar sua utilização para determinados fins. Nos EUA, uma etiqueta RFID passiva custa em torno de US$ 0,25 (aproximadamente R$ 1). Aqui no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Automação, esse valor pode chegar a até US$ 1 (aproximadamente R$ 4,20, na cotação atual), dependendo da escala. É um custo que deve diminuir nos próximos anos, mas ainda assim pode ser um obstáculo para a adoção massiva da tecnologia. 

Quais são os obstáculos ao uso de RFID? 

Além do custo, já mencionado anteriormente, há alguns entraves à adoção de RFID. Um deles é a regulamentação e a segurança dos processos: enquanto códigos de barra estão bem estabelecidos há décadas, muitos países e setores ainda dependem de boas regulações para aplicar na prática o uso de RFID. Outra questão é a alta complexidade do ecossistema para que o RFID funcione – afinal, além de instruir as pessoas, é preciso cuidar para que leitores estejam sempre bem posicionados e atualizados, com bateria o suficiente para que as informações sejam de fato transmitidas. 

E o futuro? 

Segundo especialistas da área, há duas tendências que podem modificar o universo das etiquetas RFID. Uma delas é a capacidade de que as empresas possam imprimir as etiquetas na embalagem dos produtos, algo que baratearia o custo da tecnologia, da mesma forma que já acontece com um código de barras. Outra é a integração desse sistema com sensores mais avançados, conectados à Internet, na tendência de ultraconexão de objetos conhecida como Internet das Coisas. Além disso, a integração de sistemas RFID com o blockchain pode tornar esse conjunto de informações totalmente à prova de fraudes – entenda mais aqui.

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