Você pretende usar o conteúdo abaixo para
Agradecemos sua resposta!

Tempo de leitura: 18 minutos

O conceito de mobilidade urbana diz respeito a todas as questões que envolvem o transporte e as dinâmicas de deslocamentos. 

Sejam individuais ou coletivos, em massa ou em pequenos grupos, tudo que se relaciona ao fluxo de pessoas é abordado nessa estratégia.

Mobilidade urbana também tem relação com outros dois conceitos fundamentais: qualidade e custo de vida.

Quando fica muito difícil se locomover em uma cidade ou se essa cidade não oferece oportunidades e facilidades, o impacto no orçamento aumenta. 

Com o tempo, se nada melhora, a tendência é para o esvaziamento. Ou seja, a migração acelera.

Essas são apenas algumas das questões que especialistas e interessados no assunto levantam e estudam com o objetivo de trazer soluções.

Você está convidado a fazer parte do debate com a leitura deste texto.

A partir de agora, vamos falar do conceito, sua origem, objetivos, desafios e iniciativas no Brasil e no mundo.

Continue por aqui, conheça novas ideias e ajude a enriquecer a discussão sobre esse tema tão importante que é a mobilidade urbana.

O que é mobilidade urbana?

Mobilidade urbana é o conjunto de princípios, regras, normas, pré-condições e todos os elementos que impactam na capacidade de se locomover em uma cidade ou região.

É, acima de tudo, uma estratégia que contempla ações para que a circulação de pessoas possa fluir de forma tranquila e agradável.

Estamos falando sobre algo fundamental. Até porque, nas metrópoles, o desafio de ir e vir é talvez o mais difícil de se superar, considerando os problemas que vêm a reboque do crescimento.

Esses obstáculos nascem do modelo clássico de cidade, no qual um ou mais centros polarizadores de atividades econômicas atraem grandes contingentes.

Outro problema desse modelo é que ele aumenta a concentração fundiária e imobiliária nas mãos de poucas pessoas. 

Em outras palavras, os espaços e os imóveis em regiões centrais se valorizam e, com isso, cada vez menos gente tem condições de pagar aluguéis ou pela sua aquisição.

Como começou a mobilidade urbana?

A ideia de mobilidade em centros urbanos é tão antiga quanto a formação das primeiras  comunidades.

Um exemplo vem da extinta cidade de Uruk, na Mesopotâmia, região onde hoje se localiza o Iraque.

Estima-se que, em 3.300 a.C., ela contava com aproximadamente 40 mil habitantes, sendo um importante pólo de comércio, lazer e outras atividades.

Outro dado importante sobre essa antiga cidade é que ela tinha uma área residencial. 

Assim, as pessoas precisavam se deslocar de suas casas para o trabalho e vice-versa.

Dessa necessidade, então, nascia a preocupação com a mobilidade urbana.

Mas foi na modernidade, desde a Primeira Revolução Industrial, na Inglaterra do século XVIII, que o conceito ganhou ainda mais relevância.

É nessa época que começaram os grandes êxodos de pessoas do campo para a cidade, onde viriam a se tornar trabalhadores nas grandes fábricas de tecidos.

De lá para cá, obviamente, muita coisa mudou, menos os objetivos da estratégia.

Carros e a mobilidade urbana

Qual o objetivo da mobilidade urbana?

Como o próprio nome sugere, esse é um conjunto de práticas cujo objetivo é garantir a mobilidade das pessoas em centros urbanos — uma preocupação que se justifica.

Um estudo da consultoria McKinsey revela que, até 2030, 60% das pessoas no mundo vão viver nas cidades.

Com o desequilíbrio entre a população urbana e não-urbana, os desafios decorrentes da explosão demográfica tendem a se tornar maiores.

Ainda neste artigo, vamos falar mais sobre eles.

Por enquanto, vale conhecer como essa questão é encarada nas cidades brasileiras.

Dados sobre mobilidade urbana no Brasil

Uma cidade, estado ou país que garante aos seus cidadãos meios de ir e vir será sempre mais desenvolvido do que uma região com mobilidade urbana precária.

As grandes empresas estão atentas a esse fator que, a propósito, é imprescindível para que um ambiente de negócios saudável se desenvolva.

Por isso, órgãos públicos e entidades privadas investem em pesquisas sobre o contexto da mobilidade urbana em nosso país.

Aliás, um desses estudos até elogia uma iniciativa pioneira em países como Brasil, México e Colômbia, o BRT – Bus Rapid Transit, ou Transporte Rápido por Ônibus. 

Realizado pela Deloitte, o relatório aponta as cidades do mundo em que a mobilidade urbana está mais avançada, com destaque para Londres, Berlim e Cingapura.

Mas o Brasil não tem apenas o BRT. 

Entre desafios e soluções, vamos conferir qual o panorama em cada região do país.

Norte

Os desafios em mobilidade urbana na maior macrorregião brasileira em extensão territorial são proporcionais ao seu tamanho.

Embora não seja tão urbanizada, na região Norte, a mobilidade é um tema dos mais sensíveis, já que ela apresenta uma peculiaridade: a predominância do transporte fluvial.

É o que aponta a pesquisa do IBGE Ligações Rodoviárias e Hidroviárias, na qual a região Norte é disparada a campeã na frequência de partidas de modais hidroviários.

Já outro estudo, desta vez do IPEA, revela que a cidade de Belém, no Pará, apresenta cobertura relativamente boa de escolas de nível fundamental. 

Assim, a necessidade por usar meios de transporte motorizado é menor, predominando os deslocamentos de alunos a pé.

O transporte fluvial na mobilidade urbana

Nordeste

O já citado relatório do IBGE, que aponta para a predominância do transporte aquaviário no Norte, aponta outra característica presente naquela região: a informalidade.

Ou seja, a maioria dos operadores do transporte público não tem sequer um CNPJ e trabalha na clandestinidade.

Esse é o mesmo problema da região Nordeste, na qual o transporte público informal é o principal responsável por suprir a demanda da população.

Cabe destacar que, segundo esse estudo, o estado da Bahia é o terceiro colocado nacional em número de saídas semanais, com 342.730 partidas a cada sete dias.

Outra conclusão é que a região Nordeste gera mais saídas do que o Sudeste, embora essa última seja mais populosa. 

A justificativa para isso não deixa de ser interessante: a predominância de transporte de curto alcance nessa macrorregião.

Centro-Oeste

Embora existam projetos para expandir a mobilidade urbana por meio de modais alternativos como o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em cidades como Cuiabá, no Centro Oeste, a oferta de transporte público tem muito a evoluir para favorecer o deslocamento das pessoas.

Uma prova disso é que a região, ao lado do Sudeste, é a segunda no país com mais municípios sem qualquer ligação de transporte coletivo com outras cidades. 

É o que diz o estudo “Perfil dos Municípios Brasileiros”, feito pelo IBGE em 2017. 

Nele, foi constatado que, em 21 cidades do Centro Oeste brasileiro, o único meio de transporte é o táxi.

Além de encarecer os deslocamentos, esse é um fator que depende da disponibilidade do serviço para favorecer a mobilidade urbana.

Sudeste

Já na região mais desenvolvida economicamente do Brasil, o desafio é ampliar a oferta em modais e integrar cidades e regiões que ainda não contam com uma rede de transporte.

Afinal, como vimos no tópico anterior, não são poucos os municípios do Sudeste que não possuem qualquer modal de transporte.

Em contrapartida, nas capitais São Paulo e Rio de Janeiro, se verifica um cenário oposto. Ou seja, oferta mais ampla de modais, especialmente em transporte sobre trilhos. 

Assim apontam os dados do Instituto Mobilize, segundo o qual essas duas cidades são líderes nacionais em quilômetros de malha ferroviária implantados.

Por outro lado, no Sudeste a questão da gentrificação ganha mais relevância, já que é nela que estão localizadas as cidades de maior PIB do Brasil.

A gentrificação faz com que espaços urbanos sejam valorizados pela revitalização de edifícios e ampliação do parque comercial. 

Dessa forma, a população menos favorecida não tem alternativa que não seja ir morar em locais afastados, agravando os problemas de mobilidade.

Mobilidade urbana inclui os trens.

Sul

Com base Lei de Mobilidade Urbana, sobre a qual iremos falar na sequência, a prefeitura de Porto Alegre instituiu o seu Plano de Mobilidade Urbana.

Um dos pontos positivos do programa é o lançamento da primeira plataforma digital participativa, na qual cidadãos ajudam a definir as prioridades em investimentos. 

Embora não seja propriamente uma novidade, só recentemente foram incluídas pautas relativas à mobilidade urbana.

Já em Curitiba, o status de capital modelo está ameaçado pelo envelhecimento da frota de ônibus e da constante superlotação. 

O sistema de transporte público da capital do Paraná começa a sentir os efeitos do natural desgaste dos equipamentos viários. 

Nada que abale a boa reputação conquistada ao longo de anos em investimentos em mobilidade urbana – de qualquer forma, o alerta está ligado.

Lei de mobilidade urbana

Inspirada no artigo 182 da Constituição Federal, foi criada em 2012 a Lei nº 12.587, mais conhecida como Lei de Mobilidade Urbana (LMU).

No preâmbulo da Política Nacional de Mobilidade Urbana, da qual resulta a lei, fica estabelecido que:

“A Política Nacional de Mobilidade Urbana passou a exigir que os municípios com população acima de 20 mil habitantes, além de outros, elaborem e apresentem plano de mobilidade urbana, com a intenção de planejar o crescimento das cidades de forma ordenada. A Lei determina que estes planos priorizem o modo de transporte não motorizado e os serviços de transporte público coletivo”.

Fica evidente o seu caráter desenvolvimentista-sustentável, visando não só avanços no transporte coletivo em modais tradicionais como aqueles que não utilizam veículos motorizados.

Portanto, é um instrumento fundamental para garantir que as cidades brasileiras assegurem qualidade de vida para seus habitantes, aliada a boas práticas de mobilidade.

O que é mobilidade urbana sustentável?

Pela leitura da LMU, também fica claro que é uma preocupação do país avançar no quesito “transporte não motorizado”.

Nesse aspecto, estão incluídos o transporte cicloviário, a pé, por trilhos e elétrico.

Todos eles, por sua vez, caracterizam-se como meios de prover mobilidade urbana sustentável.

Não é novidade que, no Brasil, desde a década de 1960, se privilegia o modelo de transporte rodoviário.

De acordo com dados do Denatran referentes a janeiro de 2020, o Brasil tem um total superior a 105 milhões de veículos em circulação. 

Desses, 56,8 milhões são de automóveis – o que sugere que 1 a cada 4 brasileiros tem o seu.

Fica claro que, se nada for feito no sentido de reduzir o número de carros nas ruas, chegaremos ao colapso do sistema viário, especialmente nas grandes cidades. 

Isso sem contar as consequências para o meio ambiente e a qualidade do ar atmosférico, um problema crítico em metrópoles como São Paulo.

Para enfrentar esses e outros desafios, a mobilidade urbana sustentável propõe um novo modelo, que é baseado na expansão de modais de baixo impacto ambiental.

Bicicletas complementam a mobilidade urbana

Mobilidade urbana no mundo [2020]

Felizmente, bons exemplos mundo afora não faltam para ilustrar que é possível melhorar a mobilidade urbana, desde que a sociedade organizada e as empresas apoiem.

Cidades como Estocolmo e Londres, por exemplo, adotam medidas consideradas até radicais, mas que se provaram necessárias com os anos. 

Uma delas é a instituição de uma espécie de pedágio para circulação de veículos em determinados locais e horários.

Esse é um sistema que vem apresentando bons resultados desde a década de 70, quando foi proposto pela primeira vez. 

Entre os objetivos, está reduzir a quantidade de carros nas ruas e, de quebra, estimular o uso do transporte público pela população.

Outra cidade que tem um bom exemplo é Brisbane, na Austrália. 

Lá, foi instituído o sistema Park and Ride de integração de modais. 

Além de metrô, ônibus e trem, há uma rede de estacionamentos abertos gratuitos integrados, nos quais é possível deixar o veículo para tomar o transporte público.

O que pode ser feito para melhorar a mobilidade urbana?

A solução para os desafios em mobilidade urbana, como vimos até agora, não é tão simples.

Por outro lado, há exemplos de que é possível enfrentar com sucesso os obstáculos.

Talvez o primeiro ponto seja reduzir a quantidade de carros nas ruas.

Nesse aspecto, os governos precisam se engajar em ações que mostrem comprometimento com a efetiva melhoria da mobilidade urbana. 

Ou seja, nem sempre a questão do transporte público dependerá da construção de novas vias públicas ou da ampliação das que já existem.

Afinal, estudos já indicam que construir mais vias de circulação não só não resolve como acaba por piorar o problema dos congestionamentos.

Sendo assim, se faz necessário frear o impulso da indústria automobilística em produzir mais carros, logo, só os governos terão o poder de agir nesse sentido.

Paralelamente, também é preciso reduzir a necessidade de deslocamentos nos centros urbanos, estimulando o desenvolvimento de regiões periféricas.

Não menos importante, investir em medidas como ampliar ciclovias, o transporte sobre trilhos, movido a eletricidade e o compartilhamento de carros.

Os desafios da mobilidade urbana no Brasil

Vimos que, no Brasil, os desafios para melhorar a mobilidade não são nada modestos.

Mas, pelos casos destacados, também se pode perceber que há avanços consideráveis.

O principal dos obstáculos, hoje, talvez seja mudar a concepção de transporte público baseado no modelo rodoviário.

Nesse sentido, vale citar o relatório da Associação Nacional de Empresas de Transportes Urbanos (NTU). 

De acordo com a entidade, dos 5.570 municípios brasileiros, 47,9% não são sequer atendidos por transporte público via ônibus.

Dessa forma, em boa parte dos municípios do Brasil, a mobilidade urbana incipiente deverá ser estruturada de acordo com a LMU.

Soluções para mobilidade urbana

Não é novidade para ninguém que as grandes metrópoles brasileiras têm um problema crônico com congestionamentos causados pelo grande número de veículos em circulação.

Em São Paulo, a questão se tornou tão séria que obrigou a prefeitura a instituir e manter o sistema de rodízio.

Consiste em proibir de circular em dias úteis veículos de passeio conforme o final das suas respectivas placas. 

Ele começa na segunda, quando não podem trafegar carros cujo emplacamento termine em 1 e 2 – e assim sucessivamente.

Outra solução encontrada é limitar o tráfego de veículos de transporte de cargas pesadas

Também em São Paulo já existem restrições a esse tipo de tráfego, sempre impactante, já que gera lentidão até mesmo em vias expressas.

Mobilidade urbana inclui os ônibus

Soluções de mobilidade urbana adotada em outros países

Os exemplos que vêm de fora são válidos para mostrar que, com apoio irrestrito do governo e planejamento, dá para promover avanços significativos.

Em Amsterdã, na Holanda, chama a atenção a extensa malha cicloviária, com mais de 400 quilômetros de faixas exclusivas para ciclistas.

Los Angeles, nos Estados Unidos, foi ainda mais longe. Estabeleceu faixas de circulação exclusivas para veículos de carona compartilhada e carros híbridos.

Já na cidade de Stuttgart, na Alemanha, circulam há alguns anos trens com vagões exclusivos para ciclistas. 

O mesmo acontece em Berlim, onde toda estação de metrô e trem conta com locais para estacionar bicicletas.

A tecnologia a favor da mobilidade urbana

Outra boa notícia é que, com a expansão digital, passou-se a utilizar a tecnologia também para solucionar os desafios da mobilidade urbana em diversos países.

A mais difundida delas é o uso de apps de compartilhamento que podem ser de carona, como o Blablacar, transporte em grupo/individual, como Uber ou de bicicletas.

Um exemplo também louvável são os apps de delivery nos quais só ciclistas podem se cadastrar. 

É o caso do Shippify e Dizzy, destinados a todo tipo de entrega que possa ser feita via bicicleta.

Conclusão

É difícil solucionar os intrincados desafios em mobilidade urbana? 

Sim, mas, como você viu ao longo deste texto, não quer dizer que não seja possível. 

O principal é haver o engajamento de todos, principalmente de governos e das empresas.

Uma forma de se mostrar comprometido com a causa da mobilidade urbana é cuidar da gestão da frota.

Nesse sentido, controlar o trajeto que os veículos fazem ajuda a ter uma leitura completa dos custos com transporte e de fatores como consumo de combustível

Também ajuda a reduzir o impacto da frota no tráfego e o lançamento de carbono na atmosfera.

Assim, a Cobli espera dar a sua contribuição para tornar nossas vias públicas locais mais seguros de se trafegar e, acima de tudo, menos congestionadas.

Esta publicação te ajudou? Confira essa e outras explicações sobre questões de logística e gestão de frota em nosso blog

Monitoramento de frota - Mobilidade urbana: Desafios, problemas e soluções [Guia]
Fale com nossos especialistas!

Estamos disponíveis para tirar dúvidas e demostrar o sistema de rastreamento e monitoramento de frotas da Cobli em ação.

Teste grátis

1 Comentário

  1. Sobre a mobalibidade urbana, a extensão de metro, trem e ônibus, bem como a criação de estacionamento s públicos gratuitos, proximos as estações, trazer os empregos para os bairros.

Escreva um Comentário