Comportamento no trânsito: o que é e como reduzir o risco na sua frota

Comportamento no trânsito: o que é e como reduzir o risco na sua frota

Comportamento no trânsito é o conjunto de atitudes que um motorista adota ao volante, como atenção, velocidade e reação diante de situações de risco, e essas atitudes concentram a maior parte da causa dos acidentes rodoviários. Segundo levantamento da Abramet de 2023, 9 em cada 10 acidentes de trânsito no Brasil têm a falha humana como causa principal. Para a sua frota, isso significa que o comportamento do motorista não é um traço de personalidade nem uma questão de sorte: é a variável de risco mais relevante da operação, e também a mais possível de medir e corrigir antes de virar sinistro.

A maioria dos gestores de frota já sabe, por experiência, que alguns motoristas dirigem de forma mais arriscada que outros. O problema é que essa percepção costuma ficar no campo do “achismo”: ninguém prioriza quem orientar primeiro, porque não há dado que sustente a conversa. Esse tipo de decisão sem dado tem custo direto: sinistro, franquia de seguro, veículo parado, e em alguns casos processo judicial e dano à reputação da empresa.

Este conteúdo organiza o comportamento no trânsito em categorias de risco que a sua frota pode monitorar, uma a uma, com exemplos de como empresas de frota reduziram cada tipo de comportamento com dado. A lógica é simples: quanto mais cedo a frota identifica em qual categoria o risco está concentrado, mais cedo ela consegue agir, seja com treinamento, com ajuste de rota ou com tecnologia de monitoramento.

O que é comportamento no trânsito e por que ele é o maior risco da sua frota?

Comportamento no trânsito reúne toda decisão que o motorista toma ao volante que altera a chance de um acidente: manter distância segura, respeitar o limite de velocidade, dividir a atenção entre a via e o painel, reagir a um imprevisto sem brusquidão. Cada uma dessas decisões parece pequena isoladamente mas, somadas ao longo de uma jornada, elas definem se aquele motorista, e aquele veículo, terminam o dia sem incidente.

Essa definição desloca o problema, para o gestor de frota, de “motorista bom ou motorista ruim” para “comportamento mensurável ou não mensurável”. A Cobli, por exemplo, calcula uma nota de condução de 0 a 100 considerando frenagens, acelerações e velocidade, com acompanhamento mês a mês. Uma frota que acompanha essa nota já parte de um ponto de partida diferente de uma frota que só sabe da existência de um comportamento de risco depois de um sinistro registrado.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) também trata comportamento de risco como categoria própria de infração, não como fatalidade. Excesso de velocidade, uso de celular ao dirigir e não uso de cinto de segurança estão previstos como infrações específicas, cada uma com penalidade definida. Isso reforça o mesmo ponto: comportamento no trânsito é regulado porque é evitável, não porque é aleatório.

O que o CTB considera comportamento de risco

O CTB classifica boa parte das infrações de trânsito justamente a partir de comportamentos do condutor: dirigir sob efeito de álcool, exceder o limite de velocidade da via, usar o celular sem sistema de mãos livres, não usar cinto de segurança ou capacete, entre outras. A gravidade da penalidade varia conforme o risco que o comportamento representa: uma multa por excesso de velocidade pode ser leve, média, grave ou gravíssima, dependendo de quanto o motorista excedeu o limite. Para o gestor de frota, essa régua da própria legislação serve de primeiro critério para priorizar o que monitorar: comportamentos classificados como infração gravíssima merecem atenção antes dos demais.

Essa régua legal, no entanto, tem um limite prático para quem gerencia uma frota: ela classifica o comportamento depois que ele já aconteceu, geralmente no momento da autuação ou do acidente. Uma frota que só reage à multa ou ao sinistro está sempre um passo atrás do risco. Nos próximos capítulos não vamos explorar a lógica da legislação, organizada por tipo de infração, mas sim uma lógica de gestão, organizada por categoria de comportamento e pensada para o que a frota consegue observar e corrigir antes que a infração ou o acidente aconteçam.

Atenção e distração: por que o motorista se desconcentra?

A atenção do motorista é um recurso limitado, e boa parte dos comportamentos de risco no trânsito nasce justamente de uma disputa por essa atenção: o celular, o cansaço, o excesso de estímulos na via. A Polícia Rodoviária Federal registrou quase 1 milhão de infrações por excesso de velocidade em 2025, e parte relevante desses casos está ligada a distração, não a decisão deliberada de acelerar.

Uma frota que quer reduzir esse tipo de risco precisa primeiro separar as duas origens mais comuns da perda de atenção, porque cada uma pede uma resposta diferente. A primeira é a distração no trânsito, causada sobretudo pelo celular e por conversas dentro do veículo: tem gatilho identificável e efeito imediato, da multa ao aumento de sinistro. A segunda nasce do cansaço e tem progressão mais lenta: começa como fadiga no trânsito e, sem intervenção, evolui até o estágio em que a chance de microssono já está presente.

Para o gestor, o ponto prático é que atenção e fadiga raramente aparecem isoladas: um motorista cansado fica mais distraído, e um motorista distraído reage pior a um imprevisto. Monitorar as duas frentes juntas costuma ser mais eficiente do que tratá-las como problemas separados.

Rotas com muitas paradas, entregas urbanas e trajetos que exigem atenção a pedestres e ciclistas tendem a concentrar mais eventos de distração do que rotas rodoviárias de longa distância, onde a fadiga pesa mais. Conhecer esse padrão por tipo de operação ajuda a decidir onde investir primeiro: uma frota de entrega urbana ganha mais com regras claras sobre uso de celular durante a condução, enquanto uma frota rodoviária ganha mais com controle de jornada e sinais de sonolência.

Agressividade e imperícia: quando o comportamento vira infração ou sinistro

Nem todo comportamento de risco vem de falta de atenção. Parte relevante vem do oposto: excesso de confiança, pressa ou disputa por espaço na via, o que caracteriza a direção agressiva. Esse tipo de comportamento tende a ser mais visível e mais fácil de identificar, mas nem sempre mais fácil de corrigir, porque envolve hábito e, às vezes, cultura de operação, e costuma se concentrar em perfis específicos de motorista dentro da frota. Quando esse padrão não é corrigido a tempo, um erro pontual deixa de ser falha isolada e passa a configurar imperícia do condutor, com implicações jurídicas diretas para a empresa em caso de acidente.

Dados próprios da Cobli, reunidos em excesso de velocidade e distração ao volante na frota, mostram que campanhas internas isoladas não sustentam essa redução no longo prazo: o que muda o comportamento de forma duradoura é o monitoramento contínuo com alerta em cabine, como mostra o caso a seguir.

A GO Transportes, transportadora de aço e cargas pesadas no Espírito Santo, viveu um caso que ilustra bem esse ponto. Um tombamento causado por uso de celular em um trecho de baixo risco e velocidade baixa foi o divisor de águas internamente. A empresa saiu de uma gestão que classificava como “gestão pelo retrovisor”, em que a anomalia só era tratada depois de acontecer, para o monitoramento de comportamento com videotelemetria. O resultado foi uma redução de 98% nas três categorias de excesso de velocidade, média, grave e gravíssima, e eliminação total de tombamentos após a mudança.

O caso da GO Transportes ilustra um ponto que costuma passar despercebido: a gravidade de um evento de trânsito nem sempre está ligada à velocidade ou ao risco aparente do trecho. O tombamento que motivou a mudança interna da empresa aconteceu em baixa velocidade, numa via de baixo risco, ou seja: o fator determinante não foi a estrada, foi o comportamento. Isso reforça por que medir agressividade e imperícia não pode depender só da observação do trecho, mas também do dado de condução em si.

Psicologia e emoção ao volante: o fator humano que a maioria das frotas não mede

Comportamento no trânsito também tem uma camada emocional que raramente entra na conversa de gestão de frota: como o motorista lida com estresse, frustração e pressão de prazo enquanto dirige. Essa camada ajuda a explicar por que as duas categorias anteriores raramente aparecem isoladas: um motorista sob estresse tende tanto a se distrair mais quanto a reagir de forma mais agressiva. É o que a psicologia do trânsito descreve: como fatores emocionais e cognitivos influenciam a forma de dirigir, muitas vezes antes mesmo de o motorista perceber a mudança no próprio comportamento.

Como explica a psicóloga Renata Adona, especialista em psicologia do trânsito, o trânsito expõe o motorista a uma sensação de urgência e perda de controle que ativa o sistema de alerta do corpo, o que ajuda a entender por que reações desproporcionais aparecem mesmo em situações banais da via. Um dos efeitos mais comuns desse acúmulo é o estresse no trânsito, que compromete a qualidade da condução de forma progressiva ao longo da jornada. A resposta prática de gestão passa por desenvolver o que a inteligência emocional no trânsito trata como competência treinável: reconhecer essas emoções e regulá-las antes que afetem a direção.

Para o gestor de frota, o recado prático é que rotas mais longas, prazos apertados e jornadas mal planejadas não são só problema de produtividade: são também gatilho de comportamento de risco. Ajustar a operação para reduzir esse tipo de pressão é, indiretamente, uma medida de segurança.

Essa categoria costuma ser a mais difícil de medir diretamente, porque não existe um evento de telemetria que capture “estresse” ou “frustração” da mesma forma que captura uma frenagem brusca. Na prática, ela aparece de forma indireta: um motorista que, em determinados dias ou rotas, concentra mais eventos de agressividade ou distração do que o próprio histórico sugere pode estar sob esse tipo de pressão. Cruzar o dado de comportamento com o contexto da rota e do prazo, em vez de olhar cada evento isoladamente, é o que permite enxergar esse padrão.

Prevenção e resposta: como a frota se antecipa e reage quando o risco vira ocorrência

A ABC Cargas, transportadora de cargas internacionais, tinha um ponto crítico específico na operação: em média, um acidente a cada 21 dias, sempre no mesmo local. O detalhe chama atenção porque contraria a intuição mais comum sobre segurança de frota: o problema não estava espalhado entre os motoristas, estava concentrado num único cruzamento. Depois de passar a monitorar comportamento e localização nesse trecho, a empresa eliminou totalmente os acidentes no ponto crítico, zerou as multas da frota e economizou R$ 120 mil na franquia de seguros.

O caso da ABC Cargas resume bem o que separa prevenção de reação. Direção preventiva é o conceito mais amplo desse cuidado, diferente da direção defensiva por não se limitar a reagir a um risco que já está se formando: inclui também identificar, como no caso acima, que um cruzamento ou horário específico concentra risco antes mesmo de o motorista chegar lá. Esse tipo de concentração pode aparecer em qualquer geografia de risco parecida, um trecho de serra, um horário de tráfego mais intenso, e identificá-la é tão parte da prevenção quanto orientar o motorista sobre comportamento individual.

Quando a prevenção falha e a ocorrência acontece mesmo assim, entra a outra metade dessa resposta: o que fazer nos primeiros minutos depois de um acidente. Isso é algo que toda frota deveria garantir que seus motoristas saibam, não como informação isolada, mas como parte do preparo da operação.

Como medir e corrigir o comportamento do motorista antes do sinistro

O primeiro passo para transformar esse acompanhamento dos comportamentos de risco no trânsito em prática de gestão é medir. Se a sua frota não tem dado sobre o comportamento dos motoristas, você está, na prática, decidindo com base em impressão. A Cobli disponibiliza uma nota de condução que soma frenagens, acelerações e velocidade em uma pontuação de 0 a 100, comparável entre motoristas e veículos, com evolução mês a mês. Você pode configurar essa nota para refletir a realidade da sua operação: uma frota urbana de entrega, por exemplo, tem frenagem inevitável com mais frequência do que uma frota rodoviária, e o peso de cada tipo de evento pode ser ajustado para não penalizar igualmente as duas realidades.

O Grupo Macor é um exemplo de como acompanhar esses indicadores muda o resultado operacional. A empresa entrou na Cobli buscando controle de combustível, mas identificou desvios comportamentais recorrentes: a cada 10 quilômetros rodados, o motorista cometia, em média, um desvio de comportamento. Sem visibilidade sobre o que desencadeava os acidentes, a empresa não conseguia agir de forma direcionada. Depois de adotar o monitoramento de comportamento, o Grupo Macor evoluiu de um desvio a cada 10 quilômetros para um a cada 90 quilômetros, uma melhora de nove vezes, com 25% de redução no número de acidentes e economia de R$ 200 mil por ano com sinistros.

“A segurança é algo inegociável para a nossa empresa. E a gente só consegue ter os dados e o embasamento de como está a nossa operação por meio da tecnologia da Cobli. A plataforma da Cobli é a base do nosso programa de valorização da vida”, afirma Fabricio Iuga, Gerente de Operações do Grupo Macor.

O que fazer se um motorista mantém comportamento de risco repetido

Medir é o primeiro passo, mas a correção depende do que a frota faz com o dado. Quando um motorista aparece de forma recorrente com nota baixa ou eventos de risco concentrados, o caminho mais eficaz combina três frentes:

  • Feedback individualizado com o dado específico daquele motorista, não uma orientação genérica;
  • Treinamento direcionado ao tipo de comportamento identificado;
  • Acompanhamento da evolução mês a mês

Tratar todo comportamento de risco com a mesma resposta padrão costuma gerar resultado pior do que direcionar a ação ao tipo específico de risco identificado.

Perguntas frequentes sobre comportamento no trânsito

Qual é o comportamento mais perigoso no trânsito para frotas?

Não existe um único comportamento mais perigoso em todas as operações, porque isso depende do tipo de frota e da rota. Em geral, excesso de velocidade e distração por uso de celular concentram parte relevante dos acidentes registrados no Brasil, mas fadiga ao volante tem peso especialmente alto em operações de rota longa e jornada estendida. O caminho mais confiável é medir o comportamento da própria frota, em vez de assumir qual risco pesa mais sem dado local.

Como identificar se um motorista tem comportamento de risco antes de um acidente acontecer?

O sinal mais confiável vem de dado de condução acompanhado ao longo do tempo, como frenagens bruscas, acelerações e eventos de velocidade recorrentes, não de uma impressão isolada. Um motorista pode dirigir bem na maior parte do tempo e ainda assim concentrar padrões de risco específicos, como frear com frequência acima do esperado para o tipo de rota. Acompanhar essa tendência mês a mês permite agir antes que o padrão termine em sinistro.

O que diz o Código de Trânsito Brasileiro sobre comportamento de risco ao volante?

O CTB classifica boa parte dos comportamentos de risco como infração, com penalidade proporcional à gravidade: dirigir sob efeito de álcool, exceder o limite de velocidade, usar celular sem sistema de mãos livres e não usar cinto de segurança estão entre as infrações mais associadas a comportamento do condutor. A gravidade varia de leve a gravíssima conforme o risco que o comportamento representa.

Direção defensiva e direção preventiva são a mesma coisa?

Não exatamente. Direção preventiva é o cuidado do motorista para evitar acidentes de forma geral, enquanto direção defensiva é o conjunto específico de técnicas usado para antecipar e reagir a riscos que já estão se formando na via, como manter distância segura do veículo à frente. Na prática, a direção defensiva é uma das ferramentas dentro do conceito mais amplo de direção preventiva.

Como a tecnologia ajuda a corrigir o comportamento de motoristas sem parecer vigilância?

O enquadramento correto é apresentar a tecnologia como proteção do motorista, não como controle sobre ele. Uma câmera ou um sistema de nota de condução, por exemplo, protege o bom motorista contra acusações injustas em caso de sinistro e dá a ele feedback específico sobre o próprio desempenho, em vez de servir só para fiscalização. Frotas que comunicam essa mudança de forma transparente, explicando o motivo e mostrando o benefício para o próprio motorista, enfrentam menos resistência à adoção.

Fadiga ao volante é considerada infração de trânsito?

A fadiga em si não é tipificada como infração da mesma forma que dirigir sob efeito de álcool, mas suas consequências diretas costumam ser: um motorista fatigado tem reação mais lenta e maior chance de cometer infrações como excesso de velocidade ou mudança brusca de faixa. Além disso, dirigir em condição de sonolência, comprovada, pode ser enquadrado como imprudência em caso de acidente.

Comportamento no trânsito deixa de ser um risco invisível no momento em que a frota passa a medi-lo por categoria, não como um problema único e genérico. O próximo passo, depois de entender essas categorias, é olhar para o dado da própria operação e identificar onde o risco está concentrado hoje.

Isadora Soares

Escrito por

Isadora Soares

Isadora Soares é publicitária e especialista em estratégia de conteúdo na Cobli, onde atua há mais de 04 anos. Com uma trajetória profunda no ecossistema de logística, acumulou um conhecimento extensivo sobre os desafios e a evolução do mercado de frotas no Brasil. Hoje, trabalha na intersecção entre Produto e Marketing, traduzindo inovações tecnológicas em soluções estratégicas para gestores, garantindo que o conteúdo da Cobli seja reflexo de quem vive o dia a dia da tecnologia para mobilidade.

Fale com nossos especialistas!

Estamos disponíveis para tirar dúvidas e demonstrar o sistema de rastreamento e monitoramento de frotas da Cobli em ação.

Teste grátis