Logística last mile: otimize a última milha e reduza custos

Logística last mile: otimize a última milha e reduza custos

Logística last mile, ou última milha, é a etapa final da cadeia de suprimentos: o trajeto da mercadoria do centro de distribuição até a porta do cliente. Apesar de ser o trecho mais curto de toda a cadeia, é o mais caro, e pode representar mais da metade do custo total de frete de uma operação de transporte.

E é exatamente aqui que a maioria das frotas perde dinheiro sem perceber. O trânsito urbano, as tentativas frustradas de entrega, o motor ocioso enquanto o motorista aguarda na calçada e as rotas mal planejadas se acumulam em custos que raramente aparecem em um único relatório e que, somados, comprometem a margem da operação mês a mês.

O impacto vai além do financeiro. A última milha é, na maioria das vezes, o único contato físico do cliente com a sua marca. Uma entrega atrasada ou sem comunicação decide se aquele consumidor volta a comprar ou migra para o concorrente.

Neste guia, você vai entender como o last mile funciona na prática, quais indicadores usar para diagnosticar ineficiências, como comparar modelos de operação e como a tecnologia pode transformar a última milha de gargalo financeiro em vantagem competitiva.

O que é logística last mile (última milha)?

A logística last mile é o percurso final que uma mercadoria faz antes de chegar ao destino: do centro de distribuição ou hub logístico até as mãos do comprador. É nesse trecho que a cadeia de suprimentos deixa de operar em escala e passa a exigir precisão individual: cada pacote precisa encontrar um endereço específico, dentro de uma janela de tempo definida.

O nome vem do inglês e remete à “última milha” do trajeto. Na prática, esse trecho pode cobrir poucos quilômetros dentro de uma área urbana, mas percorridos com paradas frequentes, trânsito intenso, endereços imprecisos e clientes que nem sempre estão disponíveis para receber a entrega.

Essa combinação de fatores é o que torna a última milha a etapa mais complexa e mais cara de toda a operação logística.

Como a última milha se encaixa na cadeia de suprimentos?

Para entender o peso do last mile, é preciso visualizar as três etapas que compõem a cadeia de distribuição, e como a lógica operacional muda completamente de uma para outra.

EtapaTrechoFoco da operaçãoPrincipal desafio
First mileFornecedor → Centro de distribuiçãoColeta e consolidação de cargasVolume e prazo de recebimento
Middle mileCD regional → Hub logístico urbanoTransporte em larga escalaEficiência de rota e capacidade
Last mileHub logístico → Cliente finalEntrega individual com rastreabilidadeVariabilidade urbana e custo por entrega

A transição para o last mile representa uma mudança fundamental na lógica da operação. No middle mile, um caminhão carregado mantém velocidade constante por centenas de quilômetros. Na última milha, esse mesmo veículo realiza dezenas de paradas em poucos quilômetros, enfrenta o trânsito urbano e precisa confirmar cada entrega individualmente.

É essa diferença de dinâmica que explica por que a última milha concentra os maiores custos (e os maiores desafios) de toda a cadeia.

Caminhão em movimento, em uma estrada vazia, levanto a entrega para o cliente, representando o last mile.
Por meio de sistemas roteirização é possível otimizar o last mile nas operações logísticas.

Diferença entre first mile, middle mile e last mile na prática

As três etapas não competem entre si: elas são complementares. Mas as soluções de otimização de cada uma são completamente diferentes:

  • First mile: o foco está na coleta eficiente e na consolidação de cargas. O problema central é volume e prazo de recebimento no centro de distribuição.
  • Middle mile: opera com veículos pesados, rotas longas e previsíveis. A eficiência vem da escala – quanto mais carga por viagem, menor o custo unitário.
  • Last mile: opera com veículos menores, rotas fragmentadas e alto grau de imprevisibilidade. O que reduz custo aqui é a quantidade de entregas por rota e a precisão do planejamento urbano.

Entender essa distinção é fundamental para qualquer gestor de frota: uma solução pensada para o middle mile não resolve os problemas do last mile. E tentar aplicar a lógica de grande escala na última milha é uma das origens mais comuns de ineficiência operacional.

Por que a última milha ganhou protagonismo com o e-commerce

O crescimento do comércio eletrônico no Brasil transformou o last mile de uma etapa operacional em um diferencial competitivo. Com mais consumidores comprando online (e com expectativas de entrega cada vez mais curtas), a pressão sobre a última milha aumentou de forma expressiva nos últimos anos.

Hoje, o cliente não avalia apenas se o produto chegou. Ele avalia quando chegou, como chegou e se foi comunicado durante o processo. Esse novo padrão tornou a eficiência do last mile uma questão estratégica para empresas de todos os portes, de e-commerces a distribuidoras, de transportadoras a prestadores de serviço técnico.

Da experiência que temos acompanhando operações de entrega: empresas que não medem ativamente a última milha descobrem os problemas quando chegam as reclamações — e, nesse ponto, o custo de reverter a situação já comprometeu tanto a margem quanto a reputação junto ao cliente.

Como funciona o processo de entrega na última milha

Para que o pacote chegue no prazo correto e sem avarias, a operação precisa funcionar como um relógio. A complexidade urbana exige método, e o processo é geralmente dividido em três etapas fundamentais.

1. Recebimento e triagem no hub logístico

Tudo começa quando as mercadorias chegam ao centro de distribuição ou hub logístico urbano. Nesse momento, os produtos são descarregados, conferidos e separados conforme a região de destino.

Uma triagem eficiente e sem gargalos evita que os pacotes sejam enviados para rotas erradas, prevenindo atrasos e retrabalhos logo na largada da operação. Qualquer falha nessa etapa se multiplica nas seguintes: um pacote triado para a rota errada pode gerar uma tentativa frustrada de entrega, um retorno ao hub e um novo despacho. Três vezes o custo por uma única falha inicial.

2. Roteirização e carregamento estratégico dos veículos

Com os pacotes separados, entra em cena o planejamento inteligente do trajeto. A roteirização define a sequência ideal de paradas, considerando a janela de entrega de cada destinatário, o trânsito da região e a distância entre os pontos.

Em seguida, o carregamento é feito na ordem inversa da entrega; no caso, o último pacote a ser entregue entra primeiro no baú. Parece um detalhe operacional, mas essa organização evita que o motorista perca tempo procurando caixas a cada parada, o que, em uma rota de 30 entregas, representa uma diferença expressiva no tempo total de execução.

3. Despacho e acompanhamento até o destino

Com a rota definida e o veículo carregado, o motorista sai para a estrada. Durante o trajeto, contar com acompanhamento contínuo da frota permite que o gestor monitore o andamento da operação a cada momento.

Esse controle garante dois resultados simultâneos: o cliente final recebe atualizações precisas sobre o status do pedido, e o gestor consegue agir rapidamente diante de qualquer imprevisto na via. Esse imprevisto pode ser um congestionamento, uma janela de entrega que está se fechando, ou uma tentativa frustrada que precisa ser reagendada.

Por que a última milha é o gargalo mais caro da operação

A última milha é, ao mesmo tempo, a etapa mais importante para a satisfação do cliente e a que mais pesa no caixa da empresa. Estudos do setor apontam que ela pode representar mais da metade do custo total de frete de uma operação, uma proporção que parece desproporcional para o trecho mais curto da cadeia.

A explicação está na natureza da operação urbana. Ao contrário do transporte rodoviário de longa distância, onde o custo se dilui ao longo de centenas de quilômetros, a última milha concentra ineficiências em espaços pequenos e tempos curtos.

Os 05 maiores gastos no last mile urbano

Rotas ineficientes e desvios não justificados

Planejar uma rota é apenas o primeiro passo; garantir que ela seja executada é o verdadeiro desafio. Desvios não justificados aumentam a quilometragem rodada, o consumo de combustível e atrasam as entregas seguintes.

Em nossa experiência acompanhando operações de entrega, identificamos que a diferença entre a rota planejada e a executada é um dos indicadores mais reveladores da saúde de uma operação. Quando esse desvio é sistemático, quase sempre aponta para um problema na qualidade do planejamento, e não necessariamente para má conduta do motorista.

Entregador assinando papel, no momento da entrega de mercadoria, representando o last mile.
O termo last mile refere-se à etapa final da logística, ou seja, quando a entrega de um produto vai até o cliente.

Alta taxa de insucesso na primeira tentativa

Cada entrega que não é concluída na primeira tentativa gera um custo duplo: o custo da tentativa frustrada mais o custo do reagendamento e retorno. Em operações de e-commerce com alto volume, uma taxa de insucesso de 10% pode ser suficiente para eliminar a margem da operação.

As causas mais comuns são endereço incompleto, cliente ausente e janela de entrega incompatível com a rotina do destinatário, problemas que a tecnologia ajuda a reduzir, mas que exigem um processo bem definido antes do despacho.

Motor ocioso durante paradas e entregas

Manter o veículo ligado enquanto o motorista desce para entregar um pacote parece um detalhe, mas é um gasto silencioso de combustível que se acumula ao longo do mês. Em uma rota urbana com 25 a 30 paradas diárias, o tempo total de motor ocioso pode chegar a horas por dia.

Quantificar esse desperdício com precisão exige mais do que estimativas: é preciso extrair os dados diretamente da central eletrônica do veículo, o que diferencia uma telemetria básica de uma telemetria avançada via Rede CAN.

Roubo de carga e desvios de mercadoria

O Brasil registra um dos maiores índices de roubo de carga do mundo, com perdas bilionárias ao ano para o setor logístico. Na última milha urbana, o risco é especialmente alto: o veículo circula por regiões diversas, faz paradas frequentes e, em muitos momentos, opera sem supervisão direta.

Além do prejuízo financeiro direto com a mercadoria, o roubo de carga gera custos secundários expressivos: processos judiciais, indenizações ao cliente, aumento no prêmio de seguro e dano à reputação da operação.

Logística reversa sem processo definido

As devoluções são uma realidade crescente no e-commerce e representam um custo que muitas empresas ainda não sabem calcular com precisão. Quando a última milha não tem um processo estruturado para gerenciar coletas reversas, o custo operacional sobe e a experiência do cliente piora junto.

Abordaremos esse tema com mais profundidade na seção sobre logística reversa.

Modelos de operação last mile: qual é o certo para a sua empresa?

Não existe um modelo único de operação last mile adequado para todos os negócios. A escolha depende do volume de entregas, da área de cobertura, do ticket médio da mercadoria e do nível de controle que a empresa precisa manter sobre a operação.

Os três modelos mais adotados no Brasil são frota própria, terceirização e crowdsourcing. Cada um tem vantagens claras e limitações que precisam ser consideradas antes da decisão.

ModeloCusto inicialControle operacionalEscalabilidadeIndicado para
Frota própriaAltoTotalBaixaOperações densas, carga de alto valor, entregas técnicas
TerceirizadaMédioParcialMédiaOperações regionais, sazonalidade previsível
CrowdsourcingBaixoBaixoAltaAlto volume, entregas simples, cobertura ampla

Quando a frota própria faz mais sentido

A frota própria oferece o maior nível de controle sobre toda a cadeia de entrega: o gestor define os padrões de conduta, acompanha os motoristas com precisão e garante que a experiência do cliente seja consistente.

Esse modelo faz mais sentido para empresas com operações densas em uma área geográfica delimitada, que entregam mercadorias de alto valor agregado ou que precisam de motoristas com treinamento específico, como entregas técnicas que exigem instalação ou demonstração do produto.

O ponto de atenção é o custo fixo. Frota própria significa salário, manutenção, seguro e depreciação independente do volume de entregas. Em períodos de baixa demanda, esses custos pesam na margem.

Quando terceirizar a última milha

A terceirização transfere parte dos custos fixos para o parceiro logístico, tornando a estrutura de custos mais variável. É uma opção atraente para empresas com sazonalidade expressiva, que precisam de mais capacidade de entrega em determinados períodos sem manter uma frota superdimensionada o ano todo.

O risco da terceirização está no controle: quando a entrega é feita por um parceiro, a experiência do cliente depende de um processo que a empresa não gerencia diretamente. Por isso, estabelecer indicadores claros de desempenho e acompanhar o parceiro com dados é tão importante quanto escolher bem quem contratar.

O modelo de crowdsourcing (entregadores por demanda)

O crowdsourcing conecta a empresa a uma rede de entregadores autônomos por meio de plataformas digitais. É o modelo usado por aplicativos de entrega e representa a maior escalabilidade possível: a capacidade de entrega cresce ou diminui conforme a demanda, sem custo fixo adicional.

A limitação é o controle. O entregador autônomo não representa a marca da empresa, e qualquer problema na entrega recai sobre a reputação do negócio. Para mercadorias de baixo valor e entregas simples, o modelo funciona bem. Para operações que exigem padrão de atendimento elevado ou rastreabilidade precisa, o crowdsourcing precisa ser combinado com outras camadas de controle.

Infográfico da Cobli intitulado 'Os maiores desafios do last mile — e por que ele importa tanto'. Abaixo de uma ilustração do software de roteirização, uma linha do tempo vertical destaca cinco pontos principais: 1. Alto custo operacional (concentra até 50% do custo logístico); 2. Exigência de rapidez por parte dos clientes; 3. Falhas na roteirização que geram atrasos e gastos; 4. Alta complexidade nas cidades, como trânsito e restrições; 5. Experiência do cliente, onde a reputação da marca é definida.

06 indicadores para monitorar a eficiência da última milha

Gerenciar a última milha sem indicadores é operar no achismo. Os problemas existem, os custos acontecem, mas sem dados, eles só aparecem no relatório financeiro do mês seguinte, quando o prejuízo já está consolidado.

Abaixo, os seis indicadores fundamentais para diagnosticar a eficiência do seu last mile e tomar decisões baseadas em fatos.

1. Cumprimento de roteirização

O que mede: a diferença entre a rota planejada no sistema e a que foi efetivamente executada pelo motorista nas ruas.

Como calcular: (Km da rota executada ÷ Km da rota planejada) × 100. Valores acima de 110% indicam desvios relevantes que precisam de investigação.

Por que importa: desvios não justificados aumentam o consumo de combustível, atrasam as próximas entregas e podem indicar uso indevido do veículo. Monitorar esse indicador ajuda a identificar se o problema está na conduta do motorista ou na qualidade do planejamento da rota.

2. Tempo de motor ocioso

O que mede: o tempo em que o veículo permanece ligado sem se deslocar, como durante paradas de entrega, esperas em filas ou descanso do motorista.

Como calcular: somatório do tempo com motor ligado e velocidade zero, registrado diretamente pela telemetria do veículo.

Por que importa: cada minuto de motor ocioso consome combustível sem gerar nenhuma receita. Em uma frota de 10 veículos com 45 minutos diários de ociosidade cada, o desperdício acumulado ao mês é expressivo. A leitura mais precisa vem da Telemetria Avançada via Rede CAN, que extrai os dados diretamente da central eletrônica do veículo, eliminando as imprecisões das estimativas por variação de tensão da bateria.

3. Custo por entrega final

O que mede: quanto custa, em média, cada pacote entregue com sucesso.

Como calcular: (Custos totais da operação no período ÷ Número de entregas concluídas). Os custos totais incluem combustível, manutenção, salários, depreciação dos veículos e eventuais custos de reagendamento.

Por que importa: é o indicador mais direto da saúde financeira do last mile. Se o custo por entrega está alto, ele pode apontar para baixa densidade de entregas por rota, alto índice de tentativas frustradas ou rotas mal planejadas. Ter clareza sobre esse número é essencial para precificar o serviço corretamente.

4. Taxa de sucesso na primeira tentativa (OTIF)

O que mede: o percentual de entregas concluídas com sucesso na primeira tentativa, dentro do prazo acordado.

Como calcular: (Entregas concluídas na primeira tentativa no prazo ÷ Total de entregas despachadas) × 100.

Por que importa: cada entrega que falha na primeira tentativa gera custo duplo: o da tentativa frustrada mais o do reagendamento. Operações bem geridas buscam manter esse indicador acima de 90%. Abaixo disso, o custo operacional cresce de forma desproporcional e a satisfação do cliente deteriora rapidamente.

5. Taxa de devolução

O que mede: o percentual de mercadorias que retornam ao hub após tentativas de entrega mal-sucedidas ou recusas pelo destinatário.

Como calcular: (Total de itens devolvidos ao hub ÷ Total de itens despachados) × 100.

Por que importa: devoluções elevadas sinalizam problemas no processo de entrega, como endereços incompletos, janelas de entrega incompatíveis ou falha na comunicação com o cliente. Além do custo logístico, devoluções frequentes no e-commerce são um dos principais fatores de ruptura na relação com o consumidor.

6. Custo por km rodado

O que mede: quanto custa, em média, cada quilômetro percorrido pela frota.

Como calcular: (Custos totais de combustível + manutenção no período ÷ Km total rodado). Para maior precisão, calcule por veículo e compare com a média da frota.

Por que importa: variações nesse indicador revelam problemas de condução, manutenção negligenciada ou rotas ineficientes. Um motorista com estilo de direção agressivo pode ter um custo por km significativamente mais alto do que a média da frota, um sinal direto de que um feedback assertivo pode gerar economia concreta.

Logística reversa na última milha: como gerenciar devoluções sem prejudicar a operação

A logística reversa é o caminho de volta: o processo de coletar mercadorias que precisam retornar ao ponto de origem após a entrega, seja por devolução do cliente, produto com defeito, embalagem para descarte ou troca.

No contexto da última milha, ela representa um desafio crescente, especialmente para empresas que operam no e-commerce, onde o direito de devolução é assegurado por lei e a taxa de retorno de produtos pode ser expressiva.

O que é logística reversa e como ela se conecta ao last mile

Enquanto a logística direta move mercadorias do hub ao cliente, a logística reversa faz o caminho oposto. E o que torna isso complexo é que esse fluxo de retorno raramente é previsível: o cliente decide devolver quando quer, no endereço que quiser, com ou sem aviso.

Sem um processo definido, a logística reversa vira um custo extra que ninguém consegue dimensionar com precisão: motoristas fazendo coletas improvisadas, rotas quebradas para atender um retorno avulso e veículos circulando com capacidade ociosa em uma direção enquanto aguardam coletas na outra.

Como reduzir o custo das coletas e devoluções

A principal alavanca de eficiência na logística reversa é a integração: planejar as coletas de retorno dentro das próprias rotas de entrega, aproveitando a presença do veículo em determinada região para executar a coleta no mesmo deslocamento.

Essa abordagem exige roteirização inteligente: o sistema precisa considerar simultaneamente as entregas e as coletas previstas para cada área, construindo uma rota que maximize a ocupação do veículo nas duas direções.

Planejamento de rotas de coleta junto à entrega

A roteirização combinada, que inclui paradas de entrega e coleta na mesma rota, reduz o custo por km rodado e aumenta a densidade operacional do veículo. Em vez de fazer uma viagem extra para coletar um retorno, o motorista executa a coleta no caminho de volta ou entre duas entregas na mesma região.

O ganho não é apenas financeiro: a coleta mais rápida também melhora a experiência do cliente, que não precisa aguardar dias por um agendamento de retorno.

Como o rastreamento facilita a logística reversa

O acompanhamento contínuo da frota é o que permite ao gestor reagir a imprevistos na logística reversa com agilidade. Quando um cliente entra em contato solicitando uma coleta urgente, o gestor consegue identificar qual veículo está mais próximo do endereço e redirecionar o motorista sem comprometer o restante da rota.

Além disso, o registro preciso de cada coleta, com hora, localização e confirmação, cria o histórico necessário para auditar o processo, identificar gargalos e melhorar continuamente o planejamento.

Como a tecnologia transforma o controle da última milha

A maioria das frotas no Brasil ainda opera de forma reativa: o gestor descobre o problema quando a mercadoria atrasa, o combustível acaba antes do previsto ou uma multa chega. A tecnologia muda esse paradigma e, no contexto do last mile, onde a variabilidade urbana é alta e o tempo de reação precisa ser rápido, essa mudança é decisiva.

Roteirização inteligente: do planejamento à execução

A Jornada de Operação da Cobli é organizada em torno da execução do dia a dia. Através da roteirização inteligente, a plataforma define a sequência mais eficiente de paradas considerando janelas de entrega, distâncias e trânsito, e distribui as rotas entre os motoristas de forma estruturada.

O resultado prático é direto: os motoristas saem para a estrada com um roteiro claro, e o gestor consegue acompanhar se ele está sendo seguido. Quando há desvio, a informação está disponível para uma conversa objetiva, não para uma suposição.

Telemetria veicular: a verdade sobre o que acontece no asfalto

A telemetria é a tecnologia que transforma o comportamento do veículo em dados. Na Cobli, trabalhamos com dois níveis de telemetria que atendem a necessidades diferentes.

Telemetria básica via GPS entrega o essencial para o controle do last mile: localização dos veículos com atualização constante, registro preciso de trajetos e identificação de excessos de velocidade. Para operações que precisam de visibilidade sobre onde cada veículo está e se a rota planejada está sendo cumprida, esse nível já representa um salto significativo em relação à gestão sem dados.

Telemetria avançada via Rede CAN vai além: ela se conecta diretamente à central eletrônica do veículo (ECU) e extrai dados que o GPS não consegue capturar. Velocidade e odômetro lidos na fonte sem depender do sinal de satélite. Nível real do tanque de combustível. Tempo exato de motor ocioso. RPM e eficiência de condução. Uso do cinto de segurança.

É essa precisão que permite ao gestor cruzar o indicador de tempo de motor ocioso com o painel de faixas de RPM, entendendo não apenas quanto tempo o veículo ficou parado, mas como o motorista está conduzindo no trânsito urbano, e calculando o impacto real disso no Custo Total de Propriedade (TCO) da frota.

Videotelemetria: segurança da carga e proteção do motorista

A videotelemetria representa a evolução do monitoramento. Enquanto a telemetria diz o que aconteceu, a videotelemetria revela por quê: o motorista estava distraído pelo celular, foi fechado por outro veículo ou a carga se deslocou na curva.

No contexto do last mile, a câmera veicular cumpre três papéis distintos:

Como a câmera protege a carga contra roubos e fraudes

O roubo de carga no Brasil causa prejuízos bilionários ao setor logístico a cada ano, e a última milha urbana é um dos pontos de maior vulnerabilidade. Veículos que circulam por regiões diversas, fazem paradas frequentes e operam sem supervisão direta são alvos naturais.

A Cobli Cam registra continuamente o interior da cabine e o entorno do veículo, criando um histórico visual de cada viagem. Quando um incidente acontece (seja um roubo, um dano à carga ou uma alegação indevida do cliente), o gestor tem as evidências para apurar o ocorrido com precisão, sem depender de versões contraditórias.

Evidências em vídeo para disputas de entrega

“O produto chegou danificado.” “O motorista não passou aqui.” Disputas como essas são comuns na última milha e frequentemente terminam em prejuízo para a empresa, seja pela indenização, seja pelo custo de uma nova entrega.

Com registros em vídeo vinculados a cada viagem e localizados geograficamente, o gestor tem acesso a evidências concretas para cada alegação. O bom motorista fica protegido de acusações injustas. E os casos reais de descuido ou desvio são identificados com precisão, permitindo uma abordagem corretiva baseada em fatos.

Alertas de comportamento de risco em rotas urbanas

A Cobli Cam com IA identifica comportamentos de risco no momento em que acontecem e emite um alerta sonoro dentro da cabine. Esse alerta imediato é o que permite a mudança de comportamento antes que o risco se transforme em acidente.

No last mile urbano, onde o motorista enfrenta horas de trânsito intenso e dezenas de paradas, a fadiga e a distração são riscos reais e frequentes. A prevenção ativa é o que diferencia uma operação segura de uma operação que aguarda o próximo sinistro.

Tendências da logística last mile no Brasil

A última milha está evoluindo rapidamente, impulsionada pela pressão por entregas mais rápidas, pela expansão do e-commerce e pela necessidade de reduzir custos em um ambiente urbano cada vez mais complexo. Entender as tendências que moldam o setor ajuda o gestor de frota a tomar decisões de infraestrutura e tecnologia com visão de futuro.

Same-day e next-day delivery: a corrida pela velocidade

A entrega no mesmo dia (same-day) e a entrega no dia seguinte (next-day) deixaram de ser diferenciais exclusivos de grandes plataformas e passaram a ser expectativas crescentes de uma parcela expressiva dos consumidores brasileiros.

Para as operações last mile, essa exigência tem um impacto direto: janelas de entrega menores significam menos tempo para reagendar tentativas frustradas, menos tolerância a desvios de rota e maior pressão sobre o planejamento no hub. Operações que não conseguem executar o same-day com consistência enfrentam crescente pressão competitiva,  especialmente em categorias como alimentos, medicamentos e produtos de alto giro.

Dark stores e micro-hubs: a logística se aproximando do cliente

Um dos movimentos mais relevantes no last mile urbano é o encurtamento da própria cadeia. Ao invés de despachar do centro de distribuição na periferia, as empresas instalam pequenos hubs de fulfillment dentro das regiões de maior demanda.

As dark stores são armazéns urbanos que operam exclusivamente para separação e despacho de pedidos online, sem atendimento ao público. Os micro-hubs funcionam como pontos intermediários que recebem cargas consolidadas do CD regional e redistribuem para os entregadores da última milha.

O resultado é uma redução expressiva na distância média percorrida na última milha, o que impacta diretamente o custo por entrega, o tempo de despacho e a viabilidade do same-day delivery.

Eletrificação da frota de entrega e impacto no TCO

Os veículos elétricos avançam no segmento de frotas de entrega urbana. Para o last mile, com rotas curtas, velocidades baixas e retorno diário ao hub para recarga, o perfil de uso é especialmente adequado para a eletrificação.

O impacto no TCO (Custo Total de Propriedade) é significativo: o custo de energia por km percorrido é consideravelmente inferior ao do combustível fóssil, e os veículos elétricos tendem a demandar menos manutenção corretiva, especialmente em componentes de desgaste como freios, que se beneficiam da frenagem regenerativa.

O desafio para os gestores de frota está no planejamento da infraestrutura de recarga e na análise do retorno sobre o investimento inicial, que ainda é mais alto do que o de veículos convencionais. Mas para frotas que operam rotas curtas e retornam à base diariamente, a conta começa a fechar com crescente frequência.

Estudo de caso: como a Riberfoods identificou R$ 1 milhão em potencial de economia

Falar de tecnologia faz sentido quando os resultados aparecem no caixa da empresa no final do mês. A Riberfoods é um exemplo concreto de como a visibilidade sobre a operação transforma a gestão do last mile.

A empresa utilizava uma gestão baseada em percepção: o gestor sabia, de forma aproximada, que havia ineficiência nas rotas, mas não conseguia quantificar onde o dinheiro estava sendo desperdiçado. Sem dados precisos, era impossível saber se o problema estava na roteirização, no comportamento dos motoristas ou na densidade de entregas por rota.

Com a inteligência da plataforma da Cobli, a Riberfoods passou a ter visibilidade detalhada sobre cada rota executada: quilômetros rodados por entrega, desvios em relação ao planejamento e tempo de motor ocioso acumulado por veículo. Essa clareza revelou oportunidades concretas de otimização que não eram visíveis na gestão anterior.

O resultado: identificação de um potencial de economia de mais de R$ 1 milhão por ano, alcançado principalmente pela otimização de rotas e pela drástica redução de quilômetros rodados sem necessidade.

O caso da Riberfoods ilustra um princípio que vemos repetido em operações de diferentes portes: a ineficiência no last mile raramente está em um único ponto. Ela está distribuída em dezenas de pequenas decisões do dia a dia, e só fica visível quando você tem os dados para enxergá-la.

Dê o próximo passo na eficiência da sua última milha

A logística last mile não precisa ser o maior ralo financeiro da sua operação. Com o planejamento adequado, os indicadores certos e o apoio de dados consistentes, pequenos ajustes na rotina evitam o desperdício de recursos e garantem a satisfação do seu cliente.

Ganhe controle total sobre o que acontece no asfalto, do hub à porta do cliente. Fale com um especialista da Cobli e veja o roteirizador em ação na prática da sua frota.

Dúvidas sobre last mile

O que significa last mile na logística?

Last mile, ou última milha, é a etapa final da cadeia logística: o percurso da mercadoria do centro de distribuição ou hub logístico até as mãos do cliente final. É a fase mais cara e complexa da cadeia, concentrando os maiores desafios operacionais.

Qual o percentual do custo total de frete que a última milha representa?

Estudos do setor logístico apontam que a última milha pode representar mais da metade do custo total de frete de uma operação. Essa proporção elevada se explica pela natureza fragmentada da entrega urbana: muitas paradas em distâncias curtas, trânsito intenso e alta taxa de tentativas frustradas elevam o custo por entrega de forma expressiva.

Como calcular a taxa de sucesso na primeira tentativa?

Divida o número de entregas concluídas na primeira tentativa pelo total de entregas despachadas e multiplique por 100. Operações bem geridas buscam manter esse indicador, chamado de OTIF (On Time In Full), acima de 90%. Abaixo disso, o custo de reagendamento e retorno começa a comprometer a margem da operação.

O que é OTIF na logística de entrega?

OTIF significa “On Time In Full”, ou seja: entregue no prazo e completo. É o indicador que mede se a entrega foi concluída com sucesso na primeira tentativa, dentro da janela de tempo acordada e sem divergências no pedido. É um dos KPIs mais utilizados para avaliar a performance do last mile.

Como a roteirização reduz o custo da última milha?

A roteirização define a sequência ideal de paradas considerando distância, janelas de entrega e trânsito da região. Com rotas bem planejadas, o motorista percorre menos quilômetros, gasta menos combustível e consegue realizar mais entregas por turno, reduzindo diretamente o custo por entrega e aumentando a densidade operacional da frota.

Como gerenciar devoluções na última milha?

O caminho mais eficiente é integrar as coletas reversas às rotas de entrega, aproveitando a presença do veículo em determinada região para executar a coleta no mesmo deslocamento. Esse planejamento combinado reduz o custo por km rodado e evita viagens extras exclusivas para retorno. Um sistema de rastreamento com acompanhamento contínuo da frota é o que permite redirecionar motoristas para coletas em tempo hábil.

O que é uma dark store e como ela muda o last mile?

Uma dark store é um armazém urbano que opera exclusivamente para separação e despacho de pedidos online, sem atendimento ao público. Ao posicionar esses mini-hubs dentro das regiões de maior demanda, as empresas encurtam a distância média da última milha, o que reduz o custo por entrega, viabiliza o same-day delivery e melhora a experiência do cliente com entregas mais rápidas.

Por que a última milha é tão cara?

Porque combina vários fatores de ineficiência em espaços pequenos e tempos curtos: trânsito urbano imprevisível, paradas frequentes que elevam o consumo de combustível e o desgaste dos veículos, tentativas frustradas de entrega que geram custo duplo e rotas fragmentadas que reduzem a densidade de entregas por km rodado. Diferente do transporte de longa distância, onde o custo se dilui ao longo de centenas de quilômetros, na última milha cada ineficiência tem impacto imediato no custo por entrega.

Amanda Romualdo

Escrito por

Amanda Romualdo

Analista de Conteúdo na Cobli, Amanda Romualdo utiliza sua formação em Psicologia para estruturar a jornada de conhecimento de milhares de profissionais de logística. Com foco em pesquisa de mercado e tendências, ela é a voz por trás dos principais guias, materiais ricos e newsletters da marca. Sua expertise garante o alinhamento entre as inovações tecnológicas e as necessidades humanas no gerenciamento de frotas, fortalecendo a presença digital e a geração de valor da Cobli.

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