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Sua empresa tem uma frota de caminhões própria ou opera com veículos e motoristas terceirizados?

Independentemente da resposta, é fato que trabalhar com viaturas de grande porte exige uma série de medidas de controle.

Essa necessidade de gestão fica ainda mais evidente ao considerar que, no Brasil, a extensão e a precariedade das estradas representam um enorme desafio.

De acordo com o Ministério da Infraestrutura, são 1.563,6 mil quilômetros de malha rodoviária no território nacional. 

Desse total, 5,3% são de rodovias federais (totalizando 76,5 mil quilômetros) e 94,7% de vias estaduais e municipais.

Por outro lado, também segundo o órgão, apenas 213,5 mil quilômetros, ou 13,7% do total, são pavimentados, enquanto os 86,3% restantes são de rodovias não pavimentadas. 

Elas somam 1.350,1 mil quilômetros de rodovias sem asfalto, o que representa um problema gigante para quem precisa trafegar longas distâncias.

Por aí, já se pode ter uma ideia do tamanho do desafio que é manter uma frota de caminhões sempre ativa e rentável.

É disso que vamos tratar neste artigo, feito para você que está à frente de uma empresa ou gerencia atividades ligadas à logística e cadeia de suprimentos.

Vá em frente e descubra como otimizar os resultados, fazer entregas mais rápidas e lucrar mais.

Importância da gestão de frota de caminhões

Se o problema se limitasse à já citada falta de pavimentação nas estradas brasileiras, o cenário não seria tão ruim e desafiador.

Junto às deficiências estruturais, as empresas de entrega ou que trabalham com veículos terceirizados para transportar cargas enfrentam obstáculos como o roubo de carga.

Conforme apurado pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em 2018, o prejuízo acumulado com esse tipo de crime foi de quase R$ 2 bilhões.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro é o campeão no número de ocorrências, que geram um sério prejuízo econômico.

No ano de 2019, o movimento de cargas em território fluminense foi 18,8% menor, se comparado com o período de fluxo mais intenso, até meados de 2013.

Esse quadro preocupante reforça ainda mais a necessidade por implementar processos e ferramentas para gerir uma frota adequadamente.

Você pode começar pelas dicas que acompanha a seguir.

Grande frota de caminhões

8 Dicas de como administrar uma frota de caminhões

Uma empresa cuja frota trafega em rodovias sem pavimentação, inseguras ou em más condições se arrisca a ter sérios prejuízos em suas operações.

Os riscos envolvidos não dizem respeito somente ao veículo, mas a toda uma cadeia de suprimentos que deixa de ser abastecida – e isso leva a perdas por extensão.

Lembre que um caminhão que transporta uma carga é um elo muito importante na grande rede que mantém a economia do país ativa.

Afinal, é por esse veículo que mais de 80% da produção nacional é escoada, tanto internamente quanto para fora do Brasil, quando ocorre a ligação com os portos.

Isso aumenta a responsabilidade das empresas que fazem o transporte de cargas e, ainda, a necessidade de controlar de perto suas operações.

Para vencer esse desafio, separamos dicas que vão ajudar você a obter melhores resultados e reduzir os riscos inerentes ao transporte de carga por veículos pesados.

Acompanhe!

1. Manutenção de frota de caminhões

Um interessante estudo acadêmico, assinado por Filipe Rios Viana, na faculdade de Engenharia de Produção da Universidade Federal de Santa Maria (RS), estimou que a vida útil de um caminhão é de cerca de seis anos, quando deve ser então substituído por um veículo novo.

Tendo em vista que esse é um período relativamente curto, cabe à empresa responsável pela frota de caminhões ou da sua terceirização vigiar de perto a manutenção, até mesmo para aumentar a vida útil deles.

É preciso considerar que há empresas que não têm uma capacidade de investimento que permita trocar os veículos em um prazo assim tão pequeno.

Nesse sentido, a boa notícia é que, apenas com a manutenção básica, é possível fazer pequenos “milagres” que, de místicos, não têm nada.

Depois de ler nosso artigo, veja bons exemplos citados no blog Transporte Mundial, sobre caminhões que passaram de 1 milhão de km rodados sem precisar de altos investimentos.

São casos que só aumentam a importância de se realizar vistorias periódicas na frota e de cuidar de procedimentos básicos, como troca de óleo, pastilhas de freio e outros componentes.

2. Faça o planejamento das rotas

Você se lembra do antigo jogo Pac-Man

Em um labirinto cheio de inimigos, o simpático herói tinha que se desdobrar para comer todas as frutas e escapar das ameaças de um trajeto cheio de perigos.

Trafegar nas estradas brasileiras é mais ou menos como estar no labirinto desse game clássico, mas com uma diferença fundamental: se o caminhão for “pego”, é game over na certa.

Felizmente, para minimizar esse risco, é possível usar  uma ferramenta de gestão de frotas indispensável: o planejamento de rotas.

Um ótimo exemplo de como rotas planejadas contribuem para o sucesso vem da multinacional de entregas UPS.

Depois de avaliar dados em massa dos aparelhos de GPS dos veículos, os especialistas da companhia chegaram a uma surpreendente conclusão: rotas com conversões à esquerda devem ser proibidas.

Com essa simples medida, a empresa diz poupar por ano cerca de 38 milhões de litros de combustível

No Brasil, país em que a maior parte da malha rodoviária sequer é asfaltada, antecipar uma rota é questão de sobrevivência e uma medida de controle indispensável.

E na sua empresa, as rotas são planejadas ou você faz o mesmo percurso que a maioria?

Aproveite para ler também o nosso artigo sobre roteirização.

3. Treine e dê orientação para motoristas e pessoal de apoio

Não há como administrar uma frota de caminhões se preocupando apenas com os veículos.

Afinal, como estão os condutores, que são os principais responsáveis por concluir as entregas com segurança e dentro do prazo?

Nesse sentido, a melhor prática de gestão é orientar e educar seus motoristas.

Comece conscientizando quanto à Lei 13.103/2015, que prevê oito horas diárias de jornada com até duas horas extras por dia (ou quatro, desde que definido em acordo ou convenção coletiva). 

A limitação existe para evitar que motoristas dirijam cansados, o que eleva o risco de acidentes.

Mas ela não deve ser encarada como um convite a pisar mais forte no acelerador, o que também exige a intervenção de quem administra a frota.

O treinamento, nesse caso, serve para transmitir as melhores práticas às equipes, o que vai além de respeitar a lei e inclui dirigir de forma defensiva, checar os pneus, não usar o celular ao volante e evitar o motor ocioso (ligado apenas para ouvir rádio ou aproveitar o ar condicionado).

Gerenciamento de pneus em frota de caminhões

4. Gerenciamento de pneus em frota de caminhões de carga

É bastante conhecido no meio dos profissionais de logística e de transporte de carga o termo “ladrões de quilometragem” ao se referir a fatores que reduzem a vida útil dos pneus.

Essa é uma expressão criada pela Bridgestone, uma das maiores fabricantes de pneumáticos do mundo, com autoridade de sobra para falar sobre o assunto.

A empresa cita cinco fatores que, somados, podem encurtar drasticamente a durabilidade de pneus em geral.

São eles:

  • Falta de alinhamento
  • Falta de balanceamento
  • Deixar de controlar a pressão dos pneus
  • Inadequação do desenho de banda – usar pneus dianteiros no eixo traseiro, por exemplo
  • Emparelhamento incorreto – misturar pneus novos e usados/recauchutados em um mesmo eixo.

Olhe mais de perto para esses cinco elementos para que seus caminhões rodem mais e melhor.

5. Rastreamento de frota de caminhões

Por mais treinados que seus motoristas sejam, nada garante que eles se manterão nas rotas planejadas o tempo todo, certo?

Além disso, ao longo de um trajeto, o caminhão apresenta variações no consumo de combustível, tempo parado no trânsito e até na quantidade de frenagens realizadas. 

Isso sem contar a quantidade de conversões à esquerda, a “descoberta do século” para profissionais de logística.

Esses fatores aumentam a demanda por dispositivos e ferramentas que permitam à frota ser rastreada em tempo real.

Dessa forma, sua empresa não só consegue se antecipar aos desafios do tráfego em rodovias, mas acumula dados valiosos para apoiar suas tomadas de decisão.

O rastreamento de frotas é, sem dúvida, um grande aliado na gestão de uma frota de caminhões.

Não deixe de implementá-lo para aumentar a eficiência das suas rotinas de transporte em todos os sentidos. 

6. Controle os custos para não ter que gastar

A partir do rastreamento, você ganha muito mais controle e, com isso, terá uma ideia mais exata dos custos que seus caminhões geram.

Especialistas recomendam, por exemplo, que a direção seja sempre regular, com frenagens e acelerações graduais.

Isso tem a ver com a parte do treinamento já destacada, mas é um problema que também pode ser detectado pelo rastreamento.

O mais importante é que, ao perceber de onde vem o gasto excessivo, a empresa se coloque em condições de evitá-lo.

Mas, para ter esse conhecimento, é preciso investir em mecanismos de controle. 

7. Fique de olho no combustível

Outro fator que pode levar o caminhão a ter seus custos de manutenção elevados é a qualidade do combustível.

Aqui, cabe um alerta: nem sempre o gás é uma alternativa vantajosa em relação ao diesel, como aponta esta reportagem da Folha de São Paulo.

Logo, além da procedência do combustível que entra no tanque de um caminhão, é necessário também avaliar os custos de conversões para o GNV.

Nunca é demais lembrar que combustível adulterado causa sérios danos ao motor.

Por isso, é sempre válida uma inspeção visual para verificar seu o Diesel está “batizado” ou não.

Sendo assim, o motorista deve prestar atenção ao aspecto visual e à cor do combustível, que deve ser límpido, livre de partículas.

8. Software para controle de frota de caminhões

Outra aliada imprescindível para empresas que operam com frota de caminhões é a tecnologia.

Softwares de controle desenvolvidos para gestão de frotas promovem um verdadeiro salto de qualidade.

E é assim porque eles eliminam o retrabalho e permitem fazer mais com menos recursos.

A tecnologia é útil, inclusive, para fazer a manutenção dos pneus, ajudando a prever o momento certo para trocas.

Também permite que o gestor saiba em tempo real o momento em que uma ocorrência acontece em uma estrada.

Muitas outras funções podem ser cumpridas quando se tem um software ou sistema de gestão desenvolvido com a finalidade de gerir frotas.

É um investimento seguro e, acima de tudo, a um custo muito mais acessível.

Organizando a frota de gaminhões

Checklist: Como organizar uma frota de caminhões

Não basta apenas adquirir ou contratar caminhões sem critério e achar que os resultados vão aparecer naturalmente.

Quando se trabalha com frotas, uma série de fatores impacta diretamente nos resultados – alguns deles mapeados por especialistas no assunto.

Esses profissionais apontam para algumas dicas que devem ser observadas e colocadas em prática para estruturar uma frota. 

Vamos a elas?

Estude a supply chain em que sua empresa opera

O supply chain, ou cadeia de suprimentos, é como se fosse uma grande teia e, sendo assim, cada uma delas terá um desenho distinto.

Uma rede de distribuição de medicamentos, por exemplo, é bem diferente de uma destinada a suprir o mercado com leite e derivados.

Por isso, é fundamental que você conheça o terreno em que pisa, estudando os fatores mais relevantes da sua própria supply chain

Tempo de percurso, quantidade de pedágios, índice de assaltos e de acidentes são alguns dos fatores mais relevantes a se considerar. 

Selecione os tipos de veículo criteriosamente

Será que um caminhão toco é mesmo o mais indicado para o tipo de operação em que sua empresa atua?

Em alguns casos, vale mais a pena investir em uma frota de veículos de carga ligeiros.

Um Veículo Urbano de Carga (VUC), por exemplo, pode ser a melhor alternativa para quem trabalha em centros urbanos. 

Afinal, por ter dimensões compactas, ele consegue escapar das restrições de tráfego em metrópoles como São Paulo, ampliando a sua capacidade de entrega.

Avalie a possibilidade de terceirizar mão de obra e veículos

O debate entre defensores da frota própria e os da frota terceirizada não tem fim.

De fato, se considerarmos os prós e contras de cada modelo de gestão, fica até difícil apontar com segurança qual a melhor opção.

Para facilitar, enumeramos algumas vantagens das frotas próprias e terceirizadas para você decidir, considerando a realidade da sua empresa:

Veículos próprios

  • São painéis publicitários ambulantes, vendendo a imagem da sua empresa
  • Permitem trabalhar com mais horários, aumentando a sua capacidade de cobertura 
  • Maior autonomia para exercer o controle e a gestão.

Veículos terceirizados

  • Custos previsíveis e estipulados em contrato
  • Libera mão de obra e recursos da sua empresa
  • É um serviço especializado e, por isso, mais ágil para se atualizar em relação aos avanços do setor.

Fique de olho na tabela de frete

Você deve se lembrar da greve dos caminhoneiros de 2018 e das consequências que ela trouxe para a economia do país e de muitas cidades brasileiras.

Pois uma das conquistas que ela produziu para a classe dos caminhoneiros foi a instituição da chamada Tabela de Frete pela Resolução nº 5.820.

Essa tabela é indispensável na hora de cotar o preço do transporte de carga.

Seu descumprimento gera multas superiores a R$ 10 mil para quem contratar o serviço de forma errada.

Por ela, o custo do frete pode ser maior ou menor, dependendo do tipo de caminhão que se emprega no transporte.

Como exemplo, podemos destacar que o frete em um caminhão de 5 eixos com carga neogranel sem frete retorno e 200 quilômetros rodados sai a R$ 1.980,00.

Já o transporte de carga perigosa em um caminhão de 8 eixos, com 900 quilômetros rodados custa, pela tabela, R$ 8.928,00.

Nunca deixe de consultá-la antes de contratar, já que, uma vez fechado negócio, não tem mais volta. 

Um custo de frete mal avaliado pode representar um sério desfalque para sua empresa e, nesse sentido, a Tabela de Frete serve também para orientar gestores de frota em geral.

Frota de caminhões nas estradas

Reavalie seus processos em uma frequência definida

Não existe operação logística à prova de falha. 

Por melhores que sejam os recursos e mecanismos de controle, sempre há espaço para avançar.

Dessa forma, procure nunca se acomodar com bons resultados ou com uma conjuntura favorável. 

A economia está o tempo todo sendo impactada por acontecimentos em nível local, nacional e global, como mostra a recente crise causada pelo coronavírus.

Em gestão de frotas, os bons princípios de gestão enxuta e a metodologia Lean são perfeitamente aplicáveis. 

Eles permitem, entre outros benefícios, implementar ferramentas e processos constantes para melhoria contínua.

Quem tem a maior frota de caminhões do Brasil?

Antes de finalizarmos o artigo, aqui vai uma curiosidade.

Você sabe quem tem a maior capacidade de fazer entregas de caminhão em nosso país?

Pois um levantamento feito no 22º Salão Internacional do Transporte de Cargas chegou à conclusão de que a número um nesse segmento é a JSL, que já foi mais conhecida como Julio Simões.

Seus números são:

  • Caminhões – 2.122
  • Implementos – 4.368
  • Total – 6.490 unidades.

Conclusão

Ainda que tenha desafios muito grandes a serem superados, é indiscutível que a operação de frota de caminhões na cadeia logística é um processo dos mais estimulantes.

Como em todo segmento profissional, cabe ao gestor da área se manter sempre atualizado e bem informado sobre tendências, inovações e boas práticas.

Uma boa prática nesse sentido é acompanhar o blog da Cobli. Afinal, nossa especialidade é prover inteligência e monitoramento de frotas.

Esta publicação te ajudou? Confira essa e outras explicações sobre questões de logística e gestão de frota em nosso blog

Rastreador veicular 1 - Frota de caminhões: Como gerir de forma estratégica
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