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Que atenção você dá à manutenção preventiva na sua empresa?

Estamos falando de cuidados realizados regularmente em peças, equipamentos, veículos e hardwares.

Todos eles com o objetivo de evitar uma parada inesperada e não programada, o que poderia comprometer as entregas a seus clientes.

A estratégia compreende um conjunto de ações que têm por objetivo reduzir a chance de falhas ocorrerem.

Por isso, é utilizada quando o bem avaliado está em funcionamento – e não quando ele já apresenta um problema que atrapalha ou impede a sua operação.

Como você verá nos próximos tópicos deste texto, investir na manutenção preventiva agrega em economia, segurança e qualidade a seus processos.

Avance na leitura e descubra como colocar essa estratégia em prática.

O que é manutenção preventiva?

Manutenção preventiva é um conjunto de ações de controle e monitoramento aplicadas para conservar um determinado bem nas melhores condições possíveis.

Por isso, é uma estratégia voltada a bens móveis e imóveis, da sua casa ao seu automóvel, de máquinas a equipamentos, representando também um importante componente da gestão de frotas no meio corporativo.

Há um ditado popular que resume bem o conceito. É aquele que diz que “prevenir é melhor do que remediar”. 

Assim, quando adotamos uma postura preventiva, estamos nos colocando em posição de evitar que um mal maior aconteça.

É diferente da reativa, que, como o nome indica, nada mais é do que uma reação a um problema já existente.

Vale dizer ainda que existem diferentes maneiras de implementar rotinas de manutenção preventiva.

Dependendo do tipo de bem envolvido, da intensidade de uso e de outros fatores, é possível disparar os chamados “gatilhos” de manutenção.

Falaremos sobre eles agora.

Tempo

Empresas que operam com equipamentos críticos, cuja parada possa impactar drasticamente a operação e as entregas, têm na manutenção preventiva com base no tempo uma opção segura. 

É o caso, por exemplo, de quem trabalha com frotas e pode ter a cadeia logística comprometida se um veículo falhar. 

Nesse cenário, a manutenção realizada em períodos regulares contribui para evitar a paralisação das atividades.

Utilização

Os gatilhos de manutenção baseados no uso são acionados após uma certa quantidade de quilômetros, horas ou ciclos produtivos. 

Um exemplo é um veículo programado para manutenção a cada 10.000 quilômetros. 

Embora seja um método amplamente empregado, a manutenção por uso deve ser avaliada com bastante cautela. 

Afinal, no caso dos veículos, é possível que fatores imprevistos acelerem o desgaste de peças, podendo exigir a manutenção antecipada.

Faça a manutenção preventiva na mecânica

Qual é o objetivo da manutenção preventiva?

A manutenção preventiva se presta a uma série de objetivos. 

Conduzida regularmente, ela serve para:

  • Minimizar a possibilidade de interrupção imprevista de uma linha de produção ou de grandes avarias, descobrindo eventuais condições que possam levar a isso
  • Tornar instalações, equipamentos e máquinas sempre disponíveis e prontas para uso
  • Preservar o valor dos equipamentos e máquinas por meio de inspeções, reparos e revisões gerais
  • Reduzir a quantidade de trabalhos de manutenção
  • Manter a eficiência produtiva dos equipamentos e máquinas em níveis ideais
  • Manter a precisão operacional dos equipamentos e/ou veículos
  • Alcançar a produção máxima a um custo de reparo mínimo
  • Garantir a proteção dos trabalhadores, juntamente com equipamentos e máquinas e veículos
  • Manter a capacidade operacional da planta como um todo.

Importância da manutenção preventiva – Veja 3 vantagens

A falta de manutenção é o melhor exemplo do barato que sai caro. 

Afinal, esse descuido pode levar à parada de veículos e equipamentos, resultando em interrupção de atividades e atrasos na entregas.

Nesse cenário, a mão de obra acaba por ficar ociosa e, quando as condições normais são restabelecidas, se vê forçada a trabalhar dobrado para compensar o tempo perdido.

Cabe também destacar que toda operação que precisa ser interrompida, quando volta ao normal, corre o risco de perder qualidade

Por esses e muitos outros motivos, a manutenção preventiva é de extrema importância, ainda mais se levarmos em conta fatores como os três que vamos pontuar agora:

1. Sai muito mais em conta

Uma análise rápida já é suficiente para concluir que o custo das rotinas de manutenção preventiva é bem menor do que ações de correção.

Afinal, sai muito mais barato trocar o óleo de um veículo dentro da quilometragem programada do que ter que retificar um motor, por exemplo.

O mesmo raciocínio se aplica a todo tipo de máquina industrial, equipamento de segurança e até mesmo de informática.

2. Aumenta a vida útil de veículos e equipamentos

Bens submetidos a rotinas de manutenção preventiva duram mais do que aqueles que trabalham até falhar, sem nenhum tipo de controle e monitoramento.

Cabe observar que o tempo empregado em uma ação preventiva é muito menor do que uma de caráter corretivo.

Sobre esse aspecto, é preciso considerar a relação custo-benefício. 

Vale mais a pena usar uma máquina ou veículo até que ele deixe de funcionar ou parar regularmente seu funcionamento e, assim, aumentar sua vida útil?

O que a experiência e estudos de caso mostram é que a prevenção é o melhor meio para garantir a longevidade de bens fundamentais ao seu negócio.

3. É mais seguro do que deixar quebrar

Não se pode deixar de destacar que bens em mau estado de conservação representam um perigo para seus operadores e pessoas próximas.

Segundo o Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, máquinas e equipamentos foram responsáveis por 528.473 acidentes de trabalho entre 2012 e 2018.

Desse total, quase 30 mil foram fatais ou com danos físicos irreversíveis. 

Embora acidentes com máquinas e veículos possam ser causados por negligência ou imperícia, o seu estado de conservação também contribui decisivamente.

Afinal, um equipamento em condições precárias oferece muito mais riscos de acidentes.

E é preciso considerar ainda que, além do prejuízo material causado pela sua paralisação, há o pesado custo da mão de obra que se perde. 

Seja temporário ou definitivo, o afastamento de um trabalhador é sempre um peso grande para qualquer empresa. 

Manutenção preventiva evita imprevistos

Qual a diferença de manutenção preventiva, corretiva e preditiva?

Conceitualmente, a manutenção se divide em duas ramificações: a planejada e a não-planejada. 

Essa última compreende as ações de manutenção corretiva. Logo, se aplicam apenas aos casos nos quais uma máquina apresenta defeito ou deixa de funcionar.

Por sua vez, a manutenção planejada pode ser classificada em preventiva ou preditiva.

Conheça, agora, as características de cada uma delas e as diferenças em objetivos e efeitos causados.

1. Manutenção preventiva 

Como você já viu ao longo da leitura, a manutenção preventiva tem como foco principal prevenir uma falha ou quebra no equipamento. 

Também é útil para reduzir a velocidade de desgaste de veículos, máquinas e dispositivos em geral.

Assim sendo, é uma intervenção prevista, ou seja, que deve ser preparada e programada antes que uma falha venha a acontecer.

Nesse aspecto, é fundamental que todos os serviços de manutenção sejam planejados minuciosamente. 

Como exemplos de manutenção preventiva, podemos citar:

  • Revisões periódicas de veículos e máquinas
  • Lubrificações de rotina
  • Inspeções e vistorias de equipamentos
  • Planos de aferição e calibração de instrumentos.

Não custa lembrar que a manutenção preventiva também pode ser executada em virtude das condições do veículo ou equipamento. 

É o que acontece, por exemplo, quando se faz necessário reparar avarias, fazer reformas ou mesmo uma revisão geral.

2. Manutenção corretiva

A manutenção corretiva se realiza quando um bem apresenta componente irregular ou com mal funcionamento, demandando a sua substituição.

Normalmente, se faz necessária em duas ocasiões. 

Uma é quando uma falha inesperada acontece. Outra é quando se detecta algum defeito que, no futuro, possa causar um problema maior.

É por isso que a manutenção corretiva se divide em dois subtipos: a corretiva não planejada e a corretiva planejada.

Na manutenção corretiva não planejada, os serviços são realizados depois de se identificar erros ou falhas. 

Esse tipo de manutenção gera custos mais elevados, se comparada com a manutenção corretiva planejada, que acompanha as operações com o objetivo de corrigir algum erro antes que ele venha a se consumar.

De qualquer forma, a manutenção corretiva não é uma vilã. 

Em muitos casos, ela é uma forma de evitar o retrabalho. 

Desde que planejada, reduz o tempo de execução de tarefas e contribui para evitar quebras de produção.

3. Manutenção preditiva

Por fim, a manutenção preditiva consiste no acompanhamento periódico de equipamentos ou máquinas por meio de dados coletados em rotinas de inspeção.

Sendo assim, é preciso contar com as ferramentas e pessoas capazes de realizar ações de manutenção preditiva em procedimentos como:

  • Inspeção visual
  • Análise de vibração 
  • Ultrassom
  • Análise de ruídos.

Pela manutenção preditiva, pode-se prever o tempo de vida útil de máquinas, veículos e seus componentes para definir formas de otimizar esse prazo.

Resumidamente, ela é representada por todo tipo de inspeção que se faça para averiguar em que condições máquinas e veículos se encontram.

Não por acaso, alguns dos objetivos da manutenção preditiva são:

  • Aumentar a durabilidade de máquinas e equipamentos
  • Eliminar a necessidade de desmontagens para inspeção
  • Determinar com antecedência se será necessária a manutenção de uma ferramenta, componente ou máquina
  • Diminuir a quantidade de ações corretivas emergenciais
  • Mitigar os danos.

Considerando os objetivos, é certo dizer que a manutenção preditiva tem finalidades das mais nobres: aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, reduzir os custos com manutenção.

É preciso agendar a manutenção preventiva

Como fazer e planejar a manutenção preventiva

A manutenção preventiva não é uma opção. 

Trata-se de uma obrigação, conforme o texto da Norma Regulamentadora nº12 (NR 12), que fala sobre a segurança no trabalho, máquinas e equipamentos.

Seu texto também é claro ao expressar que a manutenção preventiva é um dos requisitos fundamentais exigidos das empresas para evitar acidentes e prevenir doenças do trabalho.

Nela, também podem ser encontradas indicações para estruturar um ambiente laboral sem riscos para os trabalhadores – no tópico “Arranjo físico e instalações”.

Seguindo as indicações do que diz a norma, podemos listar algumas medidas indispensáveis para o planejamento e a execução da manutenção preventiva.

Vamos a elas?

Selecione a mão de obra 

Não se faz manutenção, independente de qual seja, sem gente qualificada. 

Por isso, antes mesmo de começar a elaborar o seu plano de manutenção preventiva, é importante ter as pessoas certas para que seja colocado em prática. 

Essas pessoas devem estar em permanente contato.

Por isso, garanta que elas terão os meios para se comunicar em tempo real e para coletar feedbacks uns dos outros.

Crie planos de trabalho organizados

A organização das rotinas de manutenção começa com a seleção das máquinas e veículos que vão receber os cuidados. 

De um lado, ficam aqueles que serão alvo da manutenção preventiva e, de outro, os que não demandam esse tipo de ação. 

Para cada tipo de bem avaliado, a equipe responsável pela manutenção deverá elaborar inventários. 

Nesse documento, cada item deverá ser catalogado e registrado com o máximo de dados possíveis. 

Ano de fabricação, consertos já realizados, tempo em atividade na empresa e outros que sejam relevantes devem ser levantados.

Com essa base de dados, os profissionais se habilitam a criar rotinas organizadas por tempo, por utilização ou por outro parâmetro que julgarem apropriado.

Defina claramente os objetivos

A manutenção preventiva exige também uma definição clara de metas e KPIs (indicadores de desempenho) em relação aos planos de trabalho.

Ou seja, ela deve estar alinhada às metas da empresa. 

Por isso, líderes e gestores devem acompanhar a regularidade dessas consultas e se os objetivos estão em conformidade com os padrões de qualidade esperados.

Organize as operações

Intervenções preventivas são sempre acompanhadas de documentos como planilhas, listas de equipamentos, relatórios de implementação e leitura. 

Isso porque as etapas de uma intervenção devem sempre ser executadas de acordo com um cronograma e conforme os resultados dos dados coletados dos índices de operação. 

O período de revisão, por exemplo, pode ser baseado pelo histórico ou por recomendações do fabricante – algo muito comum na gestão de frotas de veículos, por exemplo.

Escolha bons mecânicos para a manutenção preventiva

Frequência da manutenção preventiva

Todas as etapas anteriormente descritas fazem parte do chamado plano de manutenção preventiva. 

Nesse caso, vale resgatar o que diz a norma ABNT NBR 5462/1994, segundo a qual manutenção preventiva consiste em:

“Manutenção efetuada em intervalos predeterminados, ou de acordo com critérios prescritos, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item.

Repare que a principal característica desse tipo de manutenção é a sua periodicidade. 

Assim sendo, é a partir do fator tempo que o seu plano deverá ser elaborado.

Tendo essa preocupação em mente, não deixe de considerar ainda os seguintes dados:

  • Serviços que serão realizados
  • A periodicidade desses serviços
  • Os responsáveis pela sua execução identificados por nome, função ou cargo
  • Recursos necessários para a execução dos serviços como ferramentas, peças e materiais
  • Custo de cada serviço por unidade e o custo total
  • O tempo a ser gasto em cada serviço
  • Máquinas, ferramentas e dispositivos necessários.

Por todos esses fatores, a frequência da manutenção preventiva pode ser bastante variável. 

Tudo vai depender dos números levantados e da própria disponibilidade de recursos.

O que deve ser verificado na manutenção preventiva – Confira exemplos

Em veículos, a prevenção é sempre a melhor forma de garantir que uma frota opere em condições de cumprir rotas e cronogramas. 

Nesse caso, vale prestar bastante atenção à manutenção dos itens que relacionamos a partir de agora.

1. Sistema de transmissão

Aqui, temos componentes como a caixa de marcha, embreagem, correias, pedais e demais peças. 

Com a manutenção preventiva, é possível prolongar bastante a vida útil desse sistema, contribuindo para que dure por muitos anos sem precisar de troca.

2. Sistema elétrico

Já a parte elétrica é a responsável por realizar o acionamento de luzes, buzinas e de retroalimentar a bateria do veículo quando ele está parado e em movimento. 

Faróis, fios e caixa de fusíveis são alguns dos componentes essenciais nesse sistema.

3. Sistema de frenagem

A segurança de todo veículo automotor depende do bom estado do seu sistema de frenagem. 

Pastilhas de freios, ligações de cabos e o pedal, servo freio, fluido e cilindro mestre são os principais componentes a monitorar.

4. Sistema de arrefecimento

O sistema de arrefecimento, por trabalhar em silêncio, pode passar batido e deixar de ser alvo de manutenção periódica – o que seria um erro.

Acontece que ele é tão importante para o funcionamento de um veículo como qualquer outro sistema.

Portanto, nada de relaxar com as inspeções. 

Nesse caso, é preciso estar atento a componentes como:

  • Aditivo
  • Bomba d’água
  • Cebolinha 
  • Radiador
  • Ventoinha
  • Reservatório
  • Válvula termostática.
Manutenção preventiva de caminhões

Plano de manutenção preventiva de carros e caminhões [Check list]

Chegando ao final do texto, queremos reforçar tudo que não pode ficar de fora de um plano de manutenção preventiva para caminhões e automóveis.

Então, construa um check list que observe estes itens:

  • Freios
  • Óleo do motor
  • Filtros
  • Pneus
  • Suspensão
  • Palhetas do limpador
  • Sistema elétrico
  • Módulo de injeção
  • Sistema de refrigeração.

Tudo anotado? Agora, é só construir o seu plano a partir das próprias necessidades de manutenção preventiva.

Conclusão

Prevenção é a palavra de ordem quando se trata de qualquer demanda de manutenção.

Se, na sua empresa, os veículos estão sempre recebendo esse tipo de cuidado, então, você tem meio caminho andado para ter resultados progressivamente melhores.

Porém, se a manutenção corretiva não planejada tem sido mais frequente, use o que você acaba de ler como um guia para melhorar.

No blog da Cobli é assim: informação útil que faz toda a diferença no seu dia a dia.

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Manutenção de frota - Manutenção preventiva: O que é, importância e como fazer

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