A etapa final da jornada que um produto faz até chegar à porta do consumidor é a mais importante. O last mile, ou “última milha”, é justamente o trecho que concentra uma parte significativa dos desafios e custos da logística.
No Brasil, onde a complexidade da infraestrutura e a diversidade geográfica fazem desse processo um verdadeiro quebra-cabeça, entender como otimizar essa fase pode ser a chave para transformar sua operação logística.
A última milha apresenta desafios que vão desde questões operacionais até as exigências crescentes dos consumidores por entregas rápidas e eficientes. Nesse contexto, a busca por estratégias para aumentar a eficiência e reduzir custos estão redefinindo o cenário logístico brasileiro.
Continue lendo para entender o que significa last mile na logística, como essa etapa opera no cotidiano das entregas e, sobretudo, estratégias e técnicas eficazes para melhorar a cadeia de suprimentos.
Índice:
O que é o conceito de last mile?
Já parou para pensar no caminho que um produto percorre até chegar à sua porta? Essa etapa final do processo de entrega, conhecida como “last mile” ou última milha, é um dos maiores desafios do mundo da logística.
Basicamente, last mile é a etapa final da cadeia de suprimentos, onde os produtos são transportados do centro de distribuição ou armazém até a entrega nas mãos do consumidor. Apesar do nome sugerir uma curta distância, a last mile é uma fase essencial e cheia de complexidades.
O estágio final da jornada de venda é o momento que o cliente tem contato direto com o serviço de entrega. Sendo assim, uma experiência positiva pode transformar a sua percepção sobre a loja e fidelizar clientes. Por outro lado, atrasos, falhas ou problemas na entrega podem gerar frustração e até afastar futuros negócios.
Além disso, é na última etapa que concentram os maiores custos logísticos — enquanto o manuseio e armazenagem representam 15% e 20%, respectivamente, o processo de entrega chega a configurar 50%.
Panorama sobre last mile no Brasil
O panorama do last mile no Brasil tem evoluído significativamente nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e pelas demandas cada vez maiores dos consumidores por entregas ágeis.
O comércio eletrônico no Brasil tem experimentado um crescimento exponencial, sobretudo após a pandemia de COVID-19, que acelerou a digitalização do consumo. Com mais pessoas comprando online, a demanda por soluções de last mile eficientes aumentou drasticamente, pressionando as empresas de logística a se adaptarem rapidamente.
Segundo dados da Abcomm Forecast, o Brasil já soma mais de 90 milhões de compradores virtuais. No entanto, o país enfrenta desafios únicos no que diz respeito à logística de last mile.
A geografia diversificada, com vastas áreas urbanas e rurais, torna a distribuição um processo complexo. Além disso, a infraestrutura de transporte em algumas regiões ainda é deficiente, o que demanda uma organização detalhada e, mesmo assim, pode causar atrasos e aumentar os custos operacionais.
Outro fator preocupante na última milha é a falta de segurança. Em 2023, foram registradas 17.108 ocorrências de roubo de cargas, o que representa uma alta de 4,8% em comparação com 2022.
Apesar das dificuldades, o futuro do last mile no Brasil parece promissor, com muitas oportunidades para inovação e crescimento. A adoção de tecnologias emergentes, a melhoria da infraestrutura e a crescente conscientização sobre a sustentabilidade são fatores que devem continuar a impulsionar a evolução desse segmento.
Empresas que conseguirem se adaptar rapidamente às mudanças e às demandas do mercado estarão bem posicionadas para prosperar e crescer no mercado logístico brasileiro.

As 03 fases da logística
Quando pensamos na entrega de um produto, muitas vezes não percebemos todo o trabalho envolvido para que ele chegue às nossas mãos.
A logística, essencial para essa jornada, pode ser dividida em três fases principais: First mile, Middle mile e Last mile. Cada uma com suas características e responsabilidades para que as encomendas cheguem em segurança até o consumidor final.
A seguir, compreenda o que cada uma dessas etapas significa.
First Mile: o início da jornada
A fase conhecida como first mile representa o início da cadeia logística. Ela envolve todas as atividades necessárias para transportar as mercadorias desde a origem, que pode ser o local de produção ou o fornecedor, até o primeiro centro de distribuição.
Esse primeiro ponto de distribuição pode ser um centro de consolidação ou um armazém, dependendo da estrutura. Durante essa etapa, é importante garantir que os produtos sejam devidamente embalados, rotulados e preparados para a viagem.
Nesse momento, a eficiência na first mile é crucial para evitar atrasos e problemas nas etapas seguintes.
Middle Mile: a conexão entre centros de distribuição
A fase do middle mile ocorre no transporte das mercadorias entre centros de distribuição, armazéns ou outros pontos intermediários da cadeia logística. Esta parte do ciclo pode envolver longas distâncias e geralmente utiliza modais de transporte como caminhões, trens, navios ou aviões.
O foco principal no middle mile é a eficiência no transporte em larga escala, garantindo que os produtos cheguem rapidamente ao centro de distribuição final ou a um armazém regional.
Last Mile: a entrega ao cliente
A fase do last mile é a etapa final da logística, onde os produtos são entregues diretamente ao cliente. No geral, é a fase mais desafiadora e cara, pois envolve a entrega em áreas urbanas densas, ruas estreitas e, muitas vezes, entregas porta a porta.
Entretanto, a eficiência no last mile é primordial para a satisfação do cliente, pois envolve pontualidade e precisão na entrega. Entender e otimizar cada uma dessas etapas é essencial para melhorar a eficiência da cadeia logística como um todo, garantindo que os produtos cheguem ao consumidor de maneira rápida, segura e econômica.
Impactos do last mile na operação logística
Embora possa parecer simples, a última milha é uma das mais complicadas e desafiadoras da logística.
O last mile é notoriamente conhecido por ser a fase mais cara do processo de entrega. Nesse estágio final, cada mercadoria sai do centro de distribuição em direção ao endereço do cliente, o que envolve a movimentação de pequenos volumes de mercadorias diretamente para os consumidores.
O custo de transporte é elevado devido ao uso intensivo de combustível, manutenção de veículos e a necessidade de uma logística altamente precisa e flexível. Além disso, as entregas individuais aumentam o custo por unidade entregue, impactando significativamente a margem de lucro das empresas.
Gerenciar o last mile é um verdadeiro quebra-cabeça logístico. Os operadores precisam lidar com inúmeros desafios, entre eles:
- tráfego intenso;
- restrições de estacionamento;
- acessos limitados;
- endereços errados;
- encontrar alguém no local que possa receber a encomenda.
Diante desse cenário, qualquer erro ou atraso pode resultar em insatisfação do cliente, devoluções e custos adicionais com novas tentativas de entrega. Além disso, as entregas em áreas rurais ou de difícil acesso também apresentam desafios logísticos significativos, exigindo uma coordenação ainda maior.

Como funciona o last mile?
O last mile não é só retirar a mercadoria no centro de distribuição e levar até o consumidor. A realidade é que essa fase envolve uma série de operações complexas e detalhadas.
Preparação no centro de distribuição
Tudo começa no centro de distribuição, onde os pedidos dos clientes são separados e preparados para a entrega. Locais como transit point e cross docking contam com estrutura moderna e enxuta, o que permite uma dinâmica rápida para que as mercadorias não fiquem mais do 24 horas no armazém.
O uso de tecnologia, como sistemas de gerenciamento de armazém (WMS), ajuda a otimizar a entrega, permitindo que os operadores rastreiem e organizem os pedidos de maneira eficiente.
Planejamento e roteirização
Uma vez que os pedidos estão prontos, a próxima etapa é planejar as rotas de entrega. O planejamento envolve a análise de vários fatores, como localização dos clientes, condições de tráfego, restrições de tempo e disponibilidade de recursos.
Ferramentas de roteirização inteligente são essenciais nesse estágio, ajudando a otimizar as rotas para reduzir o tempo de entrega, economizar combustível e maximizar a eficiência.
Carregamento dos veículos
Após o planejamento das rotas, os pedidos são carregados nos veículos de entrega. Porém, o carregamento deve ser feito de maneira organizada para facilitar a distribuição eficiente.
A disposição correta dos pacotes dentro do veículo pode reduzir o tempo necessário para encontrar e entregar cada pedido, além de garantir que as mercadorias sejam transportadas de maneira segura e sem danos.
Monitoramento
Durante o trajeto, os veículos são monitorados usando tecnologias de telemetria e rastreamento GPS. Dessa forma, a empresa acompanha a localização exata dos veículos, garantindo que estejam seguindo as rotas planejadas e cumprindo os horários de entrega.
Além disso, o monitoramento permite que os gestores de frota reajam rapidamente a qualquer imprevisto, como mudanças no tráfego ou problemas mecânicos.
Entrega ao cliente
A etapa final do last mile é a entrega ao cliente. Durante essa fase, a comunicação com o cliente é essencial. Notificações por SMS, e-mail ou aplicativos móveis mantêm o cliente informado sobre o status da entrega, garantindo uma experiência positiva.
Logística inversa
O processo do last mile também inclui a gestão de devoluções. Caso o cliente não esteja satisfeito com o produto ou tenha algum problema, a empresa deve estar preparada para a coleta dos itens devolvidos e a reintegração deles no estoque ou a realização de trocas, conforme necessário.
Desafios do last mile nas operações
O last mile, apesar de ser uma etapa aparentemente simples, é uma zona crítica e enfrenta uma série de desafios que podem impactar a eficiência e a eficácia das operações logísticas.
Não tem como começar a descrever os obstáculos da last mile sem falar da complexidade logística. Afinal, a necessidade de entregar uma grande quantidade de pedidos em diferentes locais, muitas vezes dentro de prazos apertados, exige um planejamento e uma coordenação rigorosos.
A diversidade de destinos, variando de áreas urbanas a regiões rurais remotas, adiciona uma camada extra de dificuldade na roteirização e na otimização das entregas. Além das distâncias, outra questão considerável são as condições de tráfego, principalmente em cidades maiores.
Congestionamentos, obras nas vias e acidentes de trânsito são fatores imprevisíveis que podem comprometer os horários de entrega planejados. Lembrando que a última logística é a que concentra a maior parte dos custos, e essas dificuldades acentuam ainda mais os gastos de last mile.
A pressão dos clientes é um fator que pesa muito nas decisões nesse processo final, uma vez que os consumidores esperam entregas rápidas e precisas. Dessa forma, atender a essas expectativas sem comprometer a qualidade do serviço é um grande desafio.
Por fim, é importante ressaltar o medo de ações criminosas, sobretudo em grandes centros urbanos. Garantir que os produtos cheguem ao destino final sem serem danificados ou roubados exige medidas de segurança adicionais, como rastreamento e seguros de carga, o que pode aumentar os custos operacionais.

Como melhorar o last mile e diminuir custos?
Melhorar a eficiência do last mile e, ao mesmo tempo, reduzir os custos associados é o objetivo de qualquer empresa que depende de entregas. Existem diversas estratégias e práticas que podem ser implementadas para alcançar esses objetivos. Acompanhe quais são as mais eficientes.
Otimização de rotas
É quase impossível não colocar o investimento em tecnologia na primeira posição.
Ferramentas de roteirização inteligente e sistemas de gestão de frotas são extremamente úteis para ajudar a planejar rotas mais eficientes, minimizar o tempo de viagem e maximizar o número de entregas por rota.
Uso de veículos adequados
Escolher o tipo de veículo certo para cada tipo de entrega faz uma grande diferença nos custos. Veículos menores e mais ágeis são mais adequados para entregas em áreas urbanas mais densas e encomendas de pequeno volume, enquanto caminhões maiores são entregues por mercadorias grandes.
Além disso, investir em veículos elétricos ou híbridos pode reduzir significativamente os custos de combustível e o impacto ambiental.
Treinamento de motoristas
O modo de condução influencia diretamente no consumo de combustível e desgaste dos veículos. Por isso, investir em programas de treinamento para motoristas ensina práticas de direção mais eficientes e seguras e garante que os produtos sejam entregues em perfeito estado.
Logística reversa eficiente
Ter uma visão clara e precisa dos níveis de estoque em diferentes locais ajuda a planejar melhor as entregas. Além disso, implementar um sistema eficiente de logística reversa para gerenciar devoluções e trocas de produtos reduz os custos operacionais e melhora a satisfação do cliente.
Tecnologia de rastreamento e comunicação
Utilizar sistemas de telemetria permite monitorar o comportamento dos motoristas, ajudando a identificar e corrigir práticas de direção ineficientes que aumentam o consumo de combustível.
Análise de dados
A melhor maneira de avaliar se suas ações estão funcionando é por meio da análise de dados. Monitorar e coletar informações faz com que você acompanhe o desempenho das operações de last mile e observe quais pontos podem ser melhorados.
KPIs como tempo de entrega, custos de transporte, taxa de entregas bem-sucedidas e satisfação do cliente devem ser constantemente avaliados para ajustar e aperfeiçoar as operações.
Como a tecnologia ajuda a otimizar o last mile?
Existem incontáveis formas que a tecnologia auxilia a melhorar as operações de last mile.
Entenda como as ferramentas garantem a eficiência operacional na última etapa logística.
Roteirização inteligente
Esses sistemas utilizam algoritmos avançados para calcular as rotas mais eficientes, levando em consideração fatores como tráfego, condições da estrada, horários de pico e localização dos pontos de entrega.
Com esses dados, o sistema calcula a melhor rota para diminuir o tempo de viagem e o consumo de combustível, assim como também melhora a pontualidade das entregas.
Telemetria
A telemetria permite o monitoramento dos veículos da frota, fornecendo dados detalhados sobre a localização, velocidade, comportamento do motorista e consumo de combustível.
Essas informações são essenciais para identificar ineficiências e áreas de melhoria, bem como para garantir que os motoristas estejam seguindo as rotas planejadas e adotando práticas de direção seguras e econômicas.
Sistemas de gestão de frotas
As plataformas de gestão de frotas integradas reúnem diversas funcionalidades em um único sistema, permitindo que o gestor monitore, gerencie e analise todos os aspectos de suas operações de last mile.
Isso inclui a gestão de veículos, planejamento de rotas, rastreamento de entregas, manutenção preventiva e análise de desempenho.
Plataformas de entrega colaborativa
As plataformas de entrega colaborativa conectam empresas com uma rede de motoristas independentes ou empresas de entrega locais, permitindo uma maior flexibilidade e eficiência na gestão das entregas.
Essas plataformas utilizam algoritmos de correspondência para atribuir automaticamente as entregas aos motoristas disponíveis mais próximos, otimizando o uso dos recursos e reduzindo o tempo de entrega.
Aplicativos móveis para motoristas
Os aplicativos são ferramentas indispensáveis no last mile moderno. Por meio deles os motoristas recebem instruções de rota, informações sobre o trânsito, atualizações sobre as entregas e a capacidade de registrar provas de entrega (como fotos e assinaturas eletrônicas).
Além disso, esses aplicativos podem enviar alertas e notificações para os motoristas, ajudando a manter a comunicação e a coordenação eficazes.
Soluções de tracking
Os clientes gostam de acompanhar suas entregas, desde o momento em que saem do armazém até verem a notificação que o objeto saiu para a entrega. Notificações automáticas via SMS, e-mail ou aplicativos também mantêm os clientes informados sobre o status da entrega.
Por isso, os sistemas de tracking oferecem maior transparência e segurança e aumentam a satisfação do cliente, que pode planejar melhor a recepção de suas encomendas.
Análise de dados e Machine Learning
A análise de dados e o machine learning estão revolucionando o last mile ao permitir uma melhora contínua baseada em dados históricos e preditivos.
As empresas podem usar as informações para identificar padrões, prever demandas futuras, ajustar rotas e melhorar continuamente suas operações. O machine learning pode, por exemplo, prever quais rotas são mais suscetíveis a atrasos e recomendar alternativas.
Soluções de armazenamento inteligente
Os armazéns inteligentes, equipados com tecnologias como IoT (Internet das Coisas) e automação, permitem uma gestão mais eficiente do estoque e das operações de picking e packing. Essas soluções garantem que os produtos estejam sempre prontos para serem enviados, minimizando os tempos de espera e acelerando o processo de last mile.
O futuro do last mile na logística
O futuro do last mile na logística promete ser marcado por inovações tecnológicas e mudanças significativas nas estratégias de entrega. Com o avanço contínuo do e-commerce e as expectativas cada vez maiores dos consumidores por entregas rápidas e eficientes, empresas estão buscando maneiras de tornar o last mile mais ágil, econômico e sustentável.
Uma das principais tendências que já está em atuação é a implementação de tecnologias avançadas, como a inteligência artificial e o machine learning, que permitem a otimização de demandas e a automação de processos.
Um modelo que também já está sendo praticado em muitos lugares são os pontos de retirada (pick-up points) e armários inteligentes (smart lockers), que são locais onde os clientes retiram suas encomendas. Essa solução reduz a necessidade de entregas domiciliares e, consequentemente, os custos associados ao last mile.
Além disso, o uso de drones, robôs de entrega e veículos autônomos está sendo explorado como uma solução futurística para superar os obstáculos da última milha, prometendo uma logística mais rápida, segura e econômica.
Por último — e não menos importante — a sustentabilidade está moldando o futuro do last mile. Empresas estão cada vez mais conscientes da urgência de adotar práticas ecológicas e reduzir as emissões de gases poluentes na atmosfera.
O futuro do last mile na logística será caracterizado por uma maior eficiência, sustentabilidade e inovação, impulsionados por avanços tecnológicos e novas estratégias operacionais. Nesse novo cenário, as empresas que conseguirem se adaptar estarão melhor posicionadas para atender às demandas dos consumidores e se destacar no mercado.
Dúvidas sobre last mile
O que é last mile?
Last mile é a última etapa de entrega de uma mercadoria, que consiste na saída do item do centro de distribuição para o destino final.
Esta publicação te ajudou? Confira essa e outras explicações sobre questões de logística e gestão de frota no blog da Cobli!



