pirâmide de acidentes no trânsito.

Pirâmide de acidentes ou desvios: o que é e como usar?

A pirâmide de acidentes é um modelo gráfico usado na área de segurança do trabalho para ilustrar a relação entre acidentes graves, leves e incidentes.

É inevitável falar de logística sem mencionar a pirâmide de acidentes (ou de desvios) e as formas de prevenção destas ocorrências.

Isso é um desafio diário na gestão de frota. Existem muitas variáveis que precisam ser consideradas para evitar problemas e uma delas é ter uma pirâmide de acidentes personalizada ao nicho e tamanho do seu negócio.

Conforme o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, uma pessoa morre a cada três horas, vítima de acidente de trabalho no Brasil.

Preocupante, não é mesmo? Por isso, hoje vamos falar sobre a pirâmide de acidentes e como ela pode ajudar a ter um ambiente de trabalho mais seguro. 

O que é a pirâmide de acidentes ou de desvios?

A pirâmide de acidentes ou de desvios, também conhecida como pirâmide de Bird, é uma maneira de mapear as intercorrências de trabalho, das menores até as mais sérias, para não acontecerem ou não acarretarem em consequências graves.

A teoria parte do princípio de que todo acidente de trabalho tem uma causa, seja por falha humana, uma condição insegura no ambiente, entre outros fatores.

Muitos gestores de frotas, por exemplo, podem acreditar que o fato de empregarem motoristas experientes os livra de ocorrências deste tipo.

Entretanto, estes condutores podem ter violado pequenas leis de trânsito que não terminaram em acidentes ou danos ao veículo, mas que podem, porventura, resultar em uma situação mais grave no futuro.

Por isso, o incentivo de boas práticas no trânsito e a prevenção de acidentes é tão importante na operação.

Como funciona a pirâmide de Bird?

A pirâmide de Bird é um conceito desenvolvido por Frank Bird Jr., um pioneiro em segurança industrial. Ele propôs a ideia de que para cada acidente fatal que ocorre em um local de trabalho, há uma série de acidentes menores que ocorrem antes dele. 

Ou seja, para cada acidente fatal, pode haver várias lesões graves, um número ainda maior de lesões leves e uma quantidade significativa de incidentes que não resultaram em lesões.

Foi assim que surgiu a relação 1-10-30-600. E o que isso significa?

Simples, a cada um acidente grave temos 10 lesões leves, 30 perdas materiais e 600 incidentes ou quase acidentes.

Em outras palavras, quanto mais casos houverem de quase acidentes, maiores são as chances de ocorrer perdas materiais, lesões leves e, consequentemente, acidentes graves.

A ideia central é que, se uma empresa conseguir identificar e corrigir os fatores que contribuem para os incidentes e acidentes menores, ela poderá reduzir a probabilidade de acidentes graves e fatais.

Portanto, a pirâmede de bird serve como uma ferramenta para promover uma abordagem proativa à segurança no local de trabalho, enfatizando a importância de prevenir todos os tipos de incidentes.

Qual a importância da pirâmide de acidentes na logística?

A pirâmide de acidentes é importante na logística ao permitir que as empresas visualizem a gravidade dos eventos e identifiquem oportunidades para melhorar a segurança no trabalho.

Nesse sentido, a pirâmide de acidentes, além de conscientizar sobre essas atitudes, é fundamental para:

Identificação de riscos

A logística envolve uma série de atividades que podem apresentar riscos à segurança, como manuseio de materiais, operação de equipamentos, transporte de carga, entre outros. 

A pirâmide de acidentes ajuda a identificar e priorizar esses riscos, permitindo que as empresas concentrem seus esforços na prevenção de acidentes graves.

Promoção da conscientização

Ao visualizar a relação entre incidentes, acidentes leves e graves, a pirâmide ajuda a conscientizar os funcionários sobre a importância de relatar e corrigir até mesmo os menores erros. 

profissionais de logística montando a pirâmide de acidentes da empresa.
A pirâmide de acidentes identifica oportunidades para melhorar a segurança no trabalho.

Planejamento de medidas preventivas

Com base na pirâmide de acidentes, as empresas podem desenvolver e implementar medidas preventivas específicas para reduzir a ocorrência de incidentes e acidentes.

Isso pode incluir treinamento de segurança, implementação de procedimentos operacionais seguros, manutenção preventiva, entre outras ações.

Redução de custos

A prevenção de acidentes e lesões na logística não apenas protege os funcionários, mas também ajuda a reduzir os custos associados a indenizações, licenças médicas, perda de produtividade e danos à reputação da empresa. 

Ao seguir os princípios da pirâmide, as empresas podem economizar dinheiro a longo prazo.

Cumprimento de regulamentos

Muitas vezes, as regulamentações de segurança e saúde ocupacional exigem que as empresas implementem medidas preventivas para proteger os trabalhadores. 

A pirâmide de acidentes fornece uma estrutura eficaz para garantir o cumprimento dessas regulamentações, ajudando as empresas a manter um ambiente de trabalho seguro e conforme as leis.

Como aplicar a pirâmide de Bird na gestão de frota?

Aplicar a pirâmide de Bird na gestão de frota envolve uma abordagem proativa para identificar e combater os riscos de segurança associados à operação de veículos.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, os principais tipos de acidentes no trânsito são causados por ausência ou reação tardia do condutor, falta de atenção ao entrar em vias, excesso de velocidade e hábitos incompatíveis com a direção defensiva.

Para implementar essa estratégia na empresa, é preciso seguir alguns passos:

Coleta de dados

O primeiro passo para aplicar a pirâmide de Bird na gestão de frota é coletar dados sobre todos os tipos de eventos relacionados à segurança, incluindo:

  • Quase-acidentes: quedas de objetos, erros de operação, quase colisões;
  • Acidentes com danos materiais: danos a veículos, cargas ou outros bens;
  • Acidentes com lesões: cortes, contusões, fraturas, lesões por esforço repetitivo;
  • Acidentes fatais: morte de um ou mais trabalhadores.

Cálculo de proporção

Após a coleta de dados, é necessário calcular a proporção entre os diferentes tipos de eventos, utilizando a seguinte fórmula:

Proporção = (Número de eventos em um nível / Número de eventos do nível anterior) x 100

Por exemplo, se a empresa registrou 600 quase-acidentes, 30 acidentes com danos materiais, 10 acidentes com lesões e 1 acidente fatal, a proporção seria:

  • Quase-acidentes: 600 / 30 = 2000%;
  • Acidentes com danos materiais: 30 / 10 = 300%;
  • Acidentes com lesões: 10 / 1 = 1000%.

Identificação dos riscos

A análise da proporção entre os diferentes tipos de eventos permite identificar os principais riscos presentes na gestão de frota. 

Por exemplo, se a empresa apresentar um alto índice de quase-acidentes, isso pode indicar a necessidade de:

  • Treinar os motoristas para a condução segura de veículos;
  • Implementar medidas de segurança para evitar colisões;
  • Melhorar a manutenção dos veículos.

Implementação de medidas de prevenção

Com base na identificação dos riscos, a empresa deve implementar medidas de prevenção para reduzir o número de acidentes que podem incluir:

  • Treinamento dos motoristas em técnicas de direção defensiva, primeiros socorros e combate a incêndios;
  • Implementação de um programa de gestão de fadiga para evitar que os motoristas conduzam cansados;
  • Adoção de um sistema de telemetria para acompanhar o comportamento dos motoristas e o desempenho dos veículos;
  • Realização de inspeções regulares nos veículos para garantir a sua segurança.

Ao aplicar as práticas da pirâmide de Bird, é possível identificar e prevenir os riscos de segurança na gestão da frota, ajudando a proteger tanto os motoristas quanto os ativos da empresa.

Entenda a lei de Heinrich

Na década de 1930, Herbert William Heinrich trabalhava na área de engenharia de riscos em uma empresa de seguros norte-americana ao mesmo passo que publicava seu livro intitulado “Industrial Accident Prevention: A Scientific Approach”.

Após a análise de 75 mil intercorrências, Heinrich descobriu que os acidentes não eram estudados a fundo para evitá-los, eles tinham uma investigação leve e nada detalhada sobre suas causas.

Sua teoria, então, era de que a cada um acidente grave, tinham 29 acidentes com ferimentos leves e 300 ocorrências sem lesões.

O parâmetro 1-29-300, portanto, ficou conhecido como Lei de Heinrich. Essa proporção é uma estimativa e pode variar dependendo do setor, tamanho da empresa e cultura de segurança.

Dessa forma, como os acidentes de trabalho costumam ter causas em comum, a ideia era analisar as intercorrências mais leves a fim de evitar as mais graves.

A conclusão do estudo foi de que a falha humana era uma das principais causadoras de acidentes de trabalho e, caso solucionada, poderia servir como prevenção.

Mas não era só isso! Local de trabalho inapropriado, atividades sem equipamentos de seguranças e até a personalidade do trabalhador poderiam fazer subir o índice de ocorrências em uma empresa.

Apesar das limitações, a lei de Heinrich continua sendo um conceito relevante. Ela serve como um alerta para as empresas sobre a importância da prevenção de acidentes e a adoção de uma cultura de segurança no trabalho.

pirâmide de acidentes no trânsito.
A pirâmide de acidentes pode ser utilizada para reduzir ocorrências no trânsito.

A pirâmide de DuPont

Diferente dos outros modelos de pirâmide, a e DuPont foi desenvolvida como uma ferramenta para auxiliar na prevenção de riscos que resultaram nos acidentes de trabalho.

Isso fez com que a pirâmide de acidentes crescesse ainda mais, desta vez com uma relação de 1-30-300-3.000-30.000.

A cada um acidente grave, temos 30 intercorrências com afastamento, 300 acidentes sem afastamento, 3.000 incidentes ou quase acidentes e 30.000 desvios.

Este nível de detalhamento permite que a empresa olhe para toda a operação e veja onde é necessário voltar seus esforços para evitar comportamentos que possam causar um acidente grave.

Essa gestão de riscos é de extrema importância para a logística. Pense, por exemplo, em um motorista que infringe as leis de trânsito, freia bruscamente e dirige em alta velocidade.

O condutor pode passar ileso em diversas situações, mas as chances de acontecer um acidente grave são altíssimas. Logo, se você corrigir este desvio, a probabilidade de uma intercorrência é muito menor.

Boas práticas de prevenção de riscos na logística

Como você viu, até as pequenas ações podem causar acidentes graves. Ao corrigir estes desvios, você tem uma empresa mais segura, aumento da eficiência do trabalho e um controle financeiro maior.

As boas práticas de prevenção de riscos são essenciais para minimizar as falhas e garantir a segurança e eficiência das operações logísticas. 

Para colocar isso em prática, é essencial seguir algumas recomendações:

Treinamento de segurança

Providencie treinamento de segurança para todos os funcionários envolvidos nas operações logísticas, incluindo orientações sobre procedimentos seguros, uso adequado de EPIs, identificação de riscos e como responder a emergências.

Avaliação de riscos

Realize avaliações regulares de riscos em todas as áreas e atividades logísticas. Identifique potenciais perigos, como máquinas, empilhamento inadequado de carga, áreas de armazenamento e implemente medidas para evitar esses riscos.

Manutenção preventiva

Mantenha todos os equipamentos e veículos em boas condições por meio de um programa de manutenção preventiva. Isso inclui inspeções regulares, reparos oportunos e substituição de peças desgastadas.

Equipamentos e veículos com a manutenção em dia são menos propensos a falhas que podem resultar em acidentes.

Gestão de estoque

Mantenha a gestão eficaz do estoque para evitar sobrecarga ou empilhamento inadequado de materiais. Isso não só reduz o risco de acidentes no manuseio de carga, mas também facilita o acesso e melhora a eficiência operacional.

Iluminação adequada

Garanta que todas as áreas de trabalho, incluindo armazéns, docas de carga e áreas de estacionamento, tenham iluminação adequada. 

A iluminação insuficiente pode aumentar o risco de acidentes, especialmente durante operações noturnas ou em áreas com pouca luz natural.

Sinalização e marcação

Utilize sinalização clara e marcadores visuais para indicar áreas de perigo, rotas de tráfego, locais de armazenamento e instruções de segurança. Isso ajuda na orientação e reduz o risco de confusão ou erro humano.

Gestão de frota

Implemente políticas de segurança para a operação de veículos da frota, incluindo treinamento de motoristas, manutenção preventiva dos veículos, monitoramento do comportamento do motorista e implementação de tecnologias de segurança.

Cultura de segurança

Promova uma cultura de segurança onde todos os funcionários se sintam responsáveis pela segurança pessoal e coletiva. 

Incentive a comunicação aberta, reconheça e recompense comportamentos seguros e conduza investigações completas de acidentes e incidentes para identificar causas raiz e implementar medidas corretivas.

Como a videotelemetria ajuda a reduzir acidentes e sinistros?

A videotelemetria é uma tecnologia que utiliza a captação de imagens para a coleta de dados por meio de uma câmera de segurança veicular.

Seu funcionamento consiste na instalação de uma câmera no automóvel, que gravará imagens tanto do exterior quanto do interior do veículo.

Com a captação de imagens da cabine e da via, fica muito mais fácil verificar incidentes de trânsito e identificar o que, realmente, aconteceu. Sem achismos, mas com imagens e filmagens em mãos.

Veja como a Azza reduziu 65% de comportamentos de riscos ao volante com a Cobli Cam.

Além disso, com o alerta de excesso de velocidade do veículo, o motorista consegue atuar de maneira preventiva para que a multa não aconteça.

Tudo isso pode ser encontrado na Cobli Cam, telemetria com vídeo que reduz custos e aumenta o cuidado.

Essa tecnologia permite ao gestor identificar e inibir a condução perigosa, tendo mais controle sobre o modo de condução, a partir da videotelemetria.

Conheça alguns dos benefícios para reduzir acidentes e aumentar a segurança:

  • Identificar comportamentos de risco: entenda o comportamento dos motoristas ao volante e dê feedbacks certeiros para os condutores melhorarem seu desempenho;
  • Reduzir custos com infrações e acidentes: monitore e identifique padrões de risco na condução. Receba alertas pelo painel e tenha as gravações dos eventos registradas automaticamente;
  • Proteger de falsas acusações em casos de acidente: utilize as gravações como evidências para discussões jurídicas e solução de processos.

Também é possível contar com alertas sonoros gerados a cada evento de direção perigosa como “direção distraída“, “curvas bruscas” ou “proximidade do veículo da frente”. Assim, ele consegue ser alertado, sem precisar desviar a atenção do trânsito.

Esta publicação te ajudou? Confira essa e outras explicações sobre questões de logística e gestão de frota no blog da Cobli!

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